quarta-feira, junho 08, 2005
Age of Empires e a minha vida
Lembro-me de comparar a vida à construção de puzzles (adoro puzzles). As peças só encaixam de certa maneira, temos que ter muita paciência para descobrir quais encaixam em quais e, comecemos da esquerda ou da direita, acabamos por atingir os nossos objectivos. No entanto (e tendo como mentora a Trinity), a verdade é que prefiro pensar que o final não está previamente escolhido e que as minhas escolham afectam o que eu quero ser (se bem que coisas como envelhecer, aprender a ler e fazer 4ª classe já estavam previstas, por assim dizer). Lembrei-me então de outra analogia: o jogo "Age of Empires"! Não é que ande a caçar veados enquanto espero que chegue a idade do sedentarismo (até porque tenho uma faceta nómada), mas aquela ideia de ter o mundo obscuro até eu avançar e começar a descobrir o mapa está muito bem pensada! O meu conhecimento global está às manchas e cheio de buracos negros porque eu não conheço imensas coisas. A verdade é que quanto mais conheço mais percebo que a parte negra é muito maior do que eu tinha imaginado! (O raio do grego tinha razão). Se eu passasse a minha vida enfiada dentro de uma aldeola e não conhecesse mais nada, provavelmente vivia feliz sem saber de nada que me fizesse sair da minha concha. Ia sentir-me feliz no senso comum do meu dia-a-dia e nunca ia entender a verdadeira extensão da minha ignorância. O problema é apercebermo-nos de como somos ignorantes, conhecer coisas novas que nunca tínhamos sequer imaginado que existiam (isto lembra-me que se vai realizar o primeiro campeonato de futebol para porcos - "pigball"). O meu mundo vai-se desvendando (se bem que a maior parte vai ficar às escuras) e eu vou aprendendo a deslocar-me nele e a tentar aprender mais coisas.
Pensar nisto tudo faz-me sentir estupidamente pequena. Lembro-me de alguém dizer que podíamos aproximar (por excesso) o número de galáxias ao número de grãos de areia que existem em todas as praias da Terra. Se todos esses grãos fossem galáxias, o nosso sistema solar já era estupidamente pequeno, mas a verdade é que a Terra (e nem quero comparar o meu tamanho com o do planeta) seria muito mais pequena do que um micróbio. Será que um micróbio tem esperança de média de vida suficiente para conhecer uma milésima fracção do grão de areia? Penso que é uma visão um bocadinho deprimente, portanto vou-me ficar pela visão do Hobbes: "a ignorância é uma benção!". (O problema é que o bichinho de querer saber sempre mais anda aí.. tan nan nan nan).
quarta-feira, junho 01, 2005
Crianças
- Como sabias tu que havia um cavalo dentro da pedra?"
Incrível a maneira de pensar das crianças, não é? Tão simples, tão irresistivelmente lógica! São capazes de meter a um lado qualquer cientista de renome com as suas conclusões devastadoramente simples. Normalmente, a solução dos problemas tem tendência a ser algo fácil, como o ovo de Colombo! Arrisco-me a dizer que vêem a vida com olhos saudáveis, nós limitamo-nos a pôr óculos e a distorcer a nossa realidade, ano após ano, enquanto a nossa graduação aumenta. Felizmente, a doença é regressiva com o avançar dos anos, a graduação começa a diminuir e as coisas vão retomando aos seus respectivos lugares: as coisas importantes ficam mais perto e as coisas insignificantes afastam-se para a linha do horizonte (relembro que a linha do horizonte é uma linha imaginária).
Afastei-me um pouco do tema: as crianças. Há aquelas super mimadas, há aquelas super teimosas, há aquelas super chatas, há aquelas que parecem tomadas pelo diabo! No fundo, só há umas que crescem mais depressa do que outras porque, na sua maioria, crescem à imagem e semelhança dos pais. Uma criança não quer ter razão, é essa ingenuidade e humildade que lhes permite dizer o que pensam. Vêem apenas a vida tal como ela é e ainda a têm pintada por todo o carinho que as pessoas lhes dipensam. Abraçam sempre com força, riem com vontade, fazem caretas quando os obrigam a dar um beijinho às tias (eu ainda faço..) e não tentam disfarçar quando estão aborrecidas. Curiosamente, sabem o que está dentro delas e dos outros, podem não adivinhar o que está dentro de um bloco de pedra, mas compreendem o potencial do escultor. Será que nós nos apercebemos do potencial que está dentro de nós? Será que ainda temos e guardamos a "nossa" criança?
É bom "perder" tempo a ouvir e compreender quando uma criança tenta falar connosco. A visão dela é simples e lógica, cheia de imaginação, cheia de falta de razão, mas acima de tudo é uma realidade que também podia ser nossa. Suponho que o ponto fulcral da questão está em querermos ter razão, mesmo que para isso tenhamos que inventar uma coisa ou outra; ter razão faz-nos sentir importantes aos olhos dos outros. Porque é que temos medo de cair no ridículo? Porque é que temos medo de rir com vontade? Porque é que não rebolamos na relva, não andamos a correr à chuva, não fazemos nada das coisas mirabolantes que nos apetecem? Talvez por uma série de razões que acabam por não ter razão!
(O texto que transcrevi no início do post chama-se "Um segredo de escultor" e pode ser encontrado no livro "Tertúlia de Mentirosos" de Jean-Claude Carrière, da editora "teorema")
quarta-feira, maio 04, 2005
I'll be back!
Espero que, entretanto, ñ tenham fugido todos!
Um grande abraço e até breve (espero!)
segunda-feira, março 28, 2005
Achou que o último domingo foi curto?
Yeah, estou como os bébés e exactamente pela mesma razão que eles: sono! Felizmente não abro as goelas de uma maneira estridente (que é a única coisa que eles podem fazer). Estou quase de birra porque as férias acabaram. Quase de birra porque não tenho realmente nada a reclamar: estava sol, estive na praia, diverti-me imenso, fartei-me de passear e de sair à noite. Aliás, acho que estou de birra por causa da última saída à noite.
Tenho uma nova resolução de ano novo (vem atrasada e tal): sempre que mudar para a hora de Verão e eu tenha que acordar às 9:30 no dia seguinte para fazer uma viagem de carro de 500km, NÃO me vou deitar depois das 5 da manhã. Aqui está o ponto fulcral: como é que me roubam 1 hora num dia e eu não posso processar ninguém?! Este ano, como é que alguém que tenha nascido no dia 27 de Março à 1:30 festeja o aniversário à hora certa? Como é que não tenho direito a uma indemnização por ter um domingo que tem 23h? Sim, no Outono devolvem-me a hora em falta, mas é agora que tenho sono! Agora é que não tenho fome à hora das refeições, não tenho sono quando me deito (já era normal mas agora é crítico) e morro de sono quando acordo, com cara de quem acabou de se deitar. Andei o dia todo com os olhos semicerrados e com uma moleza incrível. Estou mole, sonolenta, rabugenta e isto tudo para acertar uns míseros 60 minutos. No ano passado demorei uma semana a habituar-me. Porque é que a hora não muda apenas no Verão? Eu não durmo nada no Verão, quero lá saber.. Agora nestes dias de chuva e frio, o que eu quero é uma manta, um sofá, as minhas horas de sono e a minha almofada! (Eu não durmo com almofada, mas achei que ficava bem). Isto de mudar a hora até é uma coisa à qual já devia estar habituada visto ser semestral. Mas a ideia continua a causar-me muita estranheza.
