Ok, e pensava eu que engatar pessoas pela Internet era estúpido. Acho que descobri a última moda dos desesperados deste país, a diferença é que agora a vítima têm que ter telemóvel e não uma vagina (coisa extremamente difícil de encontrar, portanto). O que se segue não é pura coincidência, tudo o que vou escrever é rigorosamente verdade.
Na semana passada recebi a seguinte sms de um 91 que me sinto na obrigação de partilhar:
"Ola tudo bem? Marquei o teu n ao acaso e acreditei que podia nascer uma amizade entre nos, o que achas? Vamos desafiar o destino? Chamo-me Antonio."
Estive mesmo para responder "Olá, eu chamo-me Xavier" mas depois desisti. Primeiro porque não tenho nada contra as pessoas chamadas Xavier e depois porque as sms custam dinheiro, parecendo que não, custa ver o saldo a diminuir com este tipo de coisas. Guardei a sms para me poder rir quando me apetecesse e não me lembrei mais disto até hoje. Ora bem, hoje recebi mais duas sms erradas e que, por sinal, eram declarações amorosas (não sei se ainda vinham em atraso da época dos arrulhos) - assim um bocado parecidas com aquelas da TV: marque "amor 3434" e receba uma sms para enviar à sua cara metade visto você ser demasiado estúpido para conseguir escrever uma sozinho e não ter amor ao dinheiro. De qualquer modo, senti pena por saber que havia alguém lesado em duas declarações amorosas (ao par sai mais barato?). Não me queria armar em anti-cupido e respondi gentilmente que as sms não eram para mim, mas que desejava boa sorte com a pessoa certa! E não é que me responderam? Ah pois é! O mundo das mensagens de 160 caracteres não pára de nos surpreender (desta vez de um 93):
"Obrigado.. e peço desculpa pelo engano que já é a 2ª vez. Posso saber o nome de tão simpática pessoa?"
Ai, dor..
Devo dizer que o meu número de telefone é praticamente impossível de decorar, a série não têm lógica nenhuma e a única coisa que pode chamar a atenção é que tem "69" no fim. Será por causa da terminação? Será por isso que só me sai disto? Mas há assim tanta gente a querer engatar o meu número de telemóvel?! Eu sei que estamos quase na Primavera, eu sei que os passarinhos já andam a fazer os ninhos, as árvores estão a ficar esverdeadas e até o Benfica passou aos quartos de final, mas mesmo assim, não havia necessidade.. (Banda Sonora: Desperado dos Eagles).
quinta-feira, março 09, 2006
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
O dia das serpentinas apaixonadas
Pois bem.. o dia dos namorados. No ano passado evitei ao tema, mas este ano resolvi falar dele. Primeiro que tudo (e porque acho isto muito importante) o dia 14 de Fevereiro é o dia europeu da disfunção eréctil. Sobre este último não digo mais nada porque o sentido de oportunidade já é suficiente. Depois também acho interessante festejarmos com muitas rosas e beijos o dia da morte do S. Valentim, torturado.. claro! É bom sabermos que mataram um padre porque ele casava os rapazes que estavam bons para ir para a guerra e o governante da altura não achou piada. Como os casamentos continuavam em grande número, alguém resolveu cortar o mal pela raiz e matar o padre. Coitado! Já nesta altura a união de facto tinha poupado uns tantos problemas jurídicos.
Isto de ter as lojas todas vermelhas, cheias de corações e peluches é um bocado foleiro. A verdade é que as lojas no Carnaval estão muito mais alegres com serpentinas, máscaras de palhaços,ursos, índios.. sei lá, um nível de foleirice um bocadinho mais baixo. As pessoas estão com outra disposição, ninguém se chateia por tentar jantar fora e os restaurantes estarem preparados apenas com mesas a dois com a porra das velinhas. Porque não juntar as duas festividades? Porque não ver as famílias com as crianças mascaradas (ou mascarradas) nos restaurantes assim como um lobisomem a jantar com a menina da GALP pluma? Ou um fantasma a abraçar um crocodilo? É que além de um dia para fugir ao nosso aspecto diário e do aspecto da pessoa que vemos mais vezes (ou talvez não) há outras tantas facilidades a ter em conta: se estiveres apaixonado por uma pessoa do mesmo sexo, ninguém fica a olhar para ti de lado se fores vestido de mulher/homem, podes sair dos restaurantes/bares sem pagar porque também ninguém viu a tua cara e, de qualquer maneira, com a luz das velas podes sempre começar um pequeno fogo de distracção com as serpentinas!
