domingo, dezembro 10, 2006

Encontro por aí...

Estava extasiada com as iluminações, os enfeites.. até com o frio! Claro que estava feliz da vida, conforme os dias entram em contagem decrescente até à noite de 24 de Dezembro (Natal é a 24, digam o que disserem, o meu cérebro não processa outra data), a minha idade vai reduzindo e torno-me numa criancinha a vibrar com as músicas de Natal. Com as prendas não vibro tanto porque já não têm o significado que tinham. Sou incapaz de percorrer as ruas iluminadas sem "dançar" um bocadito, cantarolar qualquer coisa que tenha guizos a definir o ritmo e não é o cachecol nem o vapor que sai da minha boca que me faz arrepiar de frio. Estou feliz, verdadeiramente feliz.

Quando te vi no meio do passeio a sorrir, acordei de repente. Ia tão entretida de pescoço ao alto a ver tudo o que o meu horizonte não alcança que nem me lembrei que ia ter contigo! Incrível.. cá estou eu. Tão longe de casa, tão longe de tudo e bem no meio da rua, das iluminações, das pessoas carregadas de sacos, das crianças, da camada extra de roupa e do barulho do gelo a desfazer-se por baixo das botas. Cá estás tu, como prometido, como prenda de Natal antecipada. Impossível não chegar ao pé de ti, abraçar-te e dar-te um grande beijo de boas-vindas. Afinal o Natal branco começou mesmo mais cedo. Passeámos um bocadinho de mão dada pelas ruas da cidade, mas eu já não fazia nada a não ser olhar-te nos olhos e tomar muita atenção ao que dizias. Acima de tudo, sorrir... rir-me contigo, rir das tuas piadas, rir de tudo e nada, rir só porque estou contigo. Descobrimos a cidade, redescobrimos o frio que faz quando tiramos o cachecol que tapa a boca e o nariz...

Chegámos ao hotel e desapertámos os cachecóis, a diferença de temperatura era grande. Já no corredor do andar do nosso quarto, encostaste-me devagarinho à parede e apontaste para o sensor de movimento. Esperámos que as luzes se apagassem. Agora não sinto frio, quando nos beijamos, a sensação é tão quente que sinto o gelo a derreter lá fora...

domingo, novembro 26, 2006

Era uma vez na Arábia, parte II

(...e Bin Laden entrou na caverna.)

Ao ver Al-Face morto em cima de um monte de moedas entrou em pânico:
- O Francisco Louçã descobriu-nos! O Bush não nos pode continuar a financiar-nos para aqui, avisa o Gates que está tudo cancelado! Temos que nos mudar rapidamente! Este é um aviso extremamente claro!!
- Mas ó patrão, será que não foi só um campónio qualquer que nos descobriu?
- Achas mesmo!? E não levava nada?! Ficava morto ali?! Só por essa ideia estúpida, vai ficar sem cabeça!
E zás... cortou a cabeça a Al-Garve, o primeiro amor de Al-Guidar. Os homens de Bin Laden carregaram os camelos e burros para fugir o mais rapidamente possível, mas estavam com problemas em carregar um pote porque o burro não aguentava com o peso e teimava em cair para o lado. Alguns homens resolveram averiguar o problema do burro e descobriram Al-Jazeera dentro do pote. Assim que foi descoberto, só um pensamento atravessou a mente de Al-Jazeera: "Quem me dera estar contente num lugar longe e com o amor de Al-Guidar!". Meio desejo concedido mais tarde, encontramos Al-Jazeera um pouco atordoado nas Bahamas, completamente hilariante, ria-se imenso mas não sabia bem de quê.

De volta ao local do crime, Bin Laden tentava perceber o que se tinha passado. Não queria fazer perguntas porque se recusava a admitir que um homem tinha desaparecido, mas também não queria dar parte fraca face ao medo espelhado na cara dos restantes homens. Um pouco temeroso de magia negra, deixou ficar lá o pote, o burro e decapitou os homens que eram testemunhas (Al-Entejo e Al-Mada, 2º e 3º amores da vida de Al-Guidar). Lá continuou o seu caminho com burros e camelos com um único objectivo: Andorra e o seu paraíso fiscal.

Uns quarteirões ao lado, Al-Guidar tinha finalmente decidido o que queria pedir como desejo. Levantou-se, pegou nas mãos de Brad-Pitt e disse bem alto: "quero que deixes de ser génio e que fiques comigo para sempre!". A face de Brad-Pitt iluminou-se de felicidade e fechou os olhos à espera da magia de que ia ser alvo.
Passados uns dez minutos de espera e um bocado aborrecidos de olharem um para o outro, acharam que aquele desejo não devia ser concretizável e tentaram outros tantos, entre os quais uma árvore que dava ouro, um hamburguer da MacDonald's que não cheirava mal, um Vítor Neves com perguntas racionais, um país sem corrupção... quando pediu para tornar encarnado um tomate verde chegou à conclusão que Brad-Pitt não tinha poder nenhum!

Entretanto nas Bahamas, Al-Jazeera tinha chocado com o 10º amor da sua vida em biquini, as mulheres na praia sucediam-se a um ritmo alarmante! Ao longe viu um homem a caminhar na sua direcção e, sem saber por quê, sentiu um arrepio na espinha. Apesar de se estar a aproximar, ele não sabia se era homem ou mulher (vinha com uma tanga e sem mamas). O homem chegou-se ao pé dele, cravou-lhe dois beijos na cara e apresentou-se: "José Castelo Branco, muito prazer! Ai, que barba tão giraá! Que classe!!". Al-Jazeera teve a certeza que não era homem nem mulher, só queria fugir. Reparou então numa peça ao lado do homelher: uma massa disforme que parecia sorrir. Pensou que estava sofrer efeitos de insolação, sentiu-se tonto e caiu redondo no chão. Quando acordou, o homelher estava a fazer-lhe respiração boca-a-boca, louco de raiva porque beijar semi-homens era contra as leis de Alá, atirou-se ao mar decidido a morrer por afogamento. Ia já muito longe da costa e quase a desfalecer quando uma tartaruga gigante o apoiou e levou até uma praia, onde finalmente se deixou vencer pelo cansaço.

Entretanto Al-Guidar reparou que lhe tinham assaltado a loja porque nem o marido nem o empregado lá estavam. Completamente desolada por ter ficado sem dinheiro, resolveu ir à procura do marido enquanto Brad-Pitt tentava suicidar-se inalando creme depilatório. Al-Guidar percorreu as casas de todos os conhecidos e desconhecidos perguntando pelo marido e cunhado, mas nada, ninguém sabia nada do seu paradeiro. Desolada, passou três dias em greve de fome, fitando o horizonte enquanto Brad-Pitt curtia a sua depressão. Ao saber da triste história destes dois que tinham tudo para ser felizes, Paulo Coelho voou do Brasil para ensinar o verdadeiro sentido da vida a Al-Guidar e a Brad-Pitt. Ensinou-os a lutar, a ler as estrelas, a serem uns verdadeiros Merlins da vida, reconhecer sempre as coisas boas, não recordar as más, aprender a viver e a lutar porque há sempre outra oportunidade espiritual! Extremamente agradecidos a Paulo Coelho (que lhes cobrou apenas umas percentagens do livro "O Alquimista"), resolveram rumar à terra prometida, algures naquela direcção.

Do outro lado do mundo, Al-Jazeera acordava ao som de uma música contagiante, estava uma mulata ao lado dele que o convidou a dançar. Al-Jazeera mal conseguia controlar o rabo e não parava de dançar, aprendeu salsa em menos de cinco minutos. Os olhos verdes rasgados da mulata prendiam-no e nunca mais se separou dela. Ao fim de um mês, aprendeu a falar espanhol, entendeu que estava em Cuba, e nessa altura era já versado em Hemingway e rum, puros ainda lhe faziam tosse. Aprendeu depressa as leis do mercado negro e refez a sua vida com a mulata a vender chás calmantes com sabor a maçã que disfarçavam a fome. A mulata, de seu nome Enazibel, mostrou-lhe o que era o verdadeiro amor e filhos mestiços. E claro.. muita salsa! Viveu feliz.

Voltando atrás, Al-Guidar e Brad-Pitt não eram felizes, tinham muitas desavenças conjugais e decidiram que era melhor separarem-se.
Nessa altura estavam a fazer uma busca espiritual na Índia, ele conheceu a bela Angelina-Jolie e, sem lhe contar nada do seu passado como génio, abraçou as causas humanitárias e fingiu aceitar os filhos que ele sabia que não eram dele, bastava olhar para a pele das crianças, por Alá!
Al-Guidar entrou em depressão, converteu-se numa mulher da vida e, alguns dias depois, na taberna "estamos-todas-cá" conheceu Bin Laden. Ele apaixonou-se imediatamente por ela e levou-a para Andorra. Aí aprendeu a fazer ski, ser muito bem paga para dormir com magnatas e a ser feliz.

(A programação normal do blog vai ser retomada em seguida)

sexta-feira, novembro 24, 2006

Era uma vez na Arábia, parte I

Era uma vez um senhor chamado Al-Jazeera, era muito trabalhador e correcto mas tinha um irmão rico que era exactamente o oposto dele. Al-Jazeera trabalhava para o irmão que tinha uma esposa lindíssima por quem ele estava irremediavelmente apaixonado. Por sinal, a bela moça tinha sido obrigada a casar e estava apaixonada pelo irmão mais novo, ou seja, o pobre Al-Jazeera.
Um dia, estava ele a passear no deserto e viu uma grande agitação no horizonte, escondeu-se atrás de umas rochas porque temia uma tempestade de areia. Escondido atrás das rochas, viu alguns cavaleiros aproximarem-se... muitos! Ficou pasmado quando viu o líder deles: Bin Laden! Era o ladrão mais procurado no país todo e a sua quadrilha era numerosa. Bin Laden aproximou-se de uma rocha enorme e gritou: "Abre-te Sésamo!". Perante o olhar espantado de Al-Jazeera, a enorme pedra mexeu-se e toda a quadrilha entrou num buraco que ficou a descoberto, a rocha voltou a tapar o buraco quase instantaneamente.

Assim que a quadrilha se foi embora, Al-Jazeera correu até à pedra enorme e gritou: "Abre-te Sésamo!". A pedra mexeu-se e ele entrou... a caverna estava repleta de ouro e vários tesouros! Como era uma pessoa medianamente desinteressada, passeou um pouco mais na caverna a pensar que talvez pudesse levar uma coisa ou outra para montar o seu próprio negócio, até que viu uma lâmpada semelhante à do Aladino. Correu a apanhá-la, esfregou a lâmpada e nada. Nada de génio, nada de desejos, nada. De qualquer maneira, levou a lâmpada no bolso, tirou um ou dois cordões de ouro e voltou a sair da caverna.

Quando Al-Jazeera chegou à loja no dia seguinte, foi a correr ter com a jovem Al-Guidar (a mulher do irmão) para lhe contar o que tinha visto na caverna e entregou-lhe a lâmpada como prova de que estava a falar a verdade. Assim que a moça se viu sozinha, começou a esfregar a lâmpada e saiu mesmo um génio. Não era bem o que ela tinha em mente mas ficou muito agradada, o génio era um rapaz louro muito bem parecido que dava pelo nome de Brad-Pitt. Brad-Pitt explicou-lhe que era novo naqueles números e que não tinha grande jeito para magias.. tecnicamente só tinha direito (e capacidades) a realizar meio desejo. No entanto, Brad-Pitt apaixonou-se por Al-Guidar assim que a viu e ficou a pensar num esquema para a levar dali, apesar de não ser muito bom em magia. Al-Guidar ficou um pouco triste, mas como optimista que era, achou que meio desejo era melhor que nenhum! Não querendo desperdiçar o meio desejo em vão, pediu ao Brad-Pitt para esperar um pouco até tomar uma decisão.

A verdade é que quem tinha direito ao meio desejo era Al-Jazeera pois tinha sido ele o primeiro a esfregar a lâmpada. No entanto, o génio estava no seu momento de depilação peitoral e quando finalmente saiu da lâmpada, deu de caras com Al-Guidar e presumiu que tinha sido ela a esfregar a lâmpada também da primeira vez. Durante isto, o irmão mais velho de Al-Jazeera, Al-Face, tinha estado a escutar atrás da porta porque tinha ideia que a mulher estava a falar com alguém... seria um amante? A pena para adultério era decapitação e Al-Face achava que Al-Guidar merecia a cabeça, não seria a mesma sem aqueles caracóis ruivos a cair-lhe pelos ombros! Sendo assim, ignorou o caso extra-conjugal mas tentou descobrir quem era o amante da mulher, trepou à janela e viu Al-Guidar sentada na cama com um musculado louro ao seu lado. Percebeu rapidamente que não tinha qualquer hipótese contra um homem depilado e resolveu libertar-se da frustração desabafando com o irmão. Al-Jazeera ficou com o coração destroçado e resolveu contar-lhe o segredo da caverna. Como ambos tinham perdido o amor, só lhes restava mesmo a ambição: pegaram nums camelos e foram até à gruta para atestar os animais. Esconderam-se atrás de umas rochas, viram a quadrilha de Bin Laden chegar e partir e depois entraram na gruta. Uma vez lá dentro, Al-Face ficou maravilhado! Até ao momento, tinha a firme convicção que o irmão tinha estado a gozar com ele, mas depois subiu a um monte de moedas de ouro, saltou, nadou, colocou coroas na cabeça... estava tão feliz que o coração dele não aguentou e fez-se em ketchup.