No dia 27, cheguei à zona dos bares à meia noite e tal. Depois de estar num bar durante 15 min, reparei que, tecnicamente, já lá estava há mais de uma hora. Mas que raio, ninguém acha isto esquisito? A música dos 50 cent durou uma hora e tal e ninguém deu por nada?
Agora não me venham dizer que gostam mais deste horário porque temos mais horas de dia e bla bla. Ora, as horas diurnas são as mesmas, quer eu acorde às 7 ou às 11 da manhã. Claro que temos mais horas com luz solar mas isso não é consequência da mudança da hora. Em Agosto temos menos horas "luminosas" do que em Julho e ninguém reclama disso. Tudo bem, mudamos a hora para não termos sol às 11 da noite ou para não acordarmos antes do sol nascer. Mas o meu corpo ressente-se sempre quando perco esta hora, é infalível. Como já seria de esperar, nem dou pela hora extra de Inverno. Fica uma questão: a hora muda aos domingos quê? Para nos habituarmos? Para não termos desculpa por chegarmos atrasados na 2ª feira já que a hora mudou no domingo?.. Mas quem é que está interessado em cumprir horários ao domingo?!
segunda-feira, março 21, 2005
E a desfilar na carpete vermelha: a Primavera!
Hoje é o primeiro dia de Primavera e já se nota qualquer coisa no ar e na rua (sem ser a chuva): os casais de namorados aparecem a cada esquina. Até um casal que me é muito próximo e que se separou algures em Novembro, teve a feliz ideia de tentar novamente. No "Dia Valentino", as filhas foram para uma festa e ela ficou em casa sozinha. Ele apareceu de surpresa e chegou com uma lagosta, champanhe e um ramo de rosas que encheu 4 jarras! Quais ursinhos, qual quê! Lagosta e champanhe é que é falar a sério! He he
Entretanto já recebi dois convites para casamentos e o ano ainda mal começou.
No outro dia, dei por mim a reparar (pelo retrovisor) que o condutor do carro atrás de mim era mesmo muito engraçado! Não ando apaixonada e, actualmente, prefiro andar sem namorado. Tenho mais tempo para mim e, sei lá porquê, ando feliz da vida! (Será também efeito do ar fresco que se respira ultimamente?)
Estou na fase em que ainda descubro as maravilhas da palavra "curtir": sem obrigações, sem chatices e com o mesmo prazer! (Se calhar, devia ter ido para publicidade, que achas Maria da Lua? ;)
No baile de finalistas de 12º, ou seja, há 5 anos atrás, um rapaz qualquer embirrou que me queria conhecer. Só soube disto há uns 3 anos, mas a coisa piorou porque acabei por o conhecer por intermédio de outras pessoas e ele passava a vida a chatear-me para sairmos juntos, conhecermo-nos melhor, bla bla.. Ora bem, 5 anos soa a desespero? Acho que é ainda pior que isso: ele mete-me medo! Nunca saí com ele e faço os possíveis para não dar muita conversa, nunca o bloqueei no MSN ou IRC por causa dos amigos que temos em comum, mas são incontáveis as vezes que me deu vontade disso! E sim, sempre lhe disse claramente e com as palavras todas que NÃO queria sair e NÃO queria estar com ele. O problema é que ele apreciou a minha frontalidade! (É ironicamente irreal, eu sei!) Mas com a chegada destes dias mágicos, parece que (até) ele encontrou, de facto, alguém que quer estar com ele! Não faço ideia de quem é a moça (ou se realmente existe) e não posso deixar de pensar que ela não deve ser muito brilhante, mas quem quer que sejas: "Obrigada por apareceres! E já agora, porque é que demoraste tanto?!"
Pois bem, anda aí qualquer coisa no ar.. não sei o que é (as férias da Páscoa devem explicar qualquer coisa), mas a verdade é que parece tudo disposto a entrar na Primavera com um grande sorriso nos lábios! Eu acho bem, até porque o pessoal recentemente apaixonado anda mais tolerante, bem disposto, mais simpático, aluado e a rir sozinho enquanto anda na rua. Gosto, fazem o resto do pessoal sentir-se bem e fico a pensar que, afinal, as coisas importantes até andam bem de saúde! (Só falta o SCP ganhar hoje!)
Bem vindos à melhor estação do ano!
Nota: se tens um Clio Preto e se estiveste na sexta feira, por volta das 14h, parado ao semáforo na N259, avisa!!
terça-feira, março 15, 2005
Ciúme: a base de uma relação feliz
Não me lembro de ter sentido ciúmes de ninguém. A coisa mais parecida que sinto é quando vejo um rapaz por quem eu estou interessada dedicar-se a outra miúda qualquer. Mas isso nem é ciúme ou inveja, é mais sensação de derrota! Mas se o rapaz é meu namorado, ciúmes para quê? Ele já mostrou que gosta de mim, já assumimos um certo compromisso de exclusividade, vou andar armada em detective para quê?! A partir do momento em que não confio, não sou capaz de sentir a beleza do amor. Não consigo imaginar amor sem confiança.
Um amigo meu defende que o ciúme é muito importante numa relação. Acha que é a forma da namorada mostrar que gosta dele. Estive um tempo a discutir isto porque ele acha perfeitamente normal que a namorada investigue (constantemente) as sms e os telefonemas dele. (Isto é normal? Gostar de alguém acaba com o meu direito à privacidade?!) Melhor ainda, todas as amigas dele estão proibidas de lhe mandar sms ao sábado porque é o dia em que eles saem. Uma vez mandei-lhe uma sms num sábado (nunca mais me lembrei) e ele disse-me que tinha dito à namorada que eu era um gajo. Que bela relação! Ele mente-lhe porque tem amigas. No entanto, namoram há uma carrada de anos.
Tentei analisar porque é que não sinto ciúmes ou porque é que tenho necessidade de confiar na pessoa com quem estou. Acho que se mostrar que confio, estou a encorajar a pessoa a manter-se ao nível das minhas expectativas. Sinto que fazer um interrogatório só porque a Esmeraldina o convidou para lanchar, só serve para nos chatearmos. Mas cheguei à conclusão que ser assim não é normal e só me leva a situações caricatas!
1.Um namorado fez-me uma fita do caraças porque eu não lhe perguntava nada sobre as miúdas que lhe mandavam sms para o telemóvel (eu usava o telemóvel dele só mesmo para jogar porque o dele era Nokia e o meu era Siemens, não bisbilhotava as sms nem fazia ideia delas). Mesmo depois daquele disparate, continuei sem me preocupar porque era óbvio que ele queria que eu soubesse que ele me era fiel. Mas eu não preciso que me provem isso, parto do princípio que sim! Se é para ser infiel, não tem lógica estar comigo. Sempre achei muito estranhas as birras que ele fazia por eu não ter ciúmes e como passava a vida a dizer-me que isso o incomodava. Moral da história: acabámos e não sei como durou tanto tempo. Espero que ele tenha arranjado uma namorada bem ciumenta para o fazer feliz.