Mas o dia dos namorados também tem coisas giras. Ver grandes filas de homens nas floristas (depois da hora de saída do emprego) e ver homens que se metem na fila e compram flores porque sabem que é um dia especial, mesmo que não saibam exactamente qual. É aqui que a publicidade ajuda e não serve só para testar o daltonismo, é impossível que exista alguém que não perceba que o dia dos namorados está a chegar, mesmo que seja um despistado nato! É sempre bom termos a certeza que não nos vamos esquecer destes dias, não vá alguém levar os esquecimentos a peito! Também é verdade que os namorados fazem questão de mostrar que gostam um do outro quando lhes apetece, não precisam de dia pré-definido. Este dia é então uma boa desculpa (como outra qualquer) para uma escapadela dos que estão juntos há uma eternidade, até porque há borlas nos telemóveis e descontos em pousadas que devem ser aproveitados!
Estão a ver, nem tudo é mau na época da invasão da coronária vermelha!
Mas a melhor parte deste dia, que é mesmo boa, é que aparecem morangos em todos os hipermercados a um preço fabuloso! Mesmo em caixinhas de plástico reles em forma de coração, temos morangos doces em Fevereiro e eles fazem-me pensar que há sempre um bocadinho da Primavera todo o ano em todo o lado.
Isto de ter as lojas todas vermelhas, cheias de corações e peluches é um bocado foleiro. A verdade é que as lojas no Carnaval estão muito mais alegres com serpentinas, máscaras de palhaços,ursos, índios.. sei lá, um nível de foleirice um bocadinho mais baixo. As pessoas estão com outra disposição, ninguém se chateia por tentar jantar fora e os restaurantes estarem preparados apenas com mesas a dois com a porra das velinhas. Porque não juntar as duas festividades? Porque não ver as famílias com as crianças mascaradas (ou mascarradas) nos restaurantes assim como um lobisomem a jantar com a menina da GALP pluma? Ou um fantasma a abraçar um crocodilo? É que além de um dia para fugir ao nosso aspecto diário e do aspecto da pessoa que vemos mais vezes (ou talvez não) há outras tantas facilidades a ter em conta: se estiveres apaixonado por uma pessoa do mesmo sexo, ninguém fica a olhar para ti de lado se fores vestido de mulher/homem, podes sair dos restaurantes/bares sem pagar porque também ninguém viu a tua cara e, de qualquer maneira, com a luz das velas podes sempre começar um pequeno fogo de distracção com as serpentinas!
Mas o dia dos namorados também tem coisas giras. Ver grandes filas de homens nas floristas (depois da hora de saída do emprego) e ver homens que se metem na fila e compram flores porque sabem que é um dia especial, mesmo que não saibam exactamente qual. É aqui que a publicidade ajuda e não serve só para testar o daltonismo, é impossível que exista alguém que não perceba que o dia dos namorados está a chegar, mesmo que seja um despistado nato! É sempre bom termos a certeza que não nos vamos esquecer destes dias, não vá alguém levar os esquecimentos a peito! Também é verdade que os namorados fazem questão de mostrar que gostam um do outro quando lhes apetece, não precisam de dia pré-definido. Este dia é então uma boa desculpa (como outra qualquer) para uma escapadela dos que estão juntos há uma eternidade, até porque há borlas nos telemóveis e descontos em pousadas que devem ser aproveitados!
Estão a ver, nem tudo é mau na época da invasão da coronária vermelha!