Al-Jazeera entrou em pânico: o irmão morto e o amor da vida dele nos braços de um louro depilado! Pior era impossível! Ouviu uns barulhos do lado de fora e, em desespero, escondeu-se dentro de um pote enorme que lá estava. Ouviram-se as palavras "Abre-te Sésamo" e Bin Laden entrou na caverna.

(continua...)

segunda-feira, novembro 13, 2006

O quinteto maravilha

Pois bem, a minha colega (colega desse escol que é o grupo das "Misses") Miss Perfect, lá resolveu tornar-me numa feliz contemplada (a sério) neste jogo e meteu-me também ao barulho. Esta é já a segunda vez que me vejo nestas andanças por isso tive que me esforçar ainda mais do que da outra vez... o que vale é que eu sou uma gaja cheia de manias!...


1. Apesar de ter a leve impressão que é irritante a longo prazo, eu estou sempre a rir! Sei que daqui a uns cinco anos (no máximo) serei a última cara à face da Terra que vai ser escolhida para fazer publicidade a um produto anti-rugas. Ainda mais idiota (e esta tiveram que me dizer porque eu tristemente não dava por ela) é que não só falo pelos cotovelos, como corro o risco de arrancar um olho a alguém que passe perto de mim enquanto falo porque a minha diarreia verbal é acompanhada de uma fascinante linguagem gestual. Quanto ao mexer muito as mãos, já dei por mim a falar ao telemóvel e a explicar com as mãos, acredito que a pessoa do outro lado tenha percebido muito melhor... Quanto ao sorriso, a minha sorte é que até tenho a cremalheira completa e razoavelmente branca...


2. Ok, carros. Pronto, o problema não são bem os carros são mais propriamente os Audis (tirando o A2, "balha-me Deuz"). Eu reajo à passagem de um Audi como o meu cão reage quando eu lhe mostro um bocado de presunto e faço círculos com ele. Mas há algum carro mais bonito que um A3, um A4, um A6, um A8, etc ou um TT com aquele azul lindo??
Rapazes, não venham cá com histórias porque eu até já tive oportunidade de engatar uma miúda por causa de um Audi... E esta, hein?!


3. Adoro andar descalça!
Pronto é isso... não sou capaz de andar de salto alto, acredito que seja muito elegante, mas eu a cair de uma escadaria não me soa nada a elegância. Só usei umas quatro vezes em toda a minha vida e fui sempre sortuda o suficiente para ficar em mesas com toalha até ao chão, assim fiquei o tempo todo descalça (aliás, saltos altos são das poucas coisas que me fazem estar muito tempo na mesma posição, sentada e quieta). Gosto muito de ténis, mas andar descalça é mesmo uma alegria... Deixem o chão com taco de madeira vir até aos meus pezinhos!! Provavelmente demoro a curar constipações por causa disso, mas andar calçada em casa é um atentado à liberdade. (Não tenho fotografias dos ditos porque foram submetidas a concurso... esperamos o veredicto final!)


4. Por alguma razão dúbia, quando preciso de estar concentrada para resolver qualquer coisa preciso de estar a fazer outra coisa ao mesmo tempo. Quando estou a estudar, normalmente estou a "cantar" qualquer coisa ou a fazer desenhos de coisas que não têm nada a ver. Quando estou ao computador, ponho-me a jogar "Solitário" enquanto revejo as coisas mentalmente para encontrar ou corrigir erros. Já fiz um exame do princípio ao fim ao som de um martelo pneumático e não dei por ele até acabar o exame! Eu sei que é estúpido, mas não me consigo concentrar se estiver tudo em silêncio e isso explica a minha aversão às bibliotecas (excepto à do ciclo onde se pescavam os peixes do aquário com clips).


5. E por último, sou uma verdadeira e incontestável fã de desenhos animados! Ainda por cima vejo tudo o que seja da Disney ou da Pixar, sou muito selectiva... cof cof. Não sei se tem alguma coisa a ver com o facto da minha época festiva favorita ser o Natal, acho que a minha parte de adulta é um bocado deficitária em certas (muitas) áreas... mas pronto, acho que podia ser pior!! E para imagem final, deixo-vos com uma curtíssima metragem que se chama "For the birds" e que quase roubou o filme que se seguiu. Suponho que depois disto, a próxima vez que olharem para mim deve ser deste estilo:


Agora vem a parte que me dá gozo, entalar mais 5 pessoas! E o pessoal que venceu o renhido casting é o que se segue:

O rookie Max
A sempre-no-topo-da-sua-performance The Bitch
O Balhau que se raspou da última vez
A doce Catarina
E a gémea Ana

Come on... make my day! ;)

terça-feira, novembro 07, 2006

Uma fotografia com sabor a morango

O teu pai dizia que eram "calças de circo" e remungava entre dentes sempre que as trazias vestidas. Eu nunca lhes liguei muito, mas aprendi a gostar delas por causa desta fotografia. Sempre tiveste um estilo bastante teu, é impossível olhar para ti e não reconhecer isso. Ainda tens aquele hábito de ter sempre uma caixa de pastilhas de morango no bolso, raramente te apanhei a passear sem estar a mascar isso. Não costumo aceitar as que me ofereces, só quando quero enganar a fome, mas gosto imenso do cheiro a morango que fica a pairar no ar à tua volta.

Não sei se te lembras desta fotografia, provavelmente sim... estamos os quatro de costas para a falésia e com o cabelo no ar! Já foi há algum tempo, mas ainda me recordo muito bem da força do vento. Foi ali que aprendi a gostar das tuas calças, o vento era tanto que as calças torneavam perfeitamente as tuas pernas. Esta fotografia não me deixa mentir ou esquecer esse fim de tarde. O que mais me orgulha é o brilho nos teus olhos e o sorriso enquanto olhavas para mim, estava ainda a começar. Os altos e baixos que se seguiram... não foram muitas as ocasiões, mas os baixos foram mesmo cavados. Os bons momentos são tantos que não me consigo lembrar de todos, mas o dia desta fotografia está bem presente desde que acordei até que adormeceste no carro durante a viagem de volta (dizias tu que nunca adormecias em viagem).

É bom continuar a ver o brilho nos teus olhos, é bom continuarmos a rir sem parar. É bom rir só de te pensar em ti. Já não tens aquelas "calças de circo", mas ainda acordo com o cheiro a morango na almofada que não uso. É um tesouro que guardo dentro de mim e que só tu me dás, é um acordar doce.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Outro Outono

Nesse dia cheguei tarde a casa, andava cheia de trabalho. Tinha tanta coisa para fazer que já não bastava escrever na agenda, precisava mesmo de memorizar algumas coisas. Estar constantemente a rever tudo o que tinha que fazer criava-me uma certa dificuldade em desligar ao chegar a casa. A informação toda que voava de um neurónio para outro toldava-me a fome, a sede, a vontade de fazer o jantar e de ouvir música (televisão foi coisa que nunca me atraiu).

Nesse dia lembrei-me de inventar qualquer coisa para relaxar, fui buscar um cobertor grande, puxei o sofá para trás, tirei a mesa da frente e estendi o cobertor no chão. O sofá era de facto mais confortável, mas a coisa compôs-se com uma ou duas almofadas e música muito baixinha. Deitei-me ali, a imaginar como seria se eu de facto tivesse uma lareira. Não sei quanto tempo fiquei assim, provavelmente adormeci. Despertei com o som do telemóvel, aquele bicho que tanto nos consegue fazer sorrir como cerrar os dentes com força. Confesso que demorei um certo tempo a equacionar se valia a pena levantar-me para ver o que se passava, afinal já passava da meia noite e eu estava a sentir-me tão pequenina, tão agasalhada, tão bem.

Ao fim de alguns minutos, acabei por esticar o braço ao máximo e lá consegui pregar com o telemóvel no chão. Na mensagem dizias que tinhas acabado de sair da Universidade, ainda nem tinhas jantado e querias saber se o pessoal se tinha juntado todo aqui (como é normal à sexta-feira). Passaram-me várias coisas pela cabeça como ignorar a mensagem e continuar a desfrutar do meu "ninho", no entanto, acabei por te dizer para onde tinha saído toda a gente e que eu estava sozinha, não valia a pena vires cá. Mas tu vieste na mesma... aparentemente também não querias meter-te em ambientes confusos naquele dia, nada de muitas imagens, gente a falar, fumo, música alta... Não estava à espera que viesses, não estava mesmo. Mas sabes que mais? Foi o melhor que podias ter feito.

Ainda consigo ver-te a entrar na sala com o pacote de castanhas assadas na mão. Ainda consigo sentir o sorriso e a sensação quente que deixaste que alastrasse dentro de mim. Acho que também te rias da minha cara gulosa e dos dedos sujos do carvão das castanhas. Sentaste-te comigo no chão, queixaste-te que te doía o pescoço mas não foste para o sofá. Acabaste por deitar a tua cabeça e os teus caracóis no meu colo, assim ao contrário do que acontece nos filmes.


Folhas escarlates e castanhas assadas: as únicas razões que me fazem abraçar o Outono. Ficámos a noite toda juntos e eu nunca me esqueci... até porque tu nunca gostaste de castanhas assadas.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Ode aos críticos de cinema

Se há coisa que eu não compreendo é exactamente para que servem os críticos de cinema, especialmente em sites onde o público também vota. Do meu ponto de vista, um crítico de cinema devia esclarecer os pontos fortes e fracos do filme. Se possível, explicar se vale a pena dar 5 euros por ele e comparar a algum filme já conhecido para dar uma vaga ideia da coisa. A maior parte dos críticos de cinema só serve para correr com o pessoal dos cinemas (seria essa a ideia original?).

Existem os críticos "enciclopédia", sabem tudo do passado dos realizadores: onde nasceram, as influências, as notas da escola, a primeira curta-metragem, quando é que o filme foi exibido pela primeira vez, os prémios que recebeu, excertos de entrevistas, etc. Comparam o filme actual com um qualquer que a criatura fez há 20 anos e dizem que esse é que era bom. Ficamos sem perceber se o filme vale ou não os 5 euros.

Os críticos "pessimistas" acham que qualquer filme é mau, os filmes bons eram na altura da Maria Cachucha ou de um realizador que nunca ninguém ouviu falar. Acham que o pessoal de hoje em dia não faz ideia do que é realizar um filme, divagam sobre outros filmes com o mesmo tema que, segundo eles, são obras-primas e esquecem-se do filme que deviam criticar.

Há aqueles que contam o filme do princípio ao fim: "O filme começa com o José que é desempregado, entretanto conhece Lúcia, o amor da sua vida, e a mãe dele morre em circunstâncias misteriosas. Todos suspeitam de Lúcia mas o verdadeiro culpado é o cunhado". Estes resolvem-nos o problema: ficamos logo sem vontade de ver o filme.

Existem também os críticos "surrealistas", são capazes de ver um arco-íris no "Branca de Neve" de João César Monteiro. Por alguma razão (que não o excesso de dioptrias), vêem um filme que não é o que o realizador fez. No plano de uma barraca conseguem encontrar uma crítica à sociedade e o facto de existir um arbusto na cena é uma clara menção à política de Bush. O chato é que podemos ficar muito entusiasmados com o filme e depois achar que não percebemos nada (ou pelo menos não entendemos o que o crítico entendeu).

E temos ainda aqueles que não viram filme, copiam as críticas estrangeiras e ficam muito felizes com isso. Sai sempre qualquer coisa como: "filme muito aclamado no festival porco de prata" o que deve querer dizer que é bom ou "o filme passou despercebido nos Estados Unidos" o que não diz nada porque, já se sabe, a opinião dos americanos não interessa nada.

Ora bem, o que é que acontece na realidade? Ninguém liga nenhuma aos críticos e o pessoal vai aos sites onde o público vota. Se há 200 pessoas a votar menos de 3 estrelas, fujam do filme! Nenhum português dá menos de 3 estrelas a menos que os 5 euros que gastou tenham sido mesmo mal gastos! Acima de 4 estrelas começa a ser um bom filme. E depois, acabo por gostar mais dos filmes comerciais do que daquelas "obras de arte" que os críticos idolatram (e que me fazem dormir).

terça-feira, outubro 10, 2006

Quando é que mudou?