2.Depois desta experiência, achei que nunca mais ia conhecer ninguém que tivesse problemas por eu não ter ciúmes (a ignorância é uma benção!). Arranjei um daqueles rapazes que tem o mesmo efeito nas mulheres que uma montra em saldos. Ora bem, ele tinha tantas miúdas atrás dele que nem valia a pena preocupar-me, senão não tinha mais nada que fazer! Era eu uma moça pacata, feliz e contente, convencida que a vida era um mar de rosas quando recebo uma sms dele: "O concerto foi espectacular, não tens que te preocupar". O rapaz estava a uns 700km de mim, na borga com os amigos e eu não percebi a sms. Quando ele chegou, contou-me as peripécias do fim-de-semana, das miúdas e estava feliz da vida por me dizer que tinha sido fiel e que eu não tinha com que me preocupar! Comecei a ver a minha vida a andar para trás.. Outra vez?! Nãaaaaooo!!! Mas este teve um fim trágico-cómico: o outro fazia cenas e birras porque achava que eu não lhe ligava, este resolveu inventar que eu tinha um caso com outro gajo. Maravilhoso, o sr "tenho 1000 gajas atrás de mim" passou a achar que tudo o que eu escrevia ou dizia era uma mensagem codificada e conseguia inventar provas (nas coisas mais mirabolantes) de que eu o andava a trair. Até deixou de me falar para me dar tempo para ser sincera e para lhe confessar a traição. Será que ele achava que eu estava numa fase de negação?! Moral da história: acabámos porque ele nunca confiou em mim e eu desisti de pensar que ele alguma vez ia gostar de mim.
Agora, isto só me dá vontade de rir (para não chorar)! O meu amigo continua com a namorada dele e eu começo a achar que devia ser ciumenta! Parece-me que eles se queixam muito das namoradas ciumentas, mas no fundo, andam felizes da vida!
quinta-feira, março 10, 2005
Eu com um funil na cabeça
Cheia de coragem, levanto a mão até à campainha mas arrependo-me a meio. Tenho o braço estendido no ar e não sei o que fazer. O que é que vou dizer depois? Eu também não sei o que é que estou aqui a fazer! Enquanto penso nisto, tenho uma reacção involuntária e toco à campainha. A primeira coisa que me ocorre é fugir! Mas continuo parada, começo a rezar para que ninguém tenha ouvido a campainha. Pensando bem, até era melhor que alguém ouvisse e resolvia-se a situação de uma vez por todas. Começo a ouvir passos em direcção à porta e eu começo a andar para trás. Se calhar, o melhor era mesmo pirar-me! Abres a porta. Eu não sei o que dizer, pareces surpreendido, mas ao mesmo tempo, pareces feliz de me ver. Bem, suponho que esse sorriso me pode ajudar a esboçar um também. Só não sei bem o que estou cá a fazer, portanto, vou esperar que tu não me perguntes.
"Olá.. ! Por aqui? Então? Perdeste-te?!"
O teu bom humor sempre a salpicar o que dizes.. Pois claro, tinhas que perguntar, era óbvio que sim. A resposta é que não é assim tão óbvia, pelo menos, para mim não é. Como não tenho nada para responder, limito-me a encolher os ombros e a sorrir. Sim, já fiz das tripas coração (estes últimos minutos fizeram-me entender muito bem esta expressão) para chegar aqui, para estar aqui à tua frente. Estar a perguntar-me o porquê também já é pedir demais. Até és capaz de estar no teu direito, mas eu começo a sentir-me estúpida por aqui estar. Acho que reparaste no meu ar embaraçado e começaste a rir.. isso é bom, pelo menos alivia a tensão. Engraçado estar a olhar-te nos olhos, nestas situações costumo observar minuciosamente o chão. Aproximo-me de ti, o suficiente para poder sentir o teu cheiro. A situação está extremamente estranha e tenho pena que tenhamos parado de rir. Lembro-me da Maria Rueff e do Herman José a protagonizar uma cena de tensão sexual entre os "seus" alentejanos no saudoso Herman Enciclopédia. Acho que agora foi a primeira vez que desviei o meu olhar, mas pelo menos, serviu para pôr um sorriso novo na cara. Respiro fundo e aproximo-me ainda mais de ti. Deixo o meu nariz tocar no teu nariz e fecho os olhos devagar..
sexta-feira, março 04, 2005
Manual para gajos - Lição 3: "O lado lunar" (..por ser para ti, eu uso um eufemismo)
A diferença está no que acontece quando não há álcool envolvido. Este "pormenor" dos rapazes de serem capazes do melhor e do pior não me entra na cabeça. Quando um está sozinho (ou num grupo misto) comporta-se com uma pessoa "normal". O que acontece quando está num grupo só de gajos? Ora bem, do Dr. Jekyll passamos a ter o Mr. Hide! Só é pena que o nome não lhe faça justiça porque um grupo de rapazes faz tudo menos passar despercebido. Mas o que será que acontece à massa cinzenta dos rapazes quando estão juntos? Acontece algum fenónomeno físico que propicie uma tendência acéfala?!
Um grupo de gajos fala, basicamente, de três coisas: miudas, futebol e carros. E podem nem estar a falar de miudas até passar uma. Ela pode ter a cara de quem acabou de bater de frente contra uma parede, mas eles só se apercebem disso mais tarde ou nem se chegam a aperceber. Na zona para onde olham, está (quase) sempre tudo no sítio! "Ó boa", "Tudo bem??" ou aquele "Olá!!" com um sorriso rasgado e um ar de pateta escarrapachado. Na maior parte dos casos nem se mexem, apenas seguem o nosso percurso com a cabeça e não ficam minimamente aborrecidos por não lhe ligarmos nenhuma (até porque é isso que eles estão à espera).
Yeah, estão no gozo. Sim, estão a fazer-se de palhaços para fazer rir o grupo de amigos e sabem que têm lá mais uns para ajudar à festa. Sim, gostam de mostrar aos restantes que são eles que captam a atenção delas. Mas o que é que as miudas têm a ver com isso? Temos que assistir a estas cenas tristes todos os dias e não dizer nada porque é demasiado constrangedor ir na rua e dar conversa a palhaços? É assim, eu acredito que não façam por mal e apenas porque o resto do grupo se diverte. E até acredito que hajam miúdas que gostem. Mas a MAIORIA abomina. Eu sinto-me sempre mal. Até pode estar um dia lindo e eu estar muito alegre, mas se passar por uma cena dessas fico constrangida. Não gosto que me chamem aqueles nomes, nem gosto que me abordem na rua de maneira estúpida ou que estejam 5 gajos a olhar para mim, conforme eu passo, só porque naquele dia resolvi levar uma saia ou um top. Quer-se dizer, qualquer dia não visto o que gosto, mas visto qualquer coisa que me fique mal para ter a certeza que passo sossegada por um grupo de gajos, sem ter que aturar as piadinhas de mau gosto!?