Mas a melhor parte deste dia, que é mesmo boa, é que aparecem morangos em todos os hipermercados a um preço fabuloso! Mesmo em caixinhas de plástico reles em forma de coração, temos morangos doces em Fevereiro e eles fazem-me pensar que há sempre um bocadinho da Primavera todo o ano em todo o lado.
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
Tudo bem?
O que é que queremos realmente dizer quando perguntamos "tudo bem?", será que estamos mesmo interessados na resposta? Acho que, em 80% dos casos, o pessoal se está a marimbar. O início de conversa mais batido é o belo do "olá, tudo bem?" e a reacção posterior é quase sempre a mesma quer a pessoa nos diga que se tentou mandar duas vezes de uma ponte abaixo quer diga que descobriu um chá espectacular para os nervos. Só respondemos à parte do "e contigo?" de onde sai o típico "tudo (bem)!". Perguntar se está tudo bem é, basicamente, uma questão de boa educação, o estarmos interessados na resposta já é pedir muito..
Perguntar a alguém se está tudo bem é um bocado arriscado se for ao vivo. Pode ser que a coisa corra bem, que a outra pessoa se fique por um "tudo bem e contigo?" e cada um siga o seu caminho. O problema é se a coisa corre mal e a outra pessoa está a precisar de desabafar com alguém (e está tão desperada que nem se importa se for connosco). "Epá, nem imaginas o que me aconteceu! No outro dia fui ter com a minha prima - aquela que mora para os lados de Algés - e não é que o carro.." - é a altura em que largamos algumas pistas subtis: olhar insistentemente para o relógio; ".. e depois o homem disse que só se eu fosse à oficina do Zé, aquele que já foi vizinho do meu avô,.." - evitar o contacto visual e procurar alguém conhecido nas redondezas; ".. eu já estava a ver a minha vida a andar para trás, sabes que eu não disse à Ana que lá ia.." - cruzar os braços e ser incapaz de acompanhar a conversa sem ser com "humm", "ah", "pois"; "..e no meio disto tudo, nem adivinhas quem é que eu encontrei! Ah pois foi, a Felisberta! Ao fim deste tempo todo, a vida tem cada uma.." - nunca se deve perguntar "a sério?" ou "ah sim?" porque isso dá para, pelo menos, mais dez minutos de monólogo. Se a grafonola se lembrar que tem dois ouvidos e que eles não estão a processar informação, então é capaz de perceber que se está a alongar um bocado e tenta que a coisa se torne num diálogo não monossilábico.
A pior parte é que quando devíamos deixar a boa educação em casa é que a esbanjamos.. velhotes, essa calamidade nacional! Somos todos sorrisos e damos um "olá!" rasgado, elogiamos a boa forma e perguntamos ao mesmo tempo que nos arrependemos: "tudo bem?". É a catástrofe, desastre total! Vamos passar os próximos dez minutos (optimismo) sem abrir a boca, onde o nosso interlocutor nem está preocupado se respondemos por monossílabos ou se não respondemos sequer, o que interessa é despejar o rol das enfermidades que ele/ela tem. É incrível como todos os velhos têm todas as doenças possíveis e imaginárias (deles e dos conhecidos deles), querem ser o supra sumo das doenças (como nós competimos por telemóveis, carros e respostas às perguntas do Trivial) e lá estamos a aturar tudo com o sorriso mais plástico que conseguimos porque ele nunca devia ter aparecido. Ficamos a saber das manchas que apareceram no dedo grande do pé, assim como do provável problema hepático (porque o Joaquim que mora na esquina também tem esse problema), da queda de cabelo, do cansaço, desconfiam que têm cancro, problemas respiratórios, cardíacos e que o médico é um incompetente porque não encontra nenhuma doença que não seja a velhice! Nós despertamos e despedimo-nos quando nos dizem a única coisa que se aproveita: para aproveitarmos a vida enquanto somos novos!..
Para poupar uns anos de juventude.. vou evitar perguntar se está tudo bem.