A respiração volta devagarinho ao normal, o batimento cardíaco continua rápido e o meu corpo brilha do suor que ainda não foi absorvido pelo que resta do lençol... Agora já consigo pensar, consigo partilhar o que penso de ti, de nós. Assusta-me pensar até onde que chegámos. Olho para ti, um sorriso cansado mas sincero, olhos meigos que realmente se preocupam comigo.

Como chegámos até aqui? Evito pensar em toda a minha família, evito pensar na tua. O que realmente me preocupa é: quando é que passámos a conhecer-nos demasiado bem? Quando é que passámos a precisar um do outro? Quando é que passou a ser verdadeiro?... A situação assusta-me um pouco, não te consigo ver sem me imaginar a tirar-te a camisa e ao mesmo tempo não compreendo como arrasto a situação sem mexer um dedo para lhe colocar um ponto final ou talvez um inicial, apesar de tudo.

Conta-me o que sentes, conta-me porque me queres, conta-me porque é que pensaste que eu era a mulher da tua vida. Conta-me como vamos ter um futuro doce sem dificuldades, conta-me enquanto estás aqui comigo a sorrir e a olhar-me nos olhos. Conta-me histórias...

sexta-feira, outubro 06, 2006

Fado triste

Como almocei mais cedo do que o normal, em vez de ver as notícias fui "presenteada" com um programa da manhã (menos mal porque era na RTP1). Parece que hoje é dia de festejo, acredite-se ou não, estão a festejar o facto da Amália ter morrido há 7 anos. Eu sou a favor de aproveitarmos todos os momentos para festejarmos, quer alguém tenha morrido ou não.

Ok, eu não percebo nada de fado.. é verdade. Sei o nome da Amália pela mesma razão que sei o do Eusébio (não tem nada a ver com lontras) e já vi mais vezes um remate do Eusébio do que ouvi um fado da Amália. Aquele tipo de música não me puxa nada, não sou capaz de ouvir e deliciar-me. Mas posso opinar na mesma: que raio de caretas são aquelas?! Eu sei que os guitarristas têm a mania de fazer caretas ou meter a língua de fora quando prolongam uma nota aguda, mas o que é aquilo? Eu nem ouvi o que é que a Kátia Guerreiro estava a cantar, a minha atenção estava toda na cara que espelhava um sofrimento terrível, um verdadeiro parto sem epidural a cada sílaba. O queixo estava apontado para o PoSAT e a cara de sofrimento a olhar para o tecto só fazia pensar em que tipo de tortura inquisitória é que o tecto lhe estava a infligir. Anda aí tanto actor que não sabe fingir sofrimento e afinal basta aprender a fazer um playback de uma fadista! A única parte chata é mudar o argumento para ter o criminoso a atacar sempre por cima.

Como não estavam satisfeitos, resolveram levar dois guitarristas e procurar populares que quisessem cantar um fado "amaliano". Numa escolha que me pareceu perfeitamente lógica, foram ao mercado do Bulhão. Curiosamente aquilo não caiu e nenhuma mulher tinha sotaque do norte. Acho que as reportagens sobre o fecho do mercado são fictícias, quando se deu a confusão toda não havia uma entrevistada que falasse sem sotaque.. seriam figurantes?
Aí percebi finalmente o sofrimento da Kátia Guerreiro, tive um momento de escuridão total: aquelas "fadistas" resolveram abrir a goela e nuns minutos que duraram uma eternidade mostraram que é possível saber de cor uma música, ouvi-la mil vezes por dia, adorar a Amália e não acertar numa única nota, bravo! Os meus tímpanos pediam clemência, o meu queixo deixou-se cair de terror e desconfio mesmo que as celulazinhas que interpretam o som para sinais eléctricos estavam a planear um suicídio colectivo. A felicidade é que no meio de tanta tragédia, o microfone deixou de funcionar (partiu-se), entregou a alma ao criador e aposto que nunca pensou que pudesse vibrar tão sofrivelmente sem ter sentimentos.

Sim senhor, aquilo é o que eu chamo de homenagem! Ou talvez de crime público, não sei.

sábado, setembro 30, 2006

Eras tu?

...E tu chegaste tão perto
Que te apertei no meu peito
Já não era uma miragem
Era a sério, eras tu..

Faz tanto tempo, tanto tempo
Faz tanto tempo e eu não esqueci...

O que é que seria chegar aos 50 anos, olhar para trás e pensar "epá, eras tu?!". Assim tipo realização de última hora, a pólvora depois da guerra. Sei que não me ia atirar da janela porque isso dava muito trabalho, rir para não chorar era capaz de ser a melhor hipótese e também ficar quieta até digerir a informação. Vistas bem as coisas, isto até tem lógica... afinal, saber que alguém nos é verdadeiramente importante nota-se melhor ao fim de algum tempo, quando conseguimos ver as coisas com uma certa distância racional e dissipar o nevoeiro emocional. Neste ponto, estas duas almas gémeas devem estar casadas e com filhos, cada um na vidinha que traçou. Será que vamos olhar para a outra pessoa da mesma maneira? Será que não vamos tentar captar-lhe a atenção? Será que não sucumbimos à vontade de a puxar para um canto e soprar-lhe ao ouvido que é "a tal"? (Expressão correcta segundo o meu guru) A única coisa que me parece chata em deixar ficar tudo na mesma, é que na realidade nada fica na mesma, a comparação entre o que se tem e o que se poderia ter é inevitável.

Ao estilo das "Pontes de Madison County", o que fazer quando podemos escolher entre a pessoa que nos acompanhou até ali e a pessoa com quem queremos realmente estar? Quando podemos cortar com a nossa vida, largar tudo e começar algo radicamente diferente que, apesar de estar certo, pode ter um sabor amargo? Será que temos coragem de cortar com tudo, mesmo que seja a vidinha mais monótona à face da Terra que jurámos aos 20 anos que nunca íamos ter? E se tivermos coragem, como é que se começa uma vida feliz sabendo que magoámos as pessoas de quem mais gostávamos? Afinal, o amor manifesta-se de tantas formas.. é tão fácil amar duas pessoas ao mesmo tempo.

Apesar de ter a certeza que sou dona do meu destino e que as curvas aparecem quando eu resolvo mudar de rumo, tenho uma certa fé (esperança?) que a nossa vida nos cruze mais do que uma vez com o rumo certo (ou seja, que podemos fazer asneira e ser felizes na mesma). Acredito que o tempo que perdemos entre esperar "a tal" pessoa e a arriscar com a errada é-nos dado diversas vezes. Temos é que aproveitar as nossas escolhas da melhor forma... mesmo que as troquemos após 50 anos.

segunda-feira, setembro 11, 2006

A (des)Química do Amor

A minha ideia de amor é um bocado estranha, suponho que me encontro numa minoria, mas descobri há pouco tempo que não sou a única a partilhar este ponto de vista. Antes de mais, quero dizer que tenho a perfeita noção que sou uma namorada a dar para o muito mau! A parte chata é que eu não estou a pensar em mudar (dá trabalho e eu tenho falta de tempo).

Talvez seja excesso de racionalidade numa área em que ela não devia participar (foi o que me disseram), mas eu sinto que o amor por alguém é eterno até aparecer outro "melhor". Não estou a dizer que essa pessoa tenha que existir ou que "melhor" seja mais rico, mais bonito ou mais inteligente. Desconfio mesmo que há gente que se farta de estar bem e que troca um companheiro espectacular por alguém que pode nem ter os dentes todos ou ter uma anomalia cerebral qualquer, mas com quem houve um click! Parece que a culpa é da química cerebral.. Isto de ter uns circuitos que resolvem disparar quando bem lhes apetece deixa o amor na corda bamba!

Não vou ao ponto de acreditar que o amor dura 4 meses (como não sei quem escreveu), mas a verdade é que acho que depende mais do meio ambiente do que deveria. Antigamente era muito bonito, as pessoas conheciam 15 vizinhos, escolhiam um para casar e passavam o resto da vida a conviver com as mesmas pessoas. A única maneira do casamento dar raia e de se querer trocar o companheiro de almofada era quando aparecia um vizinho novo! Agora passamos os dias a conhecer gente, todos os anos há caras e personalidades novas nas empresas, festas, escolas, chats, etc. Isto quer dizer que o nosso companheiro vai ter que ser "melhor" do que as milhentas pessoas que conhecemos anualmente. É um pouco como pedir que o nosso cérebro se deixe estar quietinho e não se meta em confusões quando o novo chefe se aproxima...

Soube que 1 em cada 3 casais que vão de férias voltam separados, isto de domar o cérebro não é fácil! Vou acabar este devaneio com o Burt Bacharach:

...So for at least until tomorrow
I'll never fall in love again

quarta-feira, maio 17, 2006

Quase poema...

Apareceste vinda do nada e fizeste um estrondo tão grande cá dentro que me senti acordado de um sono profundo por um trovão imenso. Não sei de onde vieste, nem faço a mínima ideia de quais são os teus planos ou para onde queres ir, não sei como apareceste aqui, mas rogo-te para que fiques comigo esta noite. Enches-me a alma de alegria, só de olhar para ti sou forçado a sorrir por sentir o meu peito tão cheio de felicidade transbordante. Tenho a certeza que o meu coração vai bater tanto esta noite que nunca mais vai tomar o ritmo certo quando tu não estás. Esta noite sinto-me capaz de salvar o mundo quando te abraço com força, quando sinto o calor e o suor do teu corpo colado ao meu. Não há guerra que consiga vencer um beijo teu... tão quente, tão cheio, tão certeiro. Tanta vida... tanto movimento, alimentas o meu espírito de tal modo que eu tenho a certeza que ele andava sedento e praticamente morto antes de te conhecer.
Eu disse-lhe um segredo: não partas nunca mais. E dançou, rodou no chão molhado, num beijo apertado de barco contra o cais...

E uma asa voa a cada beijo teu,
Esta noite sou dono do céu...

sexta-feira, abril 28, 2006

Ao longe

Ela olha para ele de cima a baixo e descobre que tudo o que mudou nele não muda nada, é ele na mesma. A mesma pele agora um pouco mais queimada, a barba mal cortada que arranha ligeiramente, as mãos sujas da terra que lhe cobre a roupa e os olhos tristes. Os olhos é que ela não reconhece, já não são dele.. através deles ela sente a alma a gritar de resignação.

Eu estou quieta a observá-los, a sentir a respiração contida e os olhares de redescoberta, de medo. Ela esboça o primeiro sorriso e ele encarreta uma conversa banal. Quebram o gelo, finalmente. Conforme ele vai andado, ela segue-lhe os passos com o mesmo sorriso feito que tinha há pouco.. nunca se colocam a par, mas falam e, às vezes, até riem. Ela observa o que poderia ser ela ao conhecer no que ele se tornou e a vida que abraçou. O medo desvanece por completo e dá lugar a um novelo de pensamentos entrelaçados. Tanto temor para quê? Tanto nervoso miudinho, tanto esfregar de mãos e respiração cortada sem querer, para quê? O tempo é demasiado poderoso. Ela vê o tempo a passar nos olhos dele, cada grão de areia que cai no fundo da ampulheta e ela sente-se tão feliz! Feliz porque aquele não é o futuro dela. Tudo o que ela passou, as novidades, as mudanças, as noites em claro, as lágrimas teimosas, a ansiedade, a confusão, o medo de não voltar.. E para quê? Ali estava ela, exactamente onde queria estar. Curiosamente, naquele presente ele não tinha qualquer papel senão na cabeça dela, nem um mísero figurante era! Continua atrás dele mas o sorriso que agora leva estampado na cara é verdadeiro, o brilho nos olhos dela contrasta tanto com o baço dos dele, que qualquer pessoa poderia ver a necessidade que ele tem de o sorver nos dela.