É claro que o "clímax" deste comportamento encontra-se nas obras: os trolhas. Custa-me a acreditar que alguns deles sejam bons chefes de família (alguém deve ser!), tanto é o disparate que sai em tão pouco tempo!! É que nem é pela graça (apesar deles se rirem) mas porque chega a ser rude. Desconfio que 90% das raparigas respira fundo antes de passar numa obra ou passa para o outro lado da rua ou dá mesmo uma volta maior se puder poupar a humilhação de estar a andar e a ouvir bocas foleiras de todo o lado. Apetece imaginar que damos um pontapé aos andaimes, que aquela porcaria cai toda e eles nos vêm pedir desculpa pela falta de educação, um a um e de joelhos!! Ah.. ainda vou viver para ver uma destas!
Até lá.. eu sei que é muito giro mandar graçolas para o ar. Eu até acredito que fiquem embasbacados ao ver certas raparigas mas tentem evitar que a saliva escorra. Se não conseguirem, evitem as bocas foleiras. As miúdas apreciam os rapazes que se conseguem comportar normalmente, mesmo sem ser ao pé delas (a sério!). Acreditem que as possibilidades de engatar uma miuda é muito maior se sorrirem do que se mandarem bocas enquanto ela passa. Está claro que se a vossa ideia é ter a certeza que ela nunca mais quer olhar para a vossa cara, então força! Disparatem à vontade!!
(Para mais deste gato 5 estrelas, é favor ir aqui)
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
Porque é que o errado nunca é o certo?
Para começar, temos aquele rapaz que gosta mesmo de nós e nos trata super bem. Sabemos que se acabarmos com ele, vamos torná-lo miseravelmente infeliz. É o rapaz certo, o sr. Perfeito. É super atencioso e manda mensagens diárias a dizer que tem saudades nossas, é sempre ele que telefona, quer estar connosco todos os dias, é carinhoso, preocupa-se a sério, sabe do que gostamos, sabe do que não gostamos, faz os possíveis para nos ouvir, dá-nos razão e deixa de fazer coisas que gosta para estar connosco.. conhece-nos tão bem e ao mesmo tempo conhece-nos tão mal! Não percebe que, apesar de ser tudo aquilo que alguma vez desejámos, torna-se monótono. A relação em si chateia, não dá luta! É verdade que temos necessidade de ter alguém que goste verdadeiramente de nós, que nos dê a certeza que vai estar lá quando as coisas correrem mal. Mas aborrece na mesma. Ao fim de alguns uns meses, já não podemos ouvi-lo dizer que sente a nossa falta. A maneira de falar, o tom da voz ou algum tique mais estranho enerva-nos. Já não apetece estar com ele e inventamos 1001 desculpas para nos rasparmos. Sentimo-nos super mal por estar a magoar o nosso sr. Adorável, mas a verdade é que já não há pachorra! Já não sentimos nada por ele e não queremos ficar com um tique nervoso cada vez que o vemos à nossa frente! Como é que o rapaz dos nossos sonhos é entediante? Como é que ele não nos atrai? Porque é que lhe respondemos mal sem necessidade nenhuma? Porque é que ele nos perdoa sempre com tanta facilidade e, em vez de nos sentirmos felizes por isso, sentimo-nos mal? E acima de tudo: porque é que os beijos dele não sabem a nada?..
Depois temos aquele rapaz que, logo para começar "bem", tem uma fila de 300 miúdas atrás dele. Eu não gosto de filas, mas caio na asneira de gostar quando me deixam passar à frente.. Pode nem ser muito inteligente, mas é bem humorado e cativante! É alguém que sabe atrair e tornar-se interessante com o desenrolar da conversa. Normalmente tem qualquer coisa física que nos atrai, pode nem ser bonito, mas tem qualquer coisa que nos prende o olhar. É o rapaz errado, o bad boy. Faz-nos lutar por ele e deixa-nos gozar a vitória, mas sabe manter a distância e liberdade certas para que continuemos atraídas, preocupadas e interessadas. Passa dias sem dizer nada e não se preocupa com isso. Não nos conhece verdadeiramente e é incapaz de dizer qual é o nosso livro/filme favorito. No entanto, atrai-nos de uma maneira fenomenal! Está sempre no local errado e à hora errada (no país onde fomos passar 2 semanas de férias ou na terra da tia que mora no cú de Judas e sabemos sempre que, a dado ponto, temos que nos separar). Não quer nenhuma relação séria, mas nós também sabemos isso à partida, estamos todos a par das regras do jogo. No entanto, tem qualquer coisa que nos faz não querer ir embora. Temos a certeza que não é a pessoa certa para nós, mas estar com a errada é demasiado bom!.. Os beijos são apaixonados, parece que o desejo anda sempre no ar e não pára de crescer. Aliás, convencemo-nos que não sentimos absolutamente nada pelo dito cujo até ele entrar na sala, em câmara lenta. Não há monotonia e até podem existir discussões. Sabemos que ele sobrevive sem nós e nós sem ele, mas a atracção mútua é difícil de disfarçar e de suportar! Além disso, depois de ultrapassadas as barreiras iniciais, o reencontro é sempre apaixonadamente explosivo..
Se o sr. Errado nos convidar para fugir com ele para a Conchichina, nós aceitamos numa fracção de segundo, sem pensar em mais nada a não ser que vamos recordar aquela semana para o resto da nossa vida. Se o sr. Certo nos pede para ir jantar fora e conhecer os pais dele, a nossa agenda enche subitamente. Melhor ainda, começamos a evitá-lo porque, em boa verdade, não sentimos nada de especial por ele. Aquela paixão? Desejo ardente de estarmos sozinhos? Aquela vontade de sentir o cheiro da outra pessoa, senti-la encostada ao nosso corpo?..
Mas porque é que os errados nunca se transformam nos certos?!
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Folha em branco
Desenterro os dois pés e levanto-me. Entro dentro de água, brinco e salto.. como faço sempre. Pareço uma miúda pequena mas dá-me gozo estar dentro de água, horóscopos à parte, este é que é o meu elemento! Salpico a roupa, molho-me e, com algum custo, lá me lembro do que vim cá fazer. Saio da água, volto para a areia e retiro a pulseira do pé. Tiro-a com muito cuidado, não sei porquê. Estava já com um certo balanço para a atirar quando me lembrei que as ondas podiam trazê-la de volta. Entrei na água, de novo, e caminhei até ter água pelo joelho. Dobrei-me e abri uma cova no fundo, entre as conchas partidas e os caranguejos. Deixei a pulseira a repousar dentro da cova e tapei-a. Saí da água e não voltei a olhar para trás, não queria memorizar o local exacto onde estava. Só sabia que tinha que ser ali para se juntar à tua. Era demasiado lógico para mim, não tinha sentido mantê-las separadas.