Perguntar a alguém se está tudo bem é um bocado arriscado se for ao vivo. Pode ser que a coisa corra bem, que a outra pessoa se fique por um "tudo bem e contigo?" e cada um siga o seu caminho. O problema é se a coisa corre mal e a outra pessoa está a precisar de desabafar com alguém (e está tão desperada que nem se importa se for connosco). "Epá, nem imaginas o que me aconteceu! No outro dia fui ter com a minha prima - aquela que mora para os lados de Algés - e não é que o carro.." - é a altura em que largamos algumas pistas subtis: olhar insistentemente para o relógio; ".. e depois o homem disse que só se eu fosse à oficina do Zé, aquele que já foi vizinho do meu avô,.." - evitar o contacto visual e procurar alguém conhecido nas redondezas; ".. eu já estava a ver a minha vida a andar para trás, sabes que eu não disse à Ana que lá ia.." - cruzar os braços e ser incapaz de acompanhar a conversa sem ser com "humm", "ah", "pois"; "..e no meio disto tudo, nem adivinhas quem é que eu encontrei! Ah pois foi, a Felisberta! Ao fim deste tempo todo, a vida tem cada uma.." - nunca se deve perguntar "a sério?" ou "ah sim?" porque isso dá para, pelo menos, mais dez minutos de monólogo. Se a grafonola se lembrar que tem dois ouvidos e que eles não estão a processar informação, então é capaz de perceber que se está a alongar um bocado e tenta que a coisa se torne num diálogo não monossilábico.
A pior parte é que quando devíamos deixar a boa educação em casa é que a esbanjamos.. velhotes, essa calamidade nacional! Somos todos sorrisos e damos um "olá!" rasgado, elogiamos a boa forma e perguntamos ao mesmo tempo que nos arrependemos: "tudo bem?". É a catástrofe, desastre total! Vamos passar os próximos dez minutos (optimismo) sem abrir a boca, onde o nosso interlocutor nem está preocupado se respondemos por monossílabos ou se não respondemos sequer, o que interessa é despejar o rol das enfermidades que ele/ela tem. É incrível como todos os velhos têm todas as doenças possíveis e imaginárias (deles e dos conhecidos deles), querem ser o supra sumo das doenças (como nós competimos por telemóveis, carros e respostas às perguntas do Trivial) e lá estamos a aturar tudo com o sorriso mais plástico que conseguimos porque ele nunca devia ter aparecido. Ficamos a saber das manchas que apareceram no dedo grande do pé, assim como do provável problema hepático (porque o Joaquim que mora na esquina também tem esse problema), da queda de cabelo, do cansaço, desconfiam que têm cancro, problemas respiratórios, cardíacos e que o médico é um incompetente porque não encontra nenhuma doença que não seja a velhice! Nós despertamos e despedimo-nos quando nos dizem a única coisa que se aproveita: para aproveitarmos a vida enquanto somos novos!..
Para poupar uns anos de juventude.. vou evitar perguntar se está tudo bem.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Porque votaste sim
Sinto-me demasiado aprisionada dentro de mim própria. O meu corpo rege-se por outras ordens que não as minhas. Estremece ao mais leve sussurro, sente-se irremediavelmente atraído, não pára de ferver sentimentos embrulhados que não consigo conter. Não consigo mudar de canal dentro da minha cabeça, não consigo parar de respirar o ar guardado dentro de mim, não consigo fechar os olhos e imaginar outro lugar. Não consigo sequer tentar, parece que não sou eu. Não consigo imaginar mais nada, não quero mais nada, não consigo parar. Acho que me deixei cair fundo demais dentro de mim.. Foi demasiado depressa e nem me deu tempo para abrandar. Às vezes chateio-me comigo, não consigo fazer nada para inverter a situação. Nem sequer me apetece. Tomaste conta de mim.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
Considerações da passagem de ano a três
Como mudou o ano, é altura para reflectir.