"Temos que repetir isto mais vezes"
Ela acena que sim com a cabeça mas tanto lhe faz. O medo desvaneceu, afinal não era nada. A quantidade de coisas com que ela se preocupa antes de acontecerem é assustadora, mas ela está a aprender que só se deve preocupar com o que acontece, a vida prova-lhe isso a cada momento. Eu vejo-a a recuperar o sorriso alegre, a ser senhora de si e da vida que leva, especialmente da felicidade que sente por ter chegado até ali, ou melhor, aqui. Sorrio também e abandono a minha postura petrificada. Ela despede-se dele com um aceno, enquanto ele espera um abraço. Não obstante, pega-lhe na mão para a ajudar a entrar no carro. Ele fica parado, de pé, a dizer adeus enquanto ainda sente o cheiro dela no ar que o envolve. E se era ela o que ele realmente queria? Mesmo depois deste tempo todo? Sabia a dificuldade que tinha sentido em pegar-lhe na mão e tinha reparado na falta de atrapalhação dela. Olhos tão vivos que poderiam ser agora os dele... Bem, não interessa pensar nisso porque o presente dele é a terra que o cobre de cima a baixo. Vejo-o voltar para casa a massajar a mão com que tocou nela, acender a televisão e a mergulhar no sofá. Eu sorrio da liberdade recentemente descoberta.. e de não ter qualquer sensação na minha mão.

terça-feira, abril 04, 2006

Manhã de Natal

Olho para ti de uma maneira que espero que mais ninguém olhe. Não é que tenha sentimentos demasiado egoístas, mas tenho a necessidade de pensar que mais ninguém vê aquilo que eu consigo ver. Quero ser a única a ter este ponto de vista, como uma fotografia premiada ou uma perspectiva especial que mostra toda a beleza escondida de um local. Tenho aquele olhar com que contemplava as prendas que desembrulhava na manhã de Natal, quando finalmente encontrava a que eu desejava mais. Eu não sentia que havia mais uma centena de miúdas com a mesma boneca, simplesmente aquela era a minha boneca e eu era capaz de olhar para ela como mais ninguém era. E acredito que há muita gente que percebe perfeitamente o que eu sinto e que partilha do mesmo, mas não quero saber dessa verdade. Esta visão é minha e tudo o que eu sei ou sinto cá dentro não é para descrever ou confessar a mais ninguém.

Quanto mais olho para ti, mais descubro que há pormenores que me estão sempre a escapar. Sei as expressões e consigo repeti-las só para mim dependendo do tom com que falas, mas sei que nunca vou saber tudo e isso é bom, reconfortante. Continuo curiosa a tentar descobrir tudo o que não sei. Ainda me surpreendo quando estou a olhar com menos atenção e, de repente, aparece a minha imagem que é a tua na verdade. É quase como se estivesse a olhar para outra pessoa que quero conhecer minuciosamente, cada mudança no tom de pele, as rugas no canto dos olhos e dos lábios, o sítio onde apetece mais tocar no teu cabelo, o espaço por detrás da clavícula que me guia até ao teu pescoço. Nada é meu, mas eu sinto que só eu é que sei daqueles pormenores escondidos nestes locais minúsculos. Não vale a pena perguntar o que estou a pensar porque eu não sei responder ao certo. Estou a elaborar uma biblioteca privada sobre ti dentro da minha cabeça, tentar que não me escape nada, não quero esquecer nada... É isto que me faz fundir em ti.

sábado, abril 01, 2006

O post dos porquês

Hoje sinto-me com 3 anos (só hoje, mais coisa menos coisa) e apetece-me perguntar o porquê de tudo. Resolvi então recorrer à minha idade "quase-adulta" e em vez de chatear alguém em particular, vou chatear toda a gente que cair na asneira de ler isto! Democrático, não é? Ora cá vão algumas coisas que me afligem hoje, amanhã logo se vê.

Para começar, vou gastar já o meu melhor cartucho e esperar que alguém me tente matar ou, na melhor das hipóteses, deixar de falar após ler o que se segue. Ora cá vai disto:

Porque é que há gente com dois nomes próprios que não soam bem nem ao menino Jesus?! Há por aí nomes que conseguem superar os da pimbalhada e que não soam bem nem ao fim de muitos anos de convívio (com prática lá se consegue treinar o tímpano para não reagir.. demasiado). A mania de meter dois nomes que não têm nada a ver um com o outro ultrapassa-me. Parece que alguém não conseguiu decidir entre dois nomes e, em vez de ter dois filhos, sacrificou logo o primeiro rebento com medo que o segundo se recusasse a aparecer. Será que custava muito registar as criancinhas com um nome provisório e depois esperar que elas atingissem os 18 anos para decidirem? Meter o nome de Maria a rapazes só funciona se lhes sair um brasão de armas na lotaria; Tito era o nome do cão da vizinha do rés-do-chão da minha avó; nomes quase-portugueses como Priscilla são impronunciáveis; Cristiano Ronaldo nunca vai soar bem e Pascal André também não!!

Porque é que os bébés são adoráveis? Sinceramente, os bébés são vermelhos ou roxos (depende do nível de obstrução do ranho à passagem do oxigénio), feios, babam-se muito, berram ainda mais, vivem com os próprios dejectos colados ao corpo e não fazem absolutamente nada de útil! Podiam sei lá, fazer uns números de circo ou de stand-up para entreter a mãe que anda há dois meses sem dormir e evitar uma depressão pós-parto? Fazer bolhas de saliva não é considerado entretenimento.

Porque é que eu não sou uma portuguesa a sério se não gostar de bacalhau?
Isto vem na constituição portuguesa?! Bacalhau cozido é horrível e quem quer que se tenha lembrado disto para a ceia de Natal só não vai parar ao inferno porque é Natal e há muitas sobremesas para fazer esquecer a fome. Porque é que não sou miúda se não gostar de passar horas intermináveis a comprar roupa? E mais ainda: porque é que o café (que é amargo) é suposto ser bom depois de levar com 1kg de açúcar em cima!?

Porque é que os pastéis de nata dão tanto trabalho a fazer? Raio dos bolos que são tão bons e aquela massa folhada só serve para quem não tem mais nada que fazer.. (E desculpem lá, mas a massa folhada congelada nem se compara!)

Porque é que a TVI é o canal mais visto em Portugal?.. Isto tem a ver com o facto de eu não gostar de bacalhau e de café e não entender o gosto típico do português?

Porque é que as mulheres não podem dar missa?
Sermões todas as mães dão.. Além de machismo, isto tem mais alguma coisa associada? Na Inglaterra é permitido e não me parece que as pessoas tenham deixado de acreditar na sua religião por causa disso. Isto tem tanta lógica como proibir as mulheres de entrar para a escola primária. (Eu sei que há homens a favor desta última, mas para esses: ainda é a vossa mãe que vos compra roupa e a mete numa cadeirinha no dia anterior para vocês a vestirem no dia seguinte, não é?..)

quinta-feira, março 09, 2006

Número de engate

Ok, e pensava eu que engatar pessoas pela Internet era estúpido. Acho que descobri a última moda dos desesperados deste país, a diferença é que agora a vítima têm que ter telemóvel e não uma vagina (coisa extremamente difícil de encontrar, portanto). O que se segue não é pura coincidência, tudo o que vou escrever é rigorosamente verdade.
Na semana passada recebi a seguinte sms de um 91 que me sinto na obrigação de partilhar:

"Ola tudo bem? Marquei o teu n ao acaso e acreditei que podia nascer uma amizade entre nos, o que achas? Vamos desafiar o destino? Chamo-me Antonio."

Estive mesmo para responder "Olá, eu chamo-me Xavier" mas depois desisti. Primeiro porque não tenho nada contra as pessoas chamadas Xavier e depois porque as sms custam dinheiro, parecendo que não, custa ver o saldo a diminuir com este tipo de coisas. Guardei a sms para me poder rir quando me apetecesse e não me lembrei mais disto até hoje. Ora bem, hoje recebi mais duas sms erradas e que, por sinal, eram declarações amorosas (não sei se ainda vinham em atraso da época dos arrulhos) - assim um bocado parecidas com aquelas da TV: marque "amor 3434" e receba uma sms para enviar à sua cara metade visto você ser demasiado estúpido para conseguir escrever uma sozinho e não ter amor ao dinheiro. De qualquer modo, senti pena por saber que havia alguém lesado em duas declarações amorosas (ao par sai mais barato?). Não me queria armar em anti-cupido e respondi gentilmente que as sms não eram para mim, mas que desejava boa sorte com a pessoa certa! E não é que me responderam? Ah pois é! O mundo das mensagens de 160 caracteres não pára de nos surpreender (desta vez de um 93):

"Obrigado.. e peço desculpa pelo engano que já é a 2ª vez. Posso saber o nome de tão simpática pessoa?"

Ai, dor..
Devo dizer que o meu número de telefone é praticamente impossível de decorar, a série não têm lógica nenhuma e a única coisa que pode chamar a atenção é que tem "69" no fim. Será por causa da terminação? Será por isso que só me sai disto? Mas há assim tanta gente a querer engatar o meu número de telemóvel?! Eu sei que estamos quase na Primavera, eu sei que os passarinhos já andam a fazer os ninhos, as árvores estão a ficar esverdeadas e até o Benfica passou aos quartos de final, mas mesmo assim, não havia necessidade.. (Banda Sonora: Desperado dos Eagles).

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

O dia das serpentinas apaixonadas

Pois bem.. o dia dos namorados. No ano passado evitei ao tema, mas este ano resolvi falar dele. Primeiro que tudo (e porque acho isto muito importante) o dia 14 de Fevereiro é o dia europeu da disfunção eréctil. Sobre este último não digo mais nada porque o sentido de oportunidade já é suficiente. Depois também acho interessante festejarmos com muitas rosas e beijos o dia da morte do S. Valentim, torturado.. claro! É bom sabermos que mataram um padre porque ele casava os rapazes que estavam bons para ir para a guerra e o governante da altura não achou piada. Como os casamentos continuavam em grande número, alguém resolveu cortar o mal pela raiz e matar o padre. Coitado! Já nesta altura a união de facto tinha poupado uns tantos problemas jurídicos.

Isto de ter as lojas todas vermelhas, cheias de corações e peluches é um bocado foleiro. A verdade é que as lojas no Carnaval estão muito mais alegres com serpentinas, máscaras de palhaços,ursos, índios.. sei lá, um nível de foleirice um bocadinho mais baixo. As pessoas estão com outra disposição, ninguém se chateia por tentar jantar fora e os restaurantes estarem preparados apenas com mesas a dois com a porra das velinhas. Porque não juntar as duas festividades? Porque não ver as famílias com as crianças mascaradas (ou mascarradas) nos restaurantes assim como um lobisomem a jantar com a menina da GALP pluma? Ou um fantasma a abraçar um crocodilo? É que além de um dia para fugir ao nosso aspecto diário e do aspecto da pessoa que vemos mais vezes (ou talvez não) há outras tantas facilidades a ter em conta: se estiveres apaixonado por uma pessoa do mesmo sexo, ninguém fica a olhar para ti de lado se fores vestido de mulher/homem, podes sair dos restaurantes/bares sem pagar porque também ninguém viu a tua cara e, de qualquer maneira, com a luz das velas podes sempre começar um pequeno fogo de distracção com as serpentinas!

Mas o dia dos namorados também tem coisas giras. Ver grandes filas de homens nas floristas (depois da hora de saída do emprego) e ver homens que se metem na fila e compram flores porque sabem que é um dia especial, mesmo que não saibam exactamente qual. É aqui que a publicidade ajuda e não serve só para testar o daltonismo, é impossível que exista alguém que não perceba que o dia dos namorados está a chegar, mesmo que seja um despistado nato! É sempre bom termos a certeza que não nos vamos esquecer destes dias, não vá alguém levar os esquecimentos a peito! Também é verdade que os namorados fazem questão de mostrar que gostam um do outro quando lhes apetece, não precisam de dia pré-definido. Este dia é então uma boa desculpa (como outra qualquer) para uma escapadela dos que estão juntos há uma eternidade, até porque há borlas nos telemóveis e descontos em pousadas que devem ser aproveitados!

Estão a ver, nem tudo é mau na época da invasão da coronária vermelha!
Mas a melhor parte deste dia, que é mesmo boa, é que aparecem morangos em todos os hipermercados a um preço fabuloso! Mesmo em caixinhas de plástico reles em forma de coração, temos morangos doces em Fevereiro e eles fazem-me pensar que há sempre um bocadinho da Primavera todo o ano em todo o lado.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Tudo bem?

O que é que queremos realmente dizer quando perguntamos "tudo bem?", será que estamos mesmo interessados na resposta? Acho que, em 80% dos casos, o pessoal se está a marimbar. O início de conversa mais batido é o belo do "olá, tudo bem?" e a reacção posterior é quase sempre a mesma quer a pessoa nos diga que se tentou mandar duas vezes de uma ponte abaixo quer diga que descobriu um chá espectacular para os nervos. Só respondemos à parte do "e contigo?" de onde sai o típico "tudo (bem)!". Perguntar se está tudo bem é, basicamente, uma questão de boa educação, o estarmos interessados na resposta já é pedir muito..