E a folha continua em branco...
sábado, janeiro 29, 2005
Aquele vai não vai
Acho piada àquela troca de olhares inicial. E se os olhares se cruzam, gosto do sorriso envergonhado que vem a seguir. Parece que no meio de um grupo de 10 pessoas, e apesar de estarmos a ouvir umas 3 a falar, o nosso corpo está concentrado numa só e espreitamos pelo canto do olho para ver se essa pessoa nos está a dedicar a mesma atenção de esguelha. Gosto deste flirt e deste tipo de sedução ainda a apalpar terreno! Esta fase costuma culminar numa conversa onde cada um espelha o melhor de si (o outro tem tempo para descobrir as partes chatas!) e onde a atenção toma níveis espantosos: ver como o outro se veste, como põe o cabelo para trás, como ri, o estilo de música que ouve, se lê, o feitio do nariz.. e no meio disto tudo, ainda estamos a absorver cada palavra para dar a impressão que estamos interessadíssimos (ele esteve a 10m do Carlos Sousa!) e que somos inteligentes o suficiente para falar do assunto! (Quem quer que seja o Carlos Sousa, acenamos que "sim" com a cabeça, vale tudo!)
Ao fim de algum tempo de saídas em grupo com muita gente a empatar (mas como óptima desculpa para se verem), lá se observam mutuamente. É uma facada pelas costas ver que a Marisabel se sentou ao colo do dito cujo: "Será que ele está interessado nela?". Passados 5 min já é qualquer coisa do estilo: "mas como é que eu não vi logo que ele estava interessado nela? Sou mesmo burra!". Passados outros 5 min, a Marisabel levanta-se e o rapaz até se aproxima de nós.. disparam as perguntas retóricas: "Será?...". E de novo, os sonhos reagrupam-se a uma velocidade estrondosa, apesar de há 1 min atrás termos visto o filme todo do que seria o casamento da Marisabel com o nosso objecto de adoração. O tempo passa, as certezas passam a dúvidas em fracções de segundo e as lágrimas passam a sorrisos em muito menos! (E vice-versa)
Finalmente, alguém ganha coragem para marcar um encontro.. a sós! (Mesmo que diga que também convidou o Zé e o António que, à última hora, não puderam ir!). O estômago parece não dar tréguas (há quem diga temos borboletas no estômago, mas quais borboletas?? A mim só me dá vontade de ir ao grego!!). As horas passam penosamente lentas enquanto não chega a hora do encontro. O cabelo escolheu o dia ideal para estar cheio de jeitos! A roupa.. mas será que nada fica bem? As olheiras, a ansiedade.. só bom aspecto! Finalmente, eis que se encontram. Muitos risos parvos e pouca conversa coerente de onde se destacam: "tudo bem?", "sim e contigo?", "também", "ah, fixe", "hum", "ur", "er", "hem".. Tudo isto selado com uns sorrisos sinceros, uns olhares que dizem tudo a alguém que passe a ver, mas (desgraçadamente) não dizem nada ao cegueta ao nosso lado! Cada movimento é pensado, o segundo em que vamos buscar pipocas (para ver se dá para roçar na mão dele), uma leve inclinação do pescoço em direcção ao ombro dele, as mãos postas bem à vista para quem quiser agarrar.. Às vezes estão tão perto que parece que só falta mesmo alguém tropeçar, bater num deles e resolver a questão! Há aqueles que se resolvem em 5 min.. e há aqueles que têm infinitos encontros e nunca mais se resolvem. Aqueles que gostam mesmo da outra pessoa têm medo de estar a interpretar mal e arruinar uma amizade que prezam imenso! Curioso é também o facto de massacrarmos os amigos a toda a hora com "vês? Ele não gosta de mim, não me liga nenhuma, não me dá sinal nenhum.. o que é que eu faço? Mas achas mesmo que ele está interessado em mim?!"..
Não sei.. gosto imenso desta quebra da monotonia, estar um dia cheia de convicção: “ele gosta mesmo!” E estar no outro dia completamente arrasada porque ele se sentou, de novo, ao lado da Marisabel! Correr para o telemóvel a rezar que o toque ou a mensagem seja dele, ficar à espera da resposta ao toque que acabámos de lhe dar e achar que ele está na cama com outra qualquer se o toque não chega nos 3 segundos seguintes!
"Amar alguém não é estupidez, estupidez é pensar que a outra pessoa também nos ama!"
sábado, janeiro 22, 2005
Tugas e pseudo-estrangeiros
No entanto, há coisas nos meus compatriotas que eu não compreendo e custa-me imenso a tentar entender! Não vou falar daquela unha do dedo mindinho com um tamanho escandaloso, do facto de ninguém fazer piscas, do facto dos alfacinhas decorarem o tempo que demora a ficar verde nos semáforos, dos meus avós irem a um restaurante e só pedirem bacalhau, nem mesmo daquela coisa tétrica, que eu nunca vou perceber na vida, que é parar para ver acidentes. Lembro-me de estar a chover imenso e haver um acidente na IP5 (para variar). O acidente foi numa ponte e a polícia cortou a estrada. Pois foi ver uma multidão a sair dos carros para ir ver.. ver o quê?! Se tinha morrido alguém? Qual o modelo irreconhecível do carro? Para aparecer na TVI? Para quê?! (E claro, levavam as criancinhas por arrasto porque convém que elas vejam estas coisas, para cada vez menos saberem que a imagem de uma pessoa morta e desfigurada não é uma cena banal). Li não sei onde como é que se podia logo saber que as torres que caíram no 11 de Setembro não eram portuguesas: repararam que o pessoal estava a fugir? Se fosse em Portugal, a manada corria no outro sentido..
Sem querer ser xenófoba (até porque há sempre excepções), embirro imenso com emigrantes franceses. Dá-me ideia que qualquer português que vá uma semana para França, esquece como é que se fala português. Todos os anos em Agosto somos novamente invadidos.. mas pelo menos Napoleão sabia falar francês! É fácil ver quem são: nos supermercados falam com as caixas em "portucês": "Num me sabe dirre unde é la plage?", qualquer açoriano passava mais depressa por francês do que estas aves! E depois têm aquela particularidade de apenas falar português quando estão furiosos: "João Emanuel, já te disse 1000x para estares quieto!". Sou incapaz de dizer quantas pessoas já me contaram histórias destas. Alguns voltam para Portugal, trazem os seus filhos com dupla nacionalidade e uns nomes belíssimos.. Será que não têm pena dos filhos? Ok, se calhar na França a única música portuguesa que passa é das Claudisabeis, Claudias Marisas, Anas Micaelas, Marianas Vanessas.. mas tentem ter um pingo de bom gosto. Não guiam o carro durante o ano inteiro e vêm para cá com o seu jeito domingueiro, de crucifixo no retrovisor, semear acidentes pelas estradas (já de si em mau estado). Nós temos imensos acidentes em Portugal, mas no Verão a coisa torna-se caótica! E o 13 de Agosto? Ainda bem que não moro para os lados de Fátima! Aquela gente só pode mesmo agradecer à nossa Sra. de Fátima, da maneira como conduz, chegar são e salvo ao santuário é mesmo um milagre!