Sou só eu ou o dia 1 não serve para fazer nada de útil? Se não fosse feriado, era uma greve geral a nível nacional (e não só do sector público). O dia 1 espelha todas as coisas que gostava de fazer no dia-a-dia do ano novo: nada. Ficar na cama até a noite chegar porque me dói o corpo todo, ficar a dormir no sofá com o comando na mão, ignorar o barulho do telemóvel com as mensagens que não caíram na véspera. Esperar que ele fique sem bateria porque não me vou levantar para o desligar. Fazer desaparecer o pequeno-almoço, o almoço e todas as refeições que sejam à luz do dia. Petiscar os salgados da véspera, fechar os olhos e fingir que não vai existir nenhum dia seguinte.
Desejos para o ano novo:
- Que hajam mais dias assim.
- Que não chova nas festas ao ar livre.
- Que as pessoas não abram champanhe sem ver se há pessoas com óculos atrás, já agora, que segurem na rolha.
- Que o pessoal não deixe de vir ao blog por causa deste post.
- Que hajam mais dias assim.
Coisas que nos passam pela cabeça nestas alturas:
- Será que aquelas mulheres do circo que fazem de alvo aos que atiram facas têm seguro de cirugia plástica?
- Será que o homem bala não tem problemas a conseguir empréstimos no banco? Deixam-no fazer seguros de vida?!
Sou só eu ou o dia 1 não serve para fazer nada de útil? Se não fosse feriado, era uma greve geral a nível nacional (e não só do sector público). O dia 1 espelha todas as coisas que gostava de fazer no dia-a-dia do ano novo: nada. Ficar na cama até a noite chegar porque me dói o corpo todo, ficar a dormir no sofá com o comando na mão, ignorar o barulho do telemóvel com as mensagens que não caíram na véspera. Esperar que ele fique sem bateria porque não me vou levantar para o desligar. Fazer desaparecer o pequeno-almoço, o almoço e todas as refeições que sejam à luz do dia. Petiscar os salgados da véspera, fechar os olhos e fingir que não vai existir nenhum dia seguinte.
Desejos para o ano novo:
- Que hajam mais dias assim.
- Que não chova nas festas ao ar livre.
- Que as pessoas não abram champanhe sem ver se há pessoas com óculos atrás, já agora, que segurem na rolha.
- Que o pessoal não deixe de vir ao blog por causa deste post.
- Que hajam mais dias assim.
Coisas que nos passam pela cabeça nestas alturas:
- Será que aquelas mulheres do circo que fazem de alvo aos que atiram facas têm seguro de cirugia plástica?
- Será que o homem bala não tem problemas a conseguir empréstimos no banco? Deixam-no fazer seguros de vida?!
domingo, dezembro 04, 2005
Mães com SPA
SPA não se entende como sanus per aquam, mas sim como "síndroma pré-avó". No outro dia, estava a fazer sala num consultório e uma miúda estava a fazer queixa à avó porque a mãe dela lhe tinha dito que só lhe dava de comer se ela lhe desse netos! Senti-me solidária.. não sou só eu a sentir que a minha mãe me criou e aturou estes anos todos porque queria um neto (ou mais!). Às vezes fico com a ideia que ela não queria realmente ter filhos, só netos. Todos os meses lá vem a história dos netos.. Que eu não preciso de me preocupar com eles (até porque, segundo ela, eu dava uma péssima mãe), que ela faz tudo e até já tem o trajecto até ao parque infantil delineado! Sim.. "só" tenho que passar pelo trabalho de ter os netos dela. Sim, "só"! É que não custa nada andar nove meses tipo bola de berlim sem conseguir andar muito tempo de pé ou mesmo conduzir, cãimbras, pés inchados, corpo deformado, peito inchado.. e aquelas maravilhosas dores de parto?! Estar umas cinco horas a sofrer para caraças por causa de dez minutos de prazer? Como é que uma cabeça que parece uma bola de futebol passa num buraco mais pequeno que um limão anão sem causar estragos idênticos ao que o cometa fez aos dinossauros? (Rebentou tudo à sua passagem..)
Como é que é possível que em milhões de anos de evolução, o parto continue a aterrorizar qualquer mente feminina? E não me venham dizer que o segundo é mais fácil, já experimentaram?!