Perguntar a alguém se está tudo bem é um bocado arriscado se for ao vivo. Pode ser que a coisa corra bem, que a outra pessoa se fique por um "tudo bem e contigo?" e cada um siga o seu caminho. O problema é se a coisa corre mal e a outra pessoa está a precisar de desabafar com alguém (e está tão desperada que nem se importa se for connosco). "Epá, nem imaginas o que me aconteceu! No outro dia fui ter com a minha prima - aquela que mora para os lados de Algés - e não é que o carro.." - é a altura em que largamos algumas pistas subtis: olhar insistentemente para o relógio; ".. e depois o homem disse que só se eu fosse à oficina do Zé, aquele que já foi vizinho do meu avô,.." - evitar o contacto visual e procurar alguém conhecido nas redondezas; ".. eu já estava a ver a minha vida a andar para trás, sabes que eu não disse à Ana que lá ia.." - cruzar os braços e ser incapaz de acompanhar a conversa sem ser com "humm", "ah", "pois"; "..e no meio disto tudo, nem adivinhas quem é que eu encontrei! Ah pois foi, a Felisberta! Ao fim deste tempo todo, a vida tem cada uma.." - nunca se deve perguntar "a sério?" ou "ah sim?" porque isso dá para, pelo menos, mais dez minutos de monólogo. Se a grafonola se lembrar que tem dois ouvidos e que eles não estão a processar informação, então é capaz de perceber que se está a alongar um bocado e tenta que a coisa se torne num diálogo não monossilábico.

A pior parte é que quando devíamos deixar a boa educação em casa é que a esbanjamos.. velhotes, essa calamidade nacional! Somos todos sorrisos e damos um "olá!" rasgado, elogiamos a boa forma e perguntamos ao mesmo tempo que nos arrependemos: "tudo bem?". É a catástrofe, desastre total! Vamos passar os próximos dez minutos (optimismo) sem abrir a boca, onde o nosso interlocutor nem está preocupado se respondemos por monossílabos ou se não respondemos sequer, o que interessa é despejar o rol das enfermidades que ele/ela tem. É incrível como todos os velhos têm todas as doenças possíveis e imaginárias (deles e dos conhecidos deles), querem ser o supra sumo das doenças (como nós competimos por telemóveis, carros e respostas às perguntas do Trivial) e lá estamos a aturar tudo com o sorriso mais plástico que conseguimos porque ele nunca devia ter aparecido. Ficamos a saber das manchas que apareceram no dedo grande do pé, assim como do provável problema hepático (porque o Joaquim que mora na esquina também tem esse problema), da queda de cabelo, do cansaço, desconfiam que têm cancro, problemas respiratórios, cardíacos e que o médico é um incompetente porque não encontra nenhuma doença que não seja a velhice! Nós despertamos e despedimo-nos quando nos dizem a única coisa que se aproveita: para aproveitarmos a vida enquanto somos novos!..

Para poupar uns anos de juventude.. vou evitar perguntar se está tudo bem.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Porque votaste sim

Sinto-me demasiado aprisionada dentro de mim própria. O meu corpo rege-se por outras ordens que não as minhas. Estremece ao mais leve sussurro, sente-se irremediavelmente atraído, não pára de ferver sentimentos embrulhados que não consigo conter. Não consigo mudar de canal dentro da minha cabeça, não consigo parar de respirar o ar guardado dentro de mim, não consigo fechar os olhos e imaginar outro lugar. Não consigo sequer tentar, parece que não sou eu. Não consigo imaginar mais nada, não quero mais nada, não consigo parar. Acho que me deixei cair fundo demais dentro de mim.. Foi demasiado depressa e nem me deu tempo para abrandar. Às vezes chateio-me comigo, não consigo fazer nada para inverter a situação. Nem sequer me apetece. Tomaste conta de mim.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Considerações da passagem de ano a três

Como mudou o ano, é altura para reflectir.

Sou só eu ou o dia 1 não serve para fazer nada de útil? Se não fosse feriado, era uma greve geral a nível nacional (e não só do sector público). O dia 1 espelha todas as coisas que gostava de fazer no dia-a-dia do ano novo: nada. Ficar na cama até a noite chegar porque me dói o corpo todo, ficar a dormir no sofá com o comando na mão, ignorar o barulho do telemóvel com as mensagens que não caíram na véspera. Esperar que ele fique sem bateria porque não me vou levantar para o desligar. Fazer desaparecer o pequeno-almoço, o almoço e todas as refeições que sejam à luz do dia. Petiscar os salgados da véspera, fechar os olhos e fingir que não vai existir nenhum dia seguinte.

Desejos para o ano novo:
- Que hajam mais dias assim.
- Que não chova nas festas ao ar livre.
- Que as pessoas não abram champanhe sem ver se há pessoas com óculos atrás, já agora, que segurem na rolha.
- Que o pessoal não deixe de vir ao blog por causa deste post.
- Que hajam mais dias assim.

Coisas que nos passam pela cabeça nestas alturas:
- Será que aquelas mulheres do circo que fazem de alvo aos que atiram facas têm seguro de cirugia plástica?
- Será que o homem bala não tem problemas a conseguir empréstimos no banco? Deixam-no fazer seguros de vida?!

domingo, dezembro 04, 2005

Mães com SPA

SPA não se entende como sanus per aquam, mas sim como "síndroma pré-avó". No outro dia, estava a fazer sala num consultório e uma miúda estava a fazer queixa à avó porque a mãe dela lhe tinha dito que só lhe dava de comer se ela lhe desse netos! Senti-me solidária.. não sou só eu a sentir que a minha mãe me criou e aturou estes anos todos porque queria um neto (ou mais!). Às vezes fico com a ideia que ela não queria realmente ter filhos, só netos. Todos os meses lá vem a história dos netos.. Que eu não preciso de me preocupar com eles (até porque, segundo ela, eu dava uma péssima mãe), que ela faz tudo e até já tem o trajecto até ao parque infantil delineado! Sim.. "só" tenho que passar pelo trabalho de ter os netos dela. Sim, "só"! É que não custa nada andar nove meses tipo bola de berlim sem conseguir andar muito tempo de pé ou mesmo conduzir, cãimbras, pés inchados, corpo deformado, peito inchado.. e aquelas maravilhosas dores de parto?! Estar umas cinco horas a sofrer para caraças por causa de dez minutos de prazer? Como é que uma cabeça que parece uma bola de futebol passa num buraco mais pequeno que um limão anão sem causar estragos idênticos ao que o cometa fez aos dinossauros? (Rebentou tudo à sua passagem..)

Como é que é possível que em milhões de anos de evolução, o parto continue a aterrorizar qualquer mente feminina? E não me venham dizer que o segundo é mais fácil, já experimentaram?!

Pois bem, eu "só" tenho que me submeter a estas coisas e a minha mãe trata da peste. Está claro que algures "só" vou ter que acordar para dar de mamar àquela grafonola, com o botão de volume estragado no máximo, de três em três horas (viva o sono descansado) senão o peito deve entrar em convulsões e explodir se o terror em fraldas ficar sem sede.
O mais giro disto tudo é que a minha mãe acha maravilhosa a ideia de netos, mas a existência de um pai para eles já é outra história! Se eu for passar um fim-de-semana algures com o meu namorado é um filme de terror e um inquérito fenomenal. Suponho que a peste deva nascer de geração espontânea. Ou talvez em vez de um pai lhe possa arranjar uma mãe e recorrer à inseminação artificial? Será que a minha mãe tem alguma coisa contra isso? Assim não tem que conhecer/aguentar com o pai. Ou talvez ser mãe solteira "à la" Ágata?!

Mãe, lamento mas não quero ser mãe. Desculpa lá qualquer coisinha!

sábado, novembro 26, 2005

Voar daqui

Às vezes, as coisas que me rodeiam cansam-me. Tanta gente, tanto barulho, tanta coisa para fazer! É realmente incrível como ainda conseguimos acordar e deitar bem dispostos ou só mesmo acordar com vontade de viver o dia seguinte (nem que seja em contagem decrescente para sexta feira). Parece que fazemos milagres com as vinte e quatro horas que temos porque conseguimos fazer (quase) tudo a que nos propomos e ainda "sobra" tempo para dormir. Às vezes até sobra tempo para ficar na cama, de manhã, a ouvir a chuva a cair e a sorrir por não ter que sair naquele dia às oito da manhã. Não ter que sentir o frio a cortar a minha pele e estar ali quentinha enrolada nos lençóis. Estas pequeninas coisas como acordar e ficar na cama, um pacotinho quente de castanhas assadas, Sugos com sabor a limão, um rebuçado floco de neve, dançar sozinha ao som de uma música que já não ouvia há imenso tempo.. são todas especiais para mim. Ver-te sorrir.. ver os teus olhos transparentes e deixar os meus lábios mergulharem nos teus. Consegues o impensável, os meus olhos fecham à medida que o som da rua se vai tornando mais distante, as pessoas à nossa volta vão desaparecendo, os problemas esfumam-se! Estou noutro lugar qualquer só teu e meu, o tempo pára.

Quando abro os olhos, estou de volta à realidade. Há barulho, há coisas que fazer, há o tempo que passa, corre e foge por entre os meus dedos. Lembro-me de ter estado num estado de graça apenas há cinco segundos atrás. Nunca te vás embora.. preciso desta sensação que me provocas sempre que estás perto de mim, preciso de viajar até áquele sítio só nosso de vez em quando. De vez em quando, preciso de voar daqui..

terça-feira, novembro 15, 2005

Branco e Negro

Não te percebo nem nunca te hei-de perceber. Mas isso é uma coisa que gosto, se te conhecesse de trás para a frente, aborrecia-me. A verdade é que não tens nada de monótono, mas várias vezes me desiludes. É como se, a cada seis horas, estivesse com uma pessoa diferente. Tanto és atencioso e carinhoso, como distante e fechado em ti. Não te compreendo tantas vezes que penso que te ias embora se to confessasse. Sinto-me atraída porque és diferente, porque não te entendo. Porque és lindo e horrível. Porque me fazes chorar e rir mais do que qualquer outra pessoa. Porque não sou indiferente à tua presença, porque não confias em mim, por tudo pelo que te deixei ir, por tudo pelo que queria que voltasses e por tudo pelo que não te aceitei de volta. Estavas a mudar-me e eu não gostei da transformação. Quando me apercebi, não estava a tornar-me no que eu queria e tu nem deste conta. Eras tão fechado em ti como devoto a mim, sempre de extremos. Lembro-me de fazermos um daqueles testes online e tu seres um mago negro e eu uma maga branca.. é incrível como algumas parvoíces roçam a realidade.

Tenho saudades de me sentar no teu colo e estar só assim, sem palavras (eu era genuinamente feliz nestas alturas, sabias?). Tenho saudades de me fazeres rir onde quer que seja (atraindo público ou não), dos teus poemas, do teu cheiro, do teu cabelo revolto. Não tenho saudades de me deixares de falar durante dias por leres nas entrelinhas algo que eu nunca disse, por achares que me viste onde eu não estava, por tudo que acreditas que não podes ser e pelo que acreditaste que eu podia ser.

Às vezes pergunto-me como seria agora. Teria dado a volta por cima e seria feliz contigo? Será que te ia mudar? Acho que nunca me perdoaria se tu mudasses. És lindo e eu tenho medo que cresças e deixes de o ser. Mas também és um desastre, demasiado mau para ser verdade. Se te entendesse, perdia-me a mim. Desculpa.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Aeroporto

Sempre que estou no aeroporto, fico a observar as pessoas. Não consigo evitar olhar para tudo o que se passa como se o tempo parasse para mim e o meu leitor de mp3 me oferecesse a banda sonora do filme que se desenrola diante dos meus olhos. Até podia estar farta de aeroportos, mas não estou. Estou farta de voar, isso sim. Continuo a adorar a descolagem e a aterragem, mas o resto é sempre tudo igual, podia passar-se em qualquer lado e o cheiro do catering põe-me logo de dieta.

Não sei porque gosto de aeroportos. Talvez pelas sensações diferentes, pessoas diferentes, línguas diferentes. Caras de aventura, caras de saudade, caras de felicidade, caras de tristeza, caras de monotonia (acompanhadas de uma pasta de executivo). Montras de souvenirs. Abraços sentidos, bagagem, seguranças, hospedeiras, filas de check-in, écrans com informação sobre os vôos, buliço de conversas cruzadas e telemóveis, revistas e jornais estrangeiros, avisos em voz alta em várias línguas igualmente incompreensíveis.. fotografias de despedida. As despedidas.. não desgosto delas, fica uma sensação de "até qualquer dia (espero eu)". Ninguém aqui se despede com indiferença, mas sim como namorados que vão ficar alguns dias sem se ver e que se olham como se nunca mais se fossem encontrar.