Também me chateiam aqueles portugueses que acham que sabem falar as línguas todas e não sabem dizer nada. Uma vez, estava num grupo em Espanha e queríamos comprar uns comprimidos quaisquer. O cromo do grupo ofereceu-se para perguntar onde havia uma farmácia. Chegou-se ao pé de um espanhol e perguntou (num português mal enrolado): "puede mi dizer onde é la farmacía?" e o espanhol não percebeu. Quando chegámos ao pé do senhor, pedimos por uma farmácia, devagar, em português. Ele voltou-se satisfeito: "ah, farmácia!" e deu-nos as indicações necessárias. Suspiro, há cada um mais triste!!
Não se pode agradar a gregos e troianos, não é? Ah.. já disse que adoro ser portuguesa?! ;)
quarta-feira, janeiro 05, 2005
Já em 2005?!
No domingo achava que não devíamos viver dias tão bons, depois ficamos com um melão de todo o tamanho quando estes dias acabam!
Adorei ver o nascer-do-sol, adorei estar na praia e a garrafa de champanhe de 2 euros não abrir, adorei estar salpicada da água do mar enquanto jogavam à bola, ter uma sorte brutal a jogar às cartas, adorei tentar perceber se acordava de noite ou se era mesmo hora de jantar, adorei jogar, conversar e desconversar, adorei não dormir, adorei ter toda a gente lá em casa e termos conseguido limpar aquilo, foi a melhor passagem de ano de sempre, sei que entrei em 2005 com dois pés direitos (lol) mas estou mesmo triste por ter passado. Porque é que o meu subconsciente não me dá tréguas? Já quanto à música que tocava nos bares, quer-se dizer.. "O-Zone" tem que ser a primeira coisa que eu tenho que ouvir no novo ano?! "Clementina de Jesus"? "Estou na lua"? "Amanhã de manhã"? Ó meuz amigoz, é que não havia nexexidade nenhuma!!! Melhor mesmo foi descobrir os chapéus, as plumas e ligar o rádio!
Já combinámos repetir mas estas coisas enfim, já se sabe que as intenções são boas, o problema é a concretização!
Para toda a gente que lá esteve e para todos os meus amigos (que nem fazem ideia que sou eu que escrevo estas barbaridades porque eu nunca assumi), muito obrigada por me terem proporcionado um ano de 2004 simplesmente excelente, que eu não queria que acabasse. Infelizmente acabou mas acabou mesmo em grande! Agora só queria que 2005 tivesse metade das sensações e coisas boas que tive em 2004.
Um óptimo ano para toda a gente!!
(E desculpem o atraso mas ainda estou a acordar!)
PS: Mr. P ou escreves alguma coisa aqui ou eu prometo que meto aquela fotografia dourada da passagem de ano, estamos entendidos?? lolol
sábado, dezembro 25, 2004
Wonderful World
I see them bloom for me and you
And I think to myself what a wonderful world.
I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself what a wonderful world.
The colors of the rainbow so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands saying how do you do
They're really saying I love you.
I hear babies crying, I watch them grow
They'll learn much more than I'll never know
And I think to myself what a wonderful world
Yes I think to myself what a wonderful world"
Oh, yeah... Adoro a frase "The dark sacred night". Sinto-me feliz.
Feliz Natal!!!
quarta-feira, dezembro 22, 2004
Steamy windows
A primeira que imaginei foi uma janela grande (daquelas de sala de estar) embaciada pela respiração de muitas pessoas do lado de dentro, como numa festa de Natal. Uma árvore de Natal encostada ao lado direito da janela, assim com luzes a piscar (luzes brancas). Sei que fui influenciada pela época em que nos encontramos, mas tentei imaginar isto de maneira decente. Deixemos as iluminações berrantes..
A segunda janela que me veio à cabeça foi uma a escorrer em pleno Verão.. não vale a pena adiantar muito sobre o assunto mas a verdade é que é uma razão mais que digna para embaciar janelas. Dois corpos juntos a queimar um grande número de calorias e a proporcionar um espectáculo de milhões de gotículas condensadas, enquanto o corpo tenta desesperadamente regular a temperatura. Mas a ideia não é mesmo que ela suba?
Terceira janela, como não podia deixar de ser.. imagino uma miuda de cara redondinha (não sei porquê, mas tem um ar mais simpático e saudável), assim com cabelos louros encaracolados a cair pelos lados da cara enquanto sorri. De repente, começa a nevar. Ela sorri para as pessoas que passam a olhar para cima, sorri para o boneco de neve que está a ser construído ali mesmo na frente da casa e para o futuro nariz que seria o fabuloso jantar de algum coelho mais esfomeado. A miúda sai de casa e estende a mão à espera que um floco de neve a escolha como pista de aterragem. A Natureza tem mesmo jeito para estas coisas.. estruturas espectaculares que não se repetem uma única vez tal é o factor de aleatoriedade. Um manto branco que povoa as ruas, torna o ambiente limpo e puro..
Abro os olhos e revejo-me nesta cena. Queria um Natal branco. Não sei porquê, sou apaixonada pela neve e nunca vi nevar, sempre achei que era uma grande falha na minha vida. Quando passei um Natal em Londres, apanhei sempre temperaturas negativas, vestia 3 e 4 camisolas, casacos, calças, collants, mas nunca sentia o nariz. Rezei infinitamente por neve. No dia seguinte a apanhar o meu avião em Heathrow, começou a nevar e o aeroporto foi encerrado. É o que se chama um péssimo timing! Nevertheless.. ainda não perdi a esperança! Queria mesmo um Natal branco, como é mesmo a música? "I'm dreaming of a white Christmas.."
sábado, dezembro 18, 2004
Para quem merece uma prenda no sapatinho!
Este post é para aquele pessoal que consegue animar toda a gente, faça chuva, faça sol! Para aquelas pessoas que parecem viver sem problemas. Na verdade, parecem ter uma missão muito especial: animar e dar vontade de viver aos restantes mortais.
Um dia destes, estava um rapaz a tentar atravessar a estrada para chegar ao carro dele, eu parei o meu carro para ele passar. Ele também parou de andar para eu passar. Eu fiz-lhe um gesto para avançar ao mesmo tempo que ele fazia o mesmo. Desatámos a rir um para o outro. Foi original como conseguimos criar empatia em menos de 3 minutos. Faz-me sorrir quando me lembro (e estejam descansados que a estrada estava deserta, não havia nenhum condutor furioso atrás de mim a tentar passar por cima).
Talvez o exemplo mais flagrante tenha sido na abertura da loja "Toys'R'Us". Fui recebida à porta pelo "Super Mario" e lá dentro vivia-se um ambiente de festa: muita música, muitos balões (não sei se foi por ser baixinha, mas tive direito a um balão como os putos) e, acima de tudo, muita cor e animação. Entretanto, enquanto serpenteava entre o rato "Mickey" e a girafa que é o símbolo da loja, começou a dar aquela música (se é que se pode chamar música) das "Ketchup", muito em voga nesse Verão. Qual o meu espanto quando me senti dentro de um filme musical: toda a gente sabia a coreografia! Mães a dançar com os filhos ao colo, putos e graúdos a dançar uns com os outros. Dei por mim na onda, a dançar e a cantar também! Quando saí da loja, uma hora depois, sentia-me rejuvenescida (e sem gastar um cêntimo!).