Pois bem, eu "só" tenho que me submeter a estas coisas e a minha mãe trata da peste. Está claro que algures "só" vou ter que acordar para dar de mamar àquela grafonola, com o botão de volume estragado no máximo, de três em três horas (viva o sono descansado) senão o peito deve entrar em convulsões e explodir se o terror em fraldas ficar sem sede.
O mais giro disto tudo é que a minha mãe acha maravilhosa a ideia de netos, mas a existência de um pai para eles já é outra história! Se eu for passar um fim-de-semana algures com o meu namorado é um filme de terror e um inquérito fenomenal. Suponho que a peste deva nascer de geração espontânea. Ou talvez em vez de um pai lhe possa arranjar uma mãe e recorrer à inseminação artificial? Será que a minha mãe tem alguma coisa contra isso? Assim não tem que conhecer/aguentar com o pai. Ou talvez ser mãe solteira "à la" Ágata?!
Mãe, lamento mas não quero ser mãe. Desculpa lá qualquer coisinha!
Como é que é possível que em milhões de anos de evolução, o parto continue a aterrorizar qualquer mente feminina? E não me venham dizer que o segundo é mais fácil, já experimentaram?!
Pois bem, eu "só" tenho que me submeter a estas coisas e a minha mãe trata da peste. Está claro que algures "só" vou ter que acordar para dar de mamar àquela grafonola, com o botão de volume estragado no máximo, de três em três horas (viva o sono descansado) senão o peito deve entrar em convulsões e explodir se o terror em fraldas ficar sem sede.
O mais giro disto tudo é que a minha mãe acha maravilhosa a ideia de netos, mas a existência de um pai para eles já é outra história! Se eu for passar um fim-de-semana algures com o meu namorado é um filme de terror e um inquérito fenomenal. Suponho que a peste deva nascer de geração espontânea. Ou talvez em vez de um pai lhe possa arranjar uma mãe e recorrer à inseminação artificial? Será que a minha mãe tem alguma coisa contra isso? Assim não tem que conhecer/aguentar com o pai. Ou talvez ser mãe solteira "à la" Ágata?!
Mãe, lamento mas não quero ser mãe. Desculpa lá qualquer coisinha!
sábado, novembro 26, 2005
Voar daqui
Às vezes, as coisas que me rodeiam cansam-me. Tanta gente, tanto barulho, tanta coisa para fazer! É realmente incrível como ainda conseguimos acordar e deitar bem dispostos ou só mesmo acordar com vontade de viver o dia seguinte (nem que seja em contagem decrescente para sexta feira). Parece que fazemos milagres com as vinte e quatro horas que temos porque conseguimos fazer (quase) tudo a que nos propomos e ainda "sobra" tempo para dormir. Às vezes até sobra tempo para ficar na cama, de manhã, a ouvir a chuva a cair e a sorrir por não ter que sair naquele dia às oito da manhã. Não ter que sentir o frio a cortar a minha pele e estar ali quentinha enrolada nos lençóis. Estas pequeninas coisas como acordar e ficar na cama, um pacotinho quente de castanhas assadas, Sugos com sabor a limão, um rebuçado floco de neve, dançar sozinha ao som de uma música que já não ouvia há imenso tempo.. são todas especiais para mim. Ver-te sorrir.. ver os teus olhos transparentes e deixar os meus lábios mergulharem nos teus. Consegues o impensável, os meus olhos fecham à medida que o som da rua se vai tornando mais distante, as pessoas à nossa volta vão desaparecendo, os problemas esfumam-se! Estou noutro lugar qualquer só teu e meu, o tempo pára.
Quando abro os olhos, estou de volta à realidade. Há barulho, há coisas que fazer, há o tempo que passa, corre e foge por entre os meus dedos. Lembro-me de ter estado num estado de graça apenas há cinco segundos atrás. Nunca te vás embora.. preciso desta sensação que me provocas sempre que estás perto de mim, preciso de viajar até áquele sítio só nosso de vez em quando. De vez em quando, preciso de voar daqui..