A minha banda sonora mudou para Leaving New York dos REM. Na "mouche"! É por isto que não há discussões nas despedidas. É capaz de ser mais difícil para quem fica do que para quem vira costas direito à porta de embarque, mas em ambos os casos fica uma nítida sensação de abandono. Eu sinto sempre que abandono qualquer coisa que já faz parte do que sou. Não faço ideia das divisões que tenho dentro de mim, sou de tanto lado que deixei de pertencer onde quer que seja. Tenho sempre saudades das pessoas, dos lugares e das paisagens, do cheiro, do vento, do ar de outros locais onde não estou. Não sei porquê. Talvez um dia volte a sentir que pertenço a algum lado, que a minha "casa" está num sítio especial. Não sei quem dizia que é preciso cortar as raízes antes de voar. É verdade, eu voei.

quarta-feira, outubro 26, 2005

A teoria do Wally e do Ezequiel*

"..10 000 spoons when all you need is a knife.."
Suponho que esta frase da Alanis Morissette resume bastante bem aquela tendêcia do destino para gozar com a nossa paciência todos os dias. Se perdemos um relógio, o que é que acontece? Ficamos uma boa meia hora de rabo para o ar a virar a casa do avesso e não encontramos o sítio onde o raio do relógio se escondeu. A busca vai-se revelando cada vez mais infrutífera e o desespero aumenta quando começamos a procurar nos mesmos locais mais do que uma vez. Passados dois dias, perdemos mais qualquer coisa. Começamos à procura, mas eis que não é à toa! Por alguma manobra demoníaca inconsciente, começamos por procurar exactamente no único sítio onde não tínhamos procurado da última vez. É claro que continuamos com o último objecto perdido durante os próximos tempos, mas encontramos (à primeira!) o relógio que encabeçava a lista dos mais procurados lá de casa.

Eu confesso que sou daquelas pessoas tristes que passa a vida a telefonar para o próprio telemóvel a partir do telefone fixo. Não tenho ADSL e, como tal, acho que o meu telefone fixo só tem razão de existir porque eu nunca sei do meu telemóvel. Depois lá vou eu a seguir o toque para ver se encontro o telemóvel (que acha que é o Wally) antes que a chamada entre no Voice Mail e eu pague alguma coisa desnecessariamente. Isto é o meu dia-a-dia no que toca a telecomunicações móveis. No entanto, a coisa que me surpreende mais nestas "coincidências" bizarras nem é a quantidade de coisas que perco e o mau timing quando as encontro, é sim o raio da razão pela qual o telemóvel toca! Já não basta tocar quando estou na casa-de-banho, quando estou a tomar banho ou sempre que não posso atender (e, regra geral, oiço os meus pais a mandar vir e a perguntar para que é que eu quero o telemóvel se nunca atendo), como ainda parece que telefona sempre a pessoa "errada" quando eu atendo. Acho que toda a população portuguesa que tem o meu número, menos o Ezequiel, se lembra de me telefonar/mandar toque/mandar sms exactamente no dia em que quero que o Ezequiel se lembre da minha existência e ele está incontactável. Fico contente a cada toque do bicho, apenas para desmoralizar quando leio o nome no visor. A verdade é que já sei que vou passar a semana seguinte a esbarrar com o Ezequiel.

É claro que também posso falar daquele comboio que chega sempre atrasado e nos deixa à seca, excepto naqueles dias em que nos atrasamos e ele resolve sair a horas. Ou naquele dia em que não levamos guarda-chuva porque "só vamos ali" e chove torrencialmente durante os 100 metros que nos separam da porta do carro. Claro está, assim que nos abrigamos (com o novo penteado "esparguete" e roupa encharcada a condizer), pára automaticamente de chover e cair granizo. Mas será que as pessoas, o tempo e os telemóveis fazem de propósito?.. Quem quer que esteja a "comandar" isto lá de cima, tem um sentido de humor muito apurado! Ai tem, tem!..

*(vénia ao W.)

quinta-feira, outubro 20, 2005

Um olhar com voz

Não gosto dos teus sentimentos por escrito.
"Sinto a tua falta" não diz nada se a tua mão não procurar a minha.
"Acho que gosto de ti" não é nada se eu não puder ver o brilho nos teus olhos.
"Apetece-me abraçar-te" não significa nada se não estás aqui a pôr uma mão por cima dos meus ombros e a encostares o meu corpo ao teu.

No entanto, gosto de poemas escritos e não gosto deles declamados. Quando os leio, sinto as coisas em mim e posso parar para reler as frases que me tocam mais. Mas não me interessa se és capaz de escrever sentimentos e depois não tens a coragem de mos confessar. Dá ideia que todas as palavras te assolam a ponta dos dedos assim que eu me vou embora. E um toque, um olhar, duas mãos a cruzarem-se.. vale tanto! Se não és capaz de me tocar, mostrar, dizer ou mesmo de sussurrar o que quer que seja, então eu não acredito no que tu me escreves.

O teu olhar vale as minhas sensações, uma mensagem no meu telemóvel não vale nada.

quarta-feira, outubro 12, 2005

Morreu antes de chegar aqui

Olhas para mim como se não fosse nada, como se eu continuasse a fazer parte da tua rotina. Eu não posso acreditar que estás aqui. Sorris e os meus olhos enchem-se de lágrimas.. o que é que estás aqui a fazer? Não acredito que voltaste aqui.. não acredito que estás a pedir-me para voltar. Será que não sentes que está diferente? Não está nada como estava.. eu não sinto o que sentia e tu também não. Não digas que tens saudades minhas, não digas que não consegues esquecer, não peças desculpa. Já passámos por isto tanta vez, não quero repetir esta noite. Esta noite não. Vai-te embora, por favor. Eu ainda não abri a boca, no entanto, esperar que leias a resposta no meu olhar está fora de questão. Nunca conseguiste relacionar-te comigo assim, nunca entendeste o que eu pensava em silêncio. Não entendo, depois de passarmos tanta coisa juntos, como é que agora parecemos dois estranhos. Não me sinto bem na tua presença, não me sinto à vontade. Talvez daqui a algum tempo, agora a tua presença dói-me. Não sei pôr isto de outra maneira, dói-me. Dói-me. Cada vez que oiço a tua voz, o meu corpo estremece e quer fugir para um sítio onde tu não estejas. Não vale a pena pedir desculpa.. de novo. Eu aguentei o que podia aguentar, tu aguentaste o que te pareceu bem. Não me faças chorar.. não esta noite. Tornas tudo tão difícil, nem me deixas tentar ficar com as memórias boas. Cada vez que sai uma palavra dos teus lábios, o meu cérebro turva um bom momento e o meu coração mata devagarinho o carinho que ainda tenho por ti.

Deixa-me ir, o amor morreu. Morreu algures no caminho que trilhámos até chegar aqui.

quarta-feira, setembro 28, 2005

Funcionários públicos: MEDO!!

Hoje estive 2 horas a "passear" entre a Segurança Social, as Finanças e a Conservatória. Eram só 16h e já me parecia que tinha tido um enorme e esgotante dia.. Aquilo até começou bem na Segurança Social porque a senha tinha um número baixo, é claro que o que queria não podia ser logo resolvido porque faltava um papel das finanças. Aproveitei para ir à Conservatória que ficava no caminho. Subi ao 3º piso, tirei uma senha e mandaram-me descer para o 2º piso. Tirei uma senha e quiseram que eu acreditasse que o meu problema só podia ser resolvido na parte da conservatória na Loja do Cidadão porque a conservatória em si não tinha os dados necessários. Sim, eu acredito mesmo que o computador na Loja do Cidadão consiga aceder a dados sobre um cliente que a conservatória em si não consegue! Bem, pelo menos acredito que ela não queria fazer nada de nada. Será que as funcionárias tiram prazer de estar sentadas à secretária, em frente ao monitor sem se mexerem e a olhar para nós com uma senha na mão? Será que das 6 pessoas na sala (eu era a única cliente), ninguém me podia atender excepto a única pessoa que estava ocupada a falar ao telefone?.. Deixem-me adivinhar: de manhã cedo tiram todos senhas e o número mais alto perde e tem que atender o pessoal??

Nem discuti e fui para a Loja do Cidadão porque tinha que ir lá de qualquer maneira. Fui até à zona da conservatória e descobri que o que eu queria nem podia ser tratado ali, mas sim na Conservatória da capital (!!), felizmente a moça tinha pouco de funcionária pública e deu-me um papel com a explicação detalhada de tudo o que tinha a fazer. Fiquei feliz por enviar um vale dos CTT de 16 euros, um papel a pedir uma certidão e ainda um envelope com a minha morada para receber a certidão de volta. Suponho que também podia escrever eu a certidão, não? Ou servir-lhes um cafézinho? Nas finanças foi outra piada.. tiro a senha, espero e peço as duas coisas que preciso. É claro que uma das coisas não pode ser naquelas Finanças, mas sim nas Finanças da freguesia ao lado.. Pelo menos um dos papeis eles têm, desde que eu tire uma senha da tesouraria e pague 4 euros, tire outra senha das Finanças e fique com a porra do papel para tirar uma senha e voltar esperar na fila da Segurança Social!!

Bem, a sério.. o Inferno existe e está nas repartições públicas, tenho dito.

terça-feira, julho 19, 2005

Tenho saudades tuas

Haverá coisa mais desconcertante para se dizer a alguém? Não sei como reagir a tanta sinceridade inesperada. Não sei como não perguntar: queres vir ter comigo agora? Não sei como explicar que as saudades vão continuar mês após mês e que raramente as posso atenuar, resta-me esperar e desejar que não morram lentamente em ti.

A saudade é tão típica do português, há quem a associe ao fado. Está bem patente no tuga, basta ver o orgulho com que os nossos emigrantes falam deste país (tirando os "jean pierres", mas pronto). Somos saudosistas de tantos modos que até custa descriminá-los! Eu tenho saudades de alguns olhares, tenho saudades de sorrisos, tenho saudades de certas emoções, tenho saudades de certos momentos, tenho saudades de coisas materias, pequenos luxos que me foram permitidos e que guardei dentro do meu coração para voltar a vê-los e vivê-los enquanto me apetecer. O pior é ter saudades da presença de outra pessoa. Pode até estar no quarto ao lado, mas temos saudades de alguém especial. Como é que apaziguamos o nosso cérebro quando necessita das palavras de alguém em concreto? Quando queremos sentir o ombro amigo daquela pessoa? Quando sabemos que a pessoa está longe de nós e que podemos até não a voltar a ver.. O que fazer? Como é que podemos sentir saudades de coisas tão fugazes como um cheiro particular, um brilho nos olhos, um sorriso de complacência, um abraço, o sabor da pele ou mesmo de te ver a correr para mim, pegar-te ao colo e brincar contigo cada vez que vem uma onda maior que te mete medo.

O meu cérebro fascina-me ao mesmo tempo que não me deixa sarar nada cá dentro. A verdade é que sou eu que me esforço por não cicatrizar porque tenho saudades tuas.

terça-feira, julho 12, 2005

Andas por aí..

Não te consigo encontrar, não sei porque foges de mim. Ocorreu-me agora mesmo que talvez não estejas a fugir de mim.. será que também não me consegues encontrar? Há dias em que penso que te vejo a cada esquina. Há meses em que nem me lembro de ti. Ao fim destes anos todos, acabei por te confundir com outras pessoas, talvez mais do que seria suposto. Mas estou a aprender, devagar. O meu mundo gira tão depressa, há cada vez mais coisas para fazer. Cada vez mais tenho menos tempo para te procurar e pensar em ti. Mas não me esqueci de como és.

Não me esqueci do brilho nos teus olhos que me rouba a atenção toda e o facto de não falares muito. Não esqueci aquele sentido de humor inteligente que só aparece nos momentos certos, seguido das palavras exactas. Manténs a cara séria, enquanto o resto esboça um sorriso sincero ou mesmo uma gargalhada. Sei que não és lindo de morrer porque é assim que eu quero, como um tesouro que só eu descobri. Sei que preciso do teu abraço todas as noites ao chegar a casa. Sei que somos água e azeite, tão diferentes como é possível imaginar. Costumas ter um ar sério e eu estou sempre a rir. Dizes sempre as coisas certas na altura certa, eu falo demais. Mas após nos conhecermos, não vai haver outra alternativa senão ficarmos juntos porque eu quero saber sempre mais de ti, conhecer-te cada vez melhor e, acima de tudo, crescer contigo. Eu sei que me esforço em ser uma pessoa melhor por ti. Por alguma razão, consigo ver-me através de ti, sei que conheces todos os meus defeitos, enalteces as minhas (parcas) qualidades e, mesmo assim, gostas de mim por quem eu sou. Fazes-me sentir bem por ser como sou. Eu gosto mais de mim quando estou contigo.