Será a alegria/calor que sentimos cá dentro, vinda do nada, o elixir da juventude?
Pus-me a pensar nas pessoas que realmente conseguem melhorar o dia às outras pessoas. A maioria dos professores e chefes são peritos em fazer exactamente o contrário. Às vezes, só uma atençãozinha faz milagres! Um abraço de vez em quando, um sorriso na hora certa.. nem que seja um toque de telemóvel (um "lembrei-me de ti e quis que soubesses" electrónico).
Andar sempre bem disposto é uma tarefa hercúlea e duvido que alguém consiga estar sempre assim sem nunca passar por alguma instituição de apoio mental.
Torna-se simples fazer outras pessoas sorrir, até quem não conhecemos: alguém a passar na estrada, um puto que acabou de entornar um copo cheio de leite por cima dele e está cada vez mais sujo ao tentar limpar, um senhor distraído que chocou connosco na fila do peixe.. qualquer um deles vai sorrir se tomarmos iniciativa. Melhorar o dia a alguém não custa nada e, receber um sorriso de volta, aquece a alma. A sério que aquece.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
An apple a day keeps the doctor away
Estava num consultório médico a admirar os quadros que estavam pendurados. Achei piada ao sentido de oportunidade porque todos os quadros eram relativos aos meios medicinais da idade média (como esta foi a nossa idade obscura, suponho que no Renascimento isto tenha evoluído). Fiquei espantada pela mensagem subjacente que eles deixavam escapar, como que a dizer: "Se está doente, pense em como tem sorte por ser atendido por um médico dos dias de hoje que, supostamente, sabe o que está a fazer!" Olhava para os quadros e ia lendo as legendas, incrédula.
Como curar uma dor de cabeça: atar pele seca de cobra à volta da dita cabeça. (Felizmente não dizia lá que tínhamos que apanhar a cobra numa noite de lua cheia e deixá-la a marinar em vinha-d’alhos durante 3 dias - a sorte é que, entretanto, passava a dor de cabeça).
Como ter um conselho médico? Nada de ligar para Médis ou ir às urgências, simplesmente perguntem à primeira pessoa estranha, que passe em frente à vossa casa, a cavalo. Não sei qual a probabilidade disso hoje em dia, mas suponho que o resultado é o mesmo: se estava doente, continua a estar.
Outra curiosidade: os homens só iam aos hospitais acompanhados das mães. Azar dos órfãos?! Sempre era uma boa desculpa para a mulher se livrar do marido e da sogra ao mesmo tempo: um prato de sopa estragada para ele!
Lembrei-me de ter lido um e-mail qualquer que explicava (se é que era verdade) que, na idade média, as pessoas se casavam todas em Julho porque era a altura do banho anual. Sempre com a mesma tina (e a mesma água porque como bem de 1ª necessidade, já na altura era paga), primeiro lavava-se o dono da casa e aí por diante até chegar às mulheres (não podia deixar de ser) e aos bébés que eram os últimos e até se deviam perder naquela imundice. A primeira ideia que me surgiu foi que, nascida naquela época, queria casar com um pescador que soubesse nadar (sim, marinheiros de água doce não serviam). A segunda foi que aquilo era, definitivamente, a lei do mais forte. A pergunta que me fica é: se eles sobreviviam a estas "lavagens", será que alguma vez precisavam de ir ao hospital? Será que eles conseguiam ficar doentes?! Só de pensar que os romanos já tinham saneamento.. argh!
Depois lembrei-me dos dentistas. Arrancar dentes a sangue frio, correndo o risco de estar a arrancar o errado. Pés no peito do doente para apoiar o esforço, alicate em riste.. Bem, nem quero imaginar! Não admira que qualquer um dos meus avós entre em pânico ao ouvir falar em dentistas!! (Qualquer um dos 4 não tem dentes e usa placa, just for the record)
Hoje em dia, perdemos estes hábitos que nos fortaleciam e tomamos banho diariamente (se bem que os nossos congéneres nórdicos ainda o evitem). Aumentámos a esperança média de vida nuns 30 anos e conseguimos reunir um leque fabuloso de novas doenças, além de morrermos na lista de espera dos hospitais ou levantarmo-nos às 3 da manhã para ter uma consulta no centro de saúde para dali a um mês. Mas só pelo dentista, pelo pescador-que-sabe-nadar e porque tive apendicite aguda há uns anos, fico muito feliz de ser uma doente do séc. XXI!
quinta-feira, dezembro 02, 2004
Couve natalícia
Mesmo assim, acho que isto não tem metade da piada de estarmos ali a ver a couve a 3D, literalmente plantada no meio da estrada!
O que vale é que os portugueses NÃO poupam esforços para alegrar o dia de um seu semelhante. Este ano, o pessoal achou que andávamos todos em baixo com estas crises em cima de crises apenas superadas pela inflacção e resolveu adiantar o Natal. O espírito natalício das superfícies comerciais começou em meados de Novembro. Qualquer dia estamos a chegar da 2ª quinzena de férias em Setembro e, à entrada do escritório, damos uma cabeçada na coroa de azevinho, "Feliz Natal"! E o que dizer de certas iluminações de natal que vemos em certas casas?.. Aqueles tubos de luz verde, encarnada, azul e amarela que se vendem no LIDL estão espalhados por tudo quanto é sítio. Parece que estamos em plena Feira Popular com tanta coisa a piscar e a trocar de cor. E aquelas maravilhosas luzes verdes nas casas? Onde estavam elas na noite de Halloween?! Depois há aqueles que optam somente pela cor branca, mas isso não rivaliza com as anteriores. Então o que se faz é encher a fachada da casa de milhares (literal) daquelas coisas que piscam a uma velocidade tremenda! Não há epiléptico que escape! Só lhes falta o placar de néon a dizer: "Esta noite, Fernando Pereira no casino da Horta Seca". (Ainda influências da couve..).