Quando abro os olhos, estou de volta à realidade. Há barulho, há coisas que fazer, há o tempo que passa, corre e foge por entre os meus dedos. Lembro-me de ter estado num estado de graça apenas há cinco segundos atrás. Nunca te vás embora.. preciso desta sensação que me provocas sempre que estás perto de mim, preciso de viajar até áquele sítio só nosso de vez em quando. De vez em quando, preciso de voar daqui..
terça-feira, novembro 15, 2005
Branco e Negro
Não te percebo nem nunca te hei-de perceber. Mas isso é uma coisa que gosto, se te conhecesse de trás para a frente, aborrecia-me. A verdade é que não tens nada de monótono, mas várias vezes me desiludes. É como se, a cada seis horas, estivesse com uma pessoa diferente. Tanto és atencioso e carinhoso, como distante e fechado em ti. Não te compreendo tantas vezes que penso que te ias embora se to confessasse. Sinto-me atraída porque és diferente, porque não te entendo. Porque és lindo e horrível. Porque me fazes chorar e rir mais do que qualquer outra pessoa. Porque não sou indiferente à tua presença, porque não confias em mim, por tudo pelo que te deixei ir, por tudo pelo que queria que voltasses e por tudo pelo que não te aceitei de volta. Estavas a mudar-me e eu não gostei da transformação. Quando me apercebi, não estava a tornar-me no que eu queria e tu nem deste conta. Eras tão fechado em ti como devoto a mim, sempre de extremos. Lembro-me de fazermos um daqueles testes online e tu seres um mago negro e eu uma maga branca.. é incrível como algumas parvoíces roçam a realidade.
Tenho saudades de me sentar no teu colo e estar só assim, sem palavras (eu era genuinamente feliz nestas alturas, sabias?). Tenho saudades de me fazeres rir onde quer que seja (atraindo público ou não), dos teus poemas, do teu cheiro, do teu cabelo revolto. Não tenho saudades de me deixares de falar durante dias por leres nas entrelinhas algo que eu nunca disse, por achares que me viste onde eu não estava, por tudo que acreditas que não podes ser e pelo que acreditaste que eu podia ser.
Às vezes pergunto-me como seria agora. Teria dado a volta por cima e seria feliz contigo? Será que te ia mudar? Acho que nunca me perdoaria se tu mudasses. És lindo e eu tenho medo que cresças e deixes de o ser. Mas também és um desastre, demasiado mau para ser verdade. Se te entendesse, perdia-me a mim. Desculpa.
Tenho saudades de me sentar no teu colo e estar só assim, sem palavras (eu era genuinamente feliz nestas alturas, sabias?). Tenho saudades de me fazeres rir onde quer que seja (atraindo público ou não), dos teus poemas, do teu cheiro, do teu cabelo revolto. Não tenho saudades de me deixares de falar durante dias por leres nas entrelinhas algo que eu nunca disse, por achares que me viste onde eu não estava, por tudo que acreditas que não podes ser e pelo que acreditaste que eu podia ser.
Às vezes pergunto-me como seria agora. Teria dado a volta por cima e seria feliz contigo? Será que te ia mudar? Acho que nunca me perdoaria se tu mudasses. És lindo e eu tenho medo que cresças e deixes de o ser. Mas também és um desastre, demasiado mau para ser verdade. Se te entendesse, perdia-me a mim. Desculpa.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Aeroporto
Sempre que estou no aeroporto, fico a observar as pessoas. Não consigo evitar olhar para tudo o que se passa como se o tempo parasse para mim e o meu leitor de mp3 me oferecesse a banda sonora do filme que se desenrola diante dos meus olhos. Até podia estar farta de aeroportos, mas não estou. Estou farta de voar, isso sim. Continuo a adorar a descolagem e a aterragem, mas o resto é sempre tudo igual, podia passar-se em qualquer lado e o cheiro do catering põe-me logo de dieta.