Só que ainda não te encontrei e, apesar de andar confusa de vez em quando, tenho a certeza que vou saber quem és assim que os nossos olhares se cruzarem. Não vai haver a mais pequena dúvida porque eu sempre soube quem eras.

quarta-feira, junho 08, 2005

Age of Empires e a minha vida

É estranho estar tanto tempo sem escrever, até porque eu adoro escrever. Ultimamente a minha vida deu numa volta de 1,99*pi radianos! Não sei bem como explicar porque no fundo continua tudo na mesma, mas o ambiente mudou completamente. (Não, não me casei). A verdade é que tenho tido poucas oportunidades para estar ao pé do computador e, quando estou, tenho que fazer tanta coisa que depois fico sem vontade de escrever. Durante o dia tenho tantas ideias e o teclado anda tão longe!

Lembro-me de comparar a vida à construção de puzzles (adoro puzzles). As peças só encaixam de certa maneira, temos que ter muita paciência para descobrir quais encaixam em quais e, comecemos da esquerda ou da direita, acabamos por atingir os nossos objectivos. No entanto (e tendo como mentora a Trinity), a verdade é que prefiro pensar que o final não está previamente escolhido e que as minhas escolham afectam o que eu quero ser (se bem que coisas como envelhecer, aprender a ler e fazer 4ª classe já estavam previstas, por assim dizer). Lembrei-me então de outra analogia: o jogo "Age of Empires"! Não é que ande a caçar veados enquanto espero que chegue a idade do sedentarismo (até porque tenho uma faceta nómada), mas aquela ideia de ter o mundo obscuro até eu avançar e começar a descobrir o mapa está muito bem pensada! O meu conhecimento global está às manchas e cheio de buracos negros porque eu não conheço imensas coisas. A verdade é que quanto mais conheço mais percebo que a parte negra é muito maior do que eu tinha imaginado! (O raio do grego tinha razão). Se eu passasse a minha vida enfiada dentro de uma aldeola e não conhecesse mais nada, provavelmente vivia feliz sem saber de nada que me fizesse sair da minha concha. Ia sentir-me feliz no senso comum do meu dia-a-dia e nunca ia entender a verdadeira extensão da minha ignorância. O problema é apercebermo-nos de como somos ignorantes, conhecer coisas novas que nunca tínhamos sequer imaginado que existiam (isto lembra-me que se vai realizar o primeiro campeonato de futebol para porcos - "pigball"). O meu mundo vai-se desvendando (se bem que a maior parte vai ficar às escuras) e eu vou aprendendo a deslocar-me nele e a tentar aprender mais coisas.

Pensar nisto tudo faz-me sentir estupidamente pequena. Lembro-me de alguém dizer que podíamos aproximar (por excesso) o número de galáxias ao número de grãos de areia que existem em todas as praias da Terra. Se todos esses grãos fossem galáxias, o nosso sistema solar já era estupidamente pequeno, mas a verdade é que a Terra (e nem quero comparar o meu tamanho com o do planeta) seria muito mais pequena do que um micróbio. Será que um micróbio tem esperança de média de vida suficiente para conhecer uma milésima fracção do grão de areia? Penso que é uma visão um bocadinho deprimente, portanto vou-me ficar pela visão do Hobbes: "a ignorância é uma benção!". (O problema é que o bichinho de querer saber sempre mais anda aí.. tan nan nan nan).

quarta-feira, junho 01, 2005

Crianças

"Um escultor manda vir um grande bloco de pedra e deita mãos ao trabalho. Uns meses mais tarde termina a escultura de um cavalo. Uma criança que o esteve a ver trabalhar pergunta-lhe então:
- Como sabias tu que havia um cavalo dentro da pedra?"

Incrível a maneira de pensar das crianças, não é? Tão simples, tão irresistivelmente lógica! São capazes de meter a um lado qualquer cientista de renome com as suas conclusões devastadoramente simples. Normalmente, a solução dos problemas tem tendência a ser algo fácil, como o ovo de Colombo! Arrisco-me a dizer que vêem a vida com olhos saudáveis, nós limitamo-nos a pôr óculos e a distorcer a nossa realidade, ano após ano, enquanto a nossa graduação aumenta. Felizmente, a doença é regressiva com o avançar dos anos, a graduação começa a diminuir e as coisas vão retomando aos seus respectivos lugares: as coisas importantes ficam mais perto e as coisas insignificantes afastam-se para a linha do horizonte (relembro que a linha do horizonte é uma linha imaginária).

Afastei-me um pouco do tema: as crianças. Há aquelas super mimadas, há aquelas super teimosas, há aquelas super chatas, há aquelas que parecem tomadas pelo diabo! No fundo, só há umas que crescem mais depressa do que outras porque, na sua maioria, crescem à imagem e semelhança dos pais. Uma criança não quer ter razão, é essa ingenuidade e humildade que lhes permite dizer o que pensam. Vêem apenas a vida tal como ela é e ainda a têm pintada por todo o carinho que as pessoas lhes dipensam. Abraçam sempre com força, riem com vontade, fazem caretas quando os obrigam a dar um beijinho às tias (eu ainda faço..) e não tentam disfarçar quando estão aborrecidas. Curiosamente, sabem o que está dentro delas e dos outros, podem não adivinhar o que está dentro de um bloco de pedra, mas compreendem o potencial do escultor. Será que nós nos apercebemos do potencial que está dentro de nós? Será que ainda temos e guardamos a "nossa" criança?

É bom "perder" tempo a ouvir e compreender quando uma criança tenta falar connosco. A visão dela é simples e lógica, cheia de imaginação, cheia de falta de razão, mas acima de tudo é uma realidade que também podia ser nossa. Suponho que o ponto fulcral da questão está em querermos ter razão, mesmo que para isso tenhamos que inventar uma coisa ou outra; ter razão faz-nos sentir importantes aos olhos dos outros. Porque é que temos medo de cair no ridículo? Porque é que temos medo de rir com vontade? Porque é que não rebolamos na relva, não andamos a correr à chuva, não fazemos nada das coisas mirabolantes que nos apetecem? Talvez por uma série de razões que acabam por não ter razão!

(O texto que transcrevi no início do post chama-se "Um segredo de escultor" e pode ser encontrado no livro "Tertúlia de Mentirosos" de Jean-Claude Carrière, da editora "teorema")

quarta-feira, maio 04, 2005

I'll be back!

Queria agradecer ao pessoal que tem vindo ao blog mas eu estou com um problema técnico (leia-se: ñ tenho Internet) e ñ posso actualizar o blog como eu queria. Assim que puder, volta tudo ao normal.. prometo! :)

Espero que, entretanto, ñ tenham fugido todos!

Um grande abraço e até breve (espero!)

segunda-feira, março 28, 2005

Achou que o último domingo foi curto?

Estou rabugenta!
Yeah, estou como os bébés e exactamente pela mesma razão que eles: sono! Felizmente não abro as goelas de uma maneira estridente (que é a única coisa que eles podem fazer). Estou quase de birra porque as férias acabaram. Quase de birra porque não tenho realmente nada a reclamar: estava sol, estive na praia, diverti-me imenso, fartei-me de passear e de sair à noite. Aliás, acho que estou de birra por causa da última saída à noite.
Tenho uma nova resolução de ano novo (vem atrasada e tal): sempre que mudar para a hora de Verão e eu tenha que acordar às 9:30 no dia seguinte para fazer uma viagem de carro de 500km, NÃO me vou deitar depois das 5 da manhã. Aqui está o ponto fulcral: como é que me roubam 1 hora num dia e eu não posso processar ninguém?! Este ano, como é que alguém que tenha nascido no dia 27 de Março à 1:30 festeja o aniversário à hora certa? Como é que não tenho direito a uma indemnização por ter um domingo que tem 23h? Sim, no Outono devolvem-me a hora em falta, mas é agora que tenho sono! Agora é que não tenho fome à hora das refeições, não tenho sono quando me deito (já era normal mas agora é crítico) e morro de sono quando acordo, com cara de quem acabou de se deitar. Andei o dia todo com os olhos semicerrados e com uma moleza incrível. Estou mole, sonolenta, rabugenta e isto tudo para acertar uns míseros 60 minutos. No ano passado demorei uma semana a habituar-me. Porque é que a hora não muda apenas no Verão? Eu não durmo nada no Verão, quero lá saber.. Agora nestes dias de chuva e frio, o que eu quero é uma manta, um sofá, as minhas horas de sono e a minha almofada! (Eu não durmo com almofada, mas achei que ficava bem). Isto de mudar a hora até é uma coisa à qual já devia estar habituada visto ser semestral. Mas a ideia continua a causar-me muita estranheza.

No dia 27, cheguei à zona dos bares à meia noite e tal. Depois de estar num bar durante 15 min, reparei que, tecnicamente, já lá estava há mais de uma hora. Mas que raio, ninguém acha isto esquisito? A música dos 50 cent durou uma hora e tal e ninguém deu por nada?
Agora não me venham dizer que gostam mais deste horário porque temos mais horas de dia e bla bla. Ora, as horas diurnas são as mesmas, quer eu acorde às 7 ou às 11 da manhã. Claro que temos mais horas com luz solar mas isso não é consequência da mudança da hora. Em Agosto temos menos horas "luminosas" do que em Julho e ninguém reclama disso. Tudo bem, mudamos a hora para não termos sol às 11 da noite ou para não acordarmos antes do sol nascer. Mas o meu corpo ressente-se sempre quando perco esta hora, é infalível. Como já seria de esperar, nem dou pela hora extra de Inverno. Fica uma questão: a hora muda aos domingos quê? Para nos habituarmos? Para não termos desculpa por chegarmos atrasados na 2ª feira já que a hora mudou no domingo?.. Mas quem é que está interessado em cumprir horários ao domingo?!

segunda-feira, março 21, 2005

E a desfilar na carpete vermelha: a Primavera!

O dia dos namorados (o "São Valentino") foi há relativamente pouco tempo (até podia mandar uma piada sobre a proximidade deste dia e do Carnaval: será pura coincidência?!). A sério que não tenho nada contra os namorados, só contra as decorações das lojas e aquelas cores de arraial minhoto. Mas pronto, toda a gente tem que ganhar a vida!

Hoje é o primeiro dia de Primavera e já se nota qualquer coisa no ar e na rua (sem ser a chuva): os casais de namorados aparecem a cada esquina. Até um casal que me é muito próximo e que se separou algures em Novembro, teve a feliz ideia de tentar novamente. No "Dia Valentino", as filhas foram para uma festa e ela ficou em casa sozinha. Ele apareceu de surpresa e chegou com uma lagosta, champanhe e um ramo de rosas que encheu 4 jarras! Quais ursinhos, qual quê! Lagosta e champanhe é que é falar a sério! He he
Entretanto já recebi dois convites para casamentos e o ano ainda mal começou.
No outro dia, dei por mim a reparar (pelo retrovisor) que o condutor do carro atrás de mim era mesmo muito engraçado! Não ando apaixonada e, actualmente, prefiro andar sem namorado. Tenho mais tempo para mim e, sei lá porquê, ando feliz da vida! (Será também efeito do ar fresco que se respira ultimamente?)
Estou na fase em que ainda descubro as maravilhas da palavra "curtir": sem obrigações, sem chatices e com o mesmo prazer! (Se calhar, devia ter ido para publicidade, que achas Maria da Lua? ;)

No baile de finalistas de 12º, ou seja, há 5 anos atrás, um rapaz qualquer embirrou que me queria conhecer. Só soube disto há uns 3 anos, mas a coisa piorou porque acabei por o conhecer por intermédio de outras pessoas e ele passava a vida a chatear-me para sairmos juntos, conhecermo-nos melhor, bla bla.. Ora bem, 5 anos soa a desespero? Acho que é ainda pior que isso: ele mete-me medo! Nunca saí com ele e faço os possíveis para não dar muita conversa, nunca o bloqueei no MSN ou IRC por causa dos amigos que temos em comum, mas são incontáveis as vezes que me deu vontade disso! E sim, sempre lhe disse claramente e com as palavras todas que NÃO queria sair e NÃO queria estar com ele. O problema é que ele apreciou a minha frontalidade! (É ironicamente irreal, eu sei!) Mas com a chegada destes dias mágicos, parece que (até) ele encontrou, de facto, alguém que quer estar com ele! Não faço ideia de quem é a moça (ou se realmente existe) e não posso deixar de pensar que ela não deve ser muito brilhante, mas quem quer que sejas: "Obrigada por apareceres! E já agora, porque é que demoraste tanto?!"

Pois bem, anda aí qualquer coisa no ar.. não sei o que é (as férias da Páscoa devem explicar qualquer coisa), mas a verdade é que parece tudo disposto a entrar na Primavera com um grande sorriso nos lábios! Eu acho bem, até porque o pessoal recentemente apaixonado anda mais tolerante, bem disposto, mais simpático, aluado e a rir sozinho enquanto anda na rua. Gosto, fazem o resto do pessoal sentir-se bem e fico a pensar que, afinal, as coisas importantes até andam bem de saúde! (Só falta o SCP ganhar hoje!)

Bem vindos à melhor estação do ano!