Mas gosto deste ambiente (em Dezembro, claro!). Gosto que as pessoas ainda se dêem ao trabalho de retirar aquelas coisas carregadas de naftalina (deve ser a altura em que andam mais traças no ar) do sítio mais recôndito do sotão da casa, para festejar um feriado que não diz respeito ao trabalho, aos direitos de igualdade ou a alguma revolução. Apenas e somente à ideia de estarmos todos juntos em família num clima de aparente paz e tranquilidade. A verdade é que acabamos por andar mais tolerantes. Deve ser das poucas alturas que temos crentes e ateus a festejar em uníssono. Prendas para os mais novos e alegria para os mais velhos por terem a família toda reunida. Eu confesso que me perco nas sobremesas até à meia noite, a cantar o "A todos um bom Natal" e a entrar nos jogos e teatros da pequenada. Nós podemos ser o corpo e cabeça, mas a alma do Natal está nas crianças. Um pouco antecipado, mas Feliz Natal!! :)
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Kiss me goodbye
Este post teve um "parto difícil". Andava com ele às voltas na minha cabeça e já não sabia como o evitar. Já vi o filme há algum tempo e ando num certo exercício de masoquismo pois não paro de o rever na minha cabeça. O filme atingiu-me em cheio, saltou por cima de todas as sólidas fortalezas que erigi e deitou-as abaixo tal como um castelo de areia engolido por uma onda mais atrevida. Senti-me completamente exposta. Ao fim de tanto tempo, veio tudo de novo: aquele fim de noite, a praia, o mar calmo, as espreguiçadeiras, a lua, a areia, de como eu me queria descalçar para sentir a areia nos pés e experimentar a água fria.. Acabei por ficar calçada com medo de sujar as meias, os ténis ou o carro. Mais uma parvoíce. Basicamente, lembro-me por causa de ti. Dos teus olhos a brilhar e do teu sorriso que me provoca sempre outro.. Como diz a Carly Simon: "..How'd you learn to do the things you do?.." (na música "Nobody does it better").
O Jesse é espectacular. Foi ele que apareceu no local combinado, foi ele que ficou pendurado. Foi ele que tentou andar com a vida para a frente e não se tornou amargo. É ele que coloca o coração nas mãos dela, para ela o estilhaçar como quiser. Ele tenta fazer contacto, ele diz vezes sem conta como está feliz só por estar com ela.. ela foge sempre. Magoada pela a ideia de que ele a traiu quando se casou, que ele é feliz e ela, por causa dele, não. Tanto se protege que até lhe mente, sabendo que o magoa. Fala, fala, fala.. nunca tenta fazer contacto visual ou algum tipo de contacto físico, com medo que o que ela sente por ele transborde de vez e depois não exista maneira de voltar atrás. Sempre tive medo de te mostrar o que eu sentia porque tenho medo de não conseguir dar a volta. De não conseguir esquecer. De não voltar ao que era antes de te conhecer. O pior é que ainda não esqueci e já me ponho com estes "se" todos. Como se a cena da conversa telefónica do primeiro filme nunca pudesse acontecer.. aquela sinceridade brutal. Fazer-te saber exactamente o que eu sentia a cada momento, sem me preocupar se tu me vais magoar de seguida ou não.
Ele senta-a ao colo dele. Nota-se que ela está super desconfortável, tipo pedra. Senta-se rapidamente ao lado dele, finge que aquele momento constrangedor não aconteceu e fala, fala, fala.. Lembro-me do espaço todo que me ias deixando ao teu lado.. porque é que eu não me sentei? E falei, falei, falei..
Até que Céline tenta tocá-lo dentro do carro. Quando finalmente percebe que ele sente o mesmo que ela. Quantas vezes eu pensei nisso sem tu saberes, quantas vezes me apeteceu mandar ao ar aquele medo estúpido de ser magoada que acaba sempre por vencer a minha valentia de uma fracção de segundos. Não entendo como é que senti e sinto cada sensação, gesto, sorriso a cada cena que passa. A emoção cá dentro aumenta a níveis completamente impressionantes e tenho medo que aquilo rebente tudo antes de tempo. Mas não, um final soberbo que nos deixa a voar e torcer para que, pelo menos, aquela noite dê certo: "Baby, you're gonna miss that plane", "I know".
A declaração dela é linda.. aquela música não sai da minha cabeça. Gosto particularmente dos versos: "..I just wanted another try/I just wanted another night/Even if it doesn't seem quite right/You meant for me much more/Than anyone I've met before..". Aquela pausa e o suspiro bem fundo no nome dele. Apenas mais uma noite.. eu nem peço tanto. Aliás, nem sei se queria uma noite. Quero e não quero por tudo o que pode acontecer de seguida. Lá estou eu na mesma.. Só queria mesmo um último beijo. Sabes quando percebemos que um beijo pode ser o último? Há quem diga que o primeiro é o melhor de todos, eu não concordo. Ao saber que um beijo pode ser o último, pomos toda a nossa emoção nele. Queremos recordar cada infinitésimo de segundo desse momento. O frio da espreguiçadeira, a cor dos teus lábios, o ar quente que se partilha, a luz da lua a reflectir no mar, os teus olhos a fecharem devagarinho mas que nunca fecham completamente. Sabias que os deixas sempre semicerrados?.. Incrível como imagino a cena em cada pormenor e ela não aconteceu. Lembro-me que me estás a dever um desejo. Acho que é este mesmo. Um último beijo depois de te conseguir dizer tudo isto.
quinta-feira, novembro 25, 2004
Associação Portuguesa para Defesa dos Direitos do Sonhador
Estava quase a proferir as palavras mágicas: "Desejo ter o mesmo sonho que um rapaz que sonhe comigo" quando me lembrei que eu me estava a referir mesmo sonhos e não a pesadelos! Lembrei-me do que sucederia se um gajo qualquer asqueroso sonhasse comigo.. Asqueroso no sentido em que eu não o queria nem banhado em ouro e incrustado em diamantes, e não no sentido físico até porque isso não diz nada da sua eventual performance! A que tipo de atrocidades poderia ele sujeitar-me e eu a ter que sonhar com tudo?! Ia acordar a chorar por um psiquiatra? Por uns bons soporíferos para dormir que nem uma pedra e não me lembrar do que sonhei?
Ora bem, preciso de reformular a minha ideia! Acho que tenho o direito de ter o mesmo sonho de alguém que sonha comigo, mas apenas quando o sonho é bom para ambas as partes! Ou seja, visto da perspectiva dos dois intervenientes é um SONHO! A ligação podia ser feita por algum elo telepático que activasse o nosso cérebro para ter a mesma imagem que o outro tem. Ou como nos desenhos animados em que temos uns seres (curiosamente, na maior parte, têm cabelo azul) que estão equipados com uns computadores espectaculares e algum tipo de emissor, onde escolhem os nossos sonhos e nos transmitem de noite. Assim, era só receber o mesmo sonho que a outra pessoa recebesse e a coisa simplificava-se. Se duas pessoas sonharem ao mesmo tempo connosco, acho que temos tempo (uma noite é algo como 7 horas e os sonhos costumam durar, no máximo, 20 minutos) para os ver em sequência.
Se calhar andávamos por aí podres de cansaço.. mas, seguramente, com um sorriso à Manuela Moura Guedes! Talvez não pudéssemos evitar um olhar lascivo à outra pessoa.. (é claro que nunca correríamos o risco de saber quem sonhou com o quê pois ficava a dúvida no ar: será que para ele/a também foi um sonho?). No caso de alguém começar com a conversa assim: "epá, nem sabes com o que eu sonhei no outro dia..", bastava uma troca de olhares para sabermos que tínhamos ali uma certa correspondência..! Era giro! Será que o Pai Natal aceita deste tipo de pedidos não disponíveis nos hipermercados?