Não sei porque gosto de aeroportos. Talvez pelas sensações diferentes, pessoas diferentes, línguas diferentes. Caras de aventura, caras de saudade, caras de felicidade, caras de tristeza, caras de monotonia (acompanhadas de uma pasta de executivo). Montras de souvenirs. Abraços sentidos, bagagem, seguranças, hospedeiras, filas de check-in, écrans com informação sobre os vôos, buliço de conversas cruzadas e telemóveis, revistas e jornais estrangeiros, avisos em voz alta em várias línguas igualmente incompreensíveis.. fotografias de despedida. As despedidas.. não desgosto delas, fica uma sensação de "até qualquer dia (espero eu)". Ninguém aqui se despede com indiferença, mas sim como namorados que vão ficar alguns dias sem se ver e que se olham como se nunca mais se fossem encontrar.
A minha banda sonora mudou para Leaving New York dos REM. Na "mouche"! É por isto que não há discussões nas despedidas. É capaz de ser mais difícil para quem fica do que para quem vira costas direito à porta de embarque, mas em ambos os casos fica uma nítida sensação de abandono. Eu sinto sempre que abandono qualquer coisa que já faz parte do que sou. Não faço ideia das divisões que tenho dentro de mim, sou de tanto lado que deixei de pertencer onde quer que seja. Tenho sempre saudades das pessoas, dos lugares e das paisagens, do cheiro, do vento, do ar de outros locais onde não estou. Não sei porquê. Talvez um dia volte a sentir que pertenço a algum lado, que a minha "casa" está num sítio especial. Não sei quem dizia que é preciso cortar as raízes antes de voar. É verdade, eu voei.
Não sei porque gosto de aeroportos. Talvez pelas sensações diferentes, pessoas diferentes, línguas diferentes. Caras de aventura, caras de saudade, caras de felicidade, caras de tristeza, caras de monotonia (acompanhadas de uma pasta de executivo). Montras de souvenirs. Abraços sentidos, bagagem, seguranças, hospedeiras, filas de check-in, écrans com informação sobre os vôos, buliço de conversas cruzadas e telemóveis, revistas e jornais estrangeiros, avisos em voz alta em várias línguas igualmente incompreensíveis.. fotografias de despedida. As despedidas.. não desgosto delas, fica uma sensação de "até qualquer dia (espero eu)". Ninguém aqui se despede com indiferença, mas sim como namorados que vão ficar alguns dias sem se ver e que se olham como se nunca mais se fossem encontrar.A minha banda sonora mudou para Leaving New York dos REM. Na "mouche"! É por isto que não há discussões nas despedidas. É capaz de ser mais difícil para quem fica do que para quem vira costas direito à porta de embarque, mas em ambos os casos fica uma nítida sensação de abandono. Eu sinto sempre que abandono qualquer coisa que já faz parte do que sou. Não faço ideia das divisões que tenho dentro de mim, sou de tanto lado que deixei de pertencer onde quer que seja. Tenho sempre saudades das pessoas, dos lugares e das paisagens, do cheiro, do vento, do ar de outros locais onde não estou. Não sei porquê. Talvez um dia volte a sentir que pertenço a algum lado, que a minha "casa" está num sítio especial. Não sei quem dizia que é preciso cortar as raízes antes de voar. É verdade, eu voei.
quarta-feira, outubro 26, 2005
A teoria do Wally e do Ezequiel*
"..10 000 spoons when all you need is a knife.."
Suponho que esta frase da Alanis Morissette resume bastante bem aquela tendêcia do destino para gozar com a nossa paciência todos os dias. Se perdemos um relógio, o que é que acontece? Ficamos uma boa meia hora de rabo para o ar a virar a casa do avesso e não encontramos o sítio onde o raio do relógio se escondeu. A busca vai-se revelando cada vez mais infrutífera e o desespero aumenta quando começamos a procurar nos mesmos locais mais do que uma vez. Passados dois dias, perdemos mais qualquer coisa. Começamos à procura, mas eis que não é à toa! Por alguma manobra demoníaca inconsciente, começamos por procurar exactamente no único sítio onde não tínhamos procurado da última vez. É claro que continuamos com o último objecto perdido durante os próximos tempos, mas encontramos (à primeira!) o relógio que encabeçava a lista dos mais procurados lá de casa.
Eu confesso