Nota: se tens um Clio Preto e se estiveste na sexta feira, por volta das 14h, parado ao semáforo na N259, avisa!!

terça-feira, março 15, 2005

Ciúme: a base de uma relação feliz

A inveja é um dos pecados mortais, o ciúme é primo. Porque é que será que o ciúme não é um pecado mortal? Porque é que nunca subiu de posto?
Não me lembro de ter sentido ciúmes de ninguém. A coisa mais parecida que sinto é quando vejo um rapaz por quem eu estou interessada dedicar-se a outra miúda qualquer. Mas isso nem é ciúme ou inveja, é mais sensação de derrota! Mas se o rapaz é meu namorado, ciúmes para quê? Ele já mostrou que gosta de mim, já assumimos um certo compromisso de exclusividade, vou andar armada em detective para quê?! A partir do momento em que não confio, não sou capaz de sentir a beleza do amor. Não consigo imaginar amor sem confiança.
Um amigo meu defende que o ciúme é muito importante numa relação. Acha que é a forma da namorada mostrar que gosta dele. Estive um tempo a discutir isto porque ele acha perfeitamente normal que a namorada investigue (constantemente) as sms e os telefonemas dele. (Isto é normal? Gostar de alguém acaba com o meu direito à privacidade?!) Melhor ainda, todas as amigas dele estão proibidas de lhe mandar sms ao sábado porque é o dia em que eles saem. Uma vez mandei-lhe uma sms num sábado (nunca mais me lembrei) e ele disse-me que tinha dito à namorada que eu era um gajo. Que bela relação! Ele mente-lhe porque tem amigas. No entanto, namoram há uma carrada de anos.

Tentei analisar porque é que não sinto ciúmes ou porque é que tenho necessidade de confiar na pessoa com quem estou. Acho que se mostrar que confio, estou a encorajar a pessoa a manter-se ao nível das minhas expectativas. Sinto que fazer um interrogatório só porque a Esmeraldina o convidou para lanchar, só serve para nos chatearmos. Mas cheguei à conclusão que ser assim não é normal e só me leva a situações caricatas!

1.Um namorado fez-me uma fita do caraças porque eu não lhe perguntava nada sobre as miúdas que lhe mandavam sms para o telemóvel (eu usava o telemóvel dele só mesmo para jogar porque o dele era Nokia e o meu era Siemens, não bisbilhotava as sms nem fazia ideia delas). Mesmo depois daquele disparate, continuei sem me preocupar porque era óbvio que ele queria que eu soubesse que ele me era fiel. Mas eu não preciso que me provem isso, parto do princípio que sim! Se é para ser infiel, não tem lógica estar comigo. Sempre achei muito estranhas as birras que ele fazia por eu não ter ciúmes e como passava a vida a dizer-me que isso o incomodava. Moral da história: acabámos e não sei como durou tanto tempo. Espero que ele tenha arranjado uma namorada bem ciumenta para o fazer feliz.

2.Depois desta experiência, achei que nunca mais ia conhecer ninguém que tivesse problemas por eu não ter ciúmes (a ignorância é uma benção!). Arranjei um daqueles rapazes que tem o mesmo efeito nas mulheres que uma montra em saldos. Ora bem, ele tinha tantas miúdas atrás dele que nem valia a pena preocupar-me, senão não tinha mais nada que fazer! Era eu uma moça pacata, feliz e contente, convencida que a vida era um mar de rosas quando recebo uma sms dele: "O concerto foi espectacular, não tens que te preocupar". O rapaz estava a uns 700km de mim, na borga com os amigos e eu não percebi a sms. Quando ele chegou, contou-me as peripécias do fim-de-semana, das miúdas e estava feliz da vida por me dizer que tinha sido fiel e que eu não tinha com que me preocupar! Comecei a ver a minha vida a andar para trás.. Outra vez?! Nãaaaaooo!!! Mas este teve um fim trágico-cómico: o outro fazia cenas e birras porque achava que eu não lhe ligava, este resolveu inventar que eu tinha um caso com outro gajo. Maravilhoso, o sr "tenho 1000 gajas atrás de mim" passou a achar que tudo o que eu escrevia ou dizia era uma mensagem codificada e conseguia inventar provas (nas coisas mais mirabolantes) de que eu o andava a trair. Até deixou de me falar para me dar tempo para ser sincera e para lhe confessar a traição. Será que ele achava que eu estava numa fase de negação?! Moral da história: acabámos porque ele nunca confiou em mim e eu desisti de pensar que ele alguma vez ia gostar de mim.

Agora, isto só me dá vontade de rir (para não chorar)! O meu amigo continua com a namorada dele e eu começo a achar que devia ser ciumenta! Parece-me que eles se queixam muito das namoradas ciumentas, mas no fundo, andam felizes da vida!

quinta-feira, março 10, 2005

Eu com um funil na cabeça

Saltei os degraus, de dois em dois, conforme subia até ao andar certo. Não sei se tornava a subida mais rápida ou mais lenta porque a minha cabeça fervilhava em contradições. Não sabia se queria descer ou se queria subir. Quer dizer, eu sabia que queria subir, o problema era depois quando tivesse que descer. Será melhor subir tudo e depois descer imenso ou subir até metade e só ter essa metade para descer? Nunca soube equacionar estas coisas. Arrisco. Neste caso, as minhas pernas continuaram a galgar os degraus. Dei por mim em frente à porta de madeira. Quer dizer, não é bem de madeira, acho que é daquelas que por dentro têm aquela estrutura sólida em ferro, mas o revestimento exterior é madeira. Não me lembro se os degraus que subi eram de madeira ou de pedra, mas de momento, estou petrificada à porta. Apetece-me fugir daqui! Mas não me mexo, nem sequer tento bater à porta. Não sei exactamente se devia cá estar. Incrível como os 30km parecem tão pouco em relação à distância entre minha mão e a campainha. Lembrei-me de uma situação semelhante, já há muitos anos. Nessa altura, não tive coragem de bater à porta, fiquei apenas a observá-la e depois fui-me embora. Suponho que ia ficar curiosa até hoje, se não fosse alguém a encorajar-me a ir de novo e, dessa segunda vez, entrei mesmo. Parece-me uma boa razão para tocar, não quero pensar "no que poderia ter sido" durante esta noite toda.

Cheia de coragem, levanto a mão até à campainha mas arrependo-me a meio. Tenho o braço estendido no ar e não sei o que fazer. O que é que vou dizer depois? Eu também não sei o que é que estou aqui a fazer! Enquanto penso nisto, tenho uma reacção involuntária e toco à campainha. A primeira coisa que me ocorre é fugir! Mas continuo parada, começo a rezar para que ninguém tenha ouvido a campainha. Pensando bem, até era melhor que alguém ouvisse e resolvia-se a situação de uma vez por todas. Começo a ouvir passos em direcção à porta e eu começo a andar para trás. Se calhar, o melhor era mesmo pirar-me! Abres a porta. Eu não sei o que dizer, pareces surpreendido, mas ao mesmo tempo, pareces feliz de me ver. Bem, suponho que esse sorriso me pode ajudar a esboçar um também. Só não sei bem o que estou cá a fazer, portanto, vou esperar que tu não me perguntes.

"Olá.. ! Por aqui? Então? Perdeste-te?!"

O teu bom humor sempre a salpicar o que dizes.. Pois claro, tinhas que perguntar, era óbvio que sim. A resposta é que não é assim tão óbvia, pelo menos, para mim não é. Como não tenho nada para responder, limito-me a encolher os ombros e a sorrir. Sim, já fiz das tripas coração (estes últimos minutos fizeram-me entender muito bem esta expressão) para chegar aqui, para estar aqui à tua frente. Estar a perguntar-me o porquê também já é pedir demais. Até és capaz de estar no teu direito, mas eu começo a sentir-me estúpida por aqui estar. Acho que reparaste no meu ar embaraçado e começaste a rir.. isso é bom, pelo menos alivia a tensão. Engraçado estar a olhar-te nos olhos, nestas situações costumo observar minuciosamente o chão. Aproximo-me de ti, o suficiente para poder sentir o teu cheiro. A situação está extremamente estranha e tenho pena que tenhamos parado de rir. Lembro-me da Maria Rueff e do Herman José a protagonizar uma cena de tensão sexual entre os "seus" alentejanos no saudoso Herman Enciclopédia. Acho que agora foi a primeira vez que desviei o meu olhar, mas pelo menos, serviu para pôr um sorriso novo na cara. Respiro fundo e aproximo-me ainda mais de ti. Deixo o meu nariz tocar no teu nariz e fecho os olhos devagar..

sexta-feira, março 04, 2005

Manual para gajos - Lição 3: "O lado lunar" (..por ser para ti, eu uso um eufemismo)

O que é que faz um grupo de gajos bêbedos? Atira bocas foleiras e faz-se às gajas, tenta dançar ou cantar. O que é que faz um grupo de gajas bêbedas? Atira bocas foleiras e faz-se aos gajos, tenta dançar ou cantar. Até aqui, tudo bem!

A diferença está no que acontece quando não há álcool envolvido. Este "pormenor" dos rapazes de serem capazes do melhor e do pior não me entra na cabeça. Quando um está sozinho (ou num grupo misto) comporta-se com uma pessoa "normal". O que acontece quando está num grupo só de gajos? Ora bem, do Dr. Jekyll passamos a ter o Mr. Hide! Só é pena que o nome não lhe faça justiça porque um grupo de rapazes faz tudo menos passar despercebido. Mas o que será que acontece à massa cinzenta dos rapazes quando estão juntos? Acontece algum fenónomeno físico que propicie uma tendência acéfala?!
Um grupo de gajos fala, basicamente, de três coisas: miudas, futebol e carros. E podem nem estar a falar de miudas até passar uma. Ela pode ter a cara de quem acabou de bater de frente contra uma parede, mas eles só se apercebem disso mais tarde ou nem se chegam a aperceber. Na zona para onde olham, está (quase) sempre tudo no sítio! "Ó boa", "Tudo bem??" ou aquele "Olá!!" com um sorriso rasgado e um ar de pateta escarrapachado. Na maior parte dos casos nem se mexem, apenas seguem o nosso percurso com a cabeça e não ficam minimamente aborrecidos por não lhe ligarmos nenhuma (até porque é isso que eles estão à espera).

Yeah, estão no gozo. Sim, estão a fazer-se de palhaços para fazer rir o grupo de amigos e sabem que têm lá mais uns para ajudar à festa. Sim, gostam de mostrar aos restantes que são eles que captam a atenção delas. Mas o que é que as miudas têm a ver com isso? Temos que assistir a estas cenas tristes todos os dias e não dizer nada porque é demasiado constrangedor ir na rua e dar conversa a palhaços? É assim, eu acredito que não façam por mal e apenas porque o resto do grupo se diverte. E até acredito que hajam miúdas que gostem. Mas a MAIORIA abomina. Eu sinto-me sempre mal. Até pode estar um dia lindo e eu estar muito alegre, mas se passar por uma cena dessas fico constrangida. Não gosto que me chamem aqueles nomes, nem gosto que me abordem na rua de maneira estúpida ou que estejam 5 gajos a olhar para mim, conforme eu passo, só porque naquele dia resolvi levar uma saia ou um top. Quer-se dizer, qualquer dia não visto o que gosto, mas visto qualquer coisa que me fique mal para ter a certeza que passo sossegada por um grupo de gajos, sem ter que aturar as piadinhas de mau gosto!?

É claro que o "clímax" deste comportamento encontra-se nas obras: os trolhas. Custa-me a acreditar que alguns deles sejam bons chefes de família (alguém deve ser!), tanto é o disparate que sai em tão pouco tempo!! É que nem é pela graça (apesar deles se rirem) mas porque chega a ser rude. Desconfio que 90% das raparigas respira fundo antes de passar numa obra ou passa para o outro lado da rua ou dá mesmo uma volta maior se puder poupar a humilhação de estar a andar e a ouvir bocas foleiras de todo o lado. Apetece imaginar que damos um pontapé aos andaimes, que aquela porcaria cai toda e eles nos vêm pedir desculpa pela falta de educação, um a um e de joelhos!! Ah.. ainda vou viver para ver uma destas!

Até lá.. eu sei que é muito giro mandar graçolas para o ar. Eu até acredito que fiquem embasbacados ao ver certas raparigas mas tentem evitar que a saliva escorra. Se não conseguirem, evitem as bocas foleiras. As miúdas apreciam os rapazes que se conseguem comportar normalmente, mesmo sem ser ao pé delas (a sério!). Acreditem que as possibilidades de engatar uma miuda é muito maior se sorrirem do que se mandarem bocas enquanto ela passa. Está claro que se a vossa ideia é ter a certeza que ela nunca mais quer olhar para a vossa cara, então força! Disparatem à vontade!!

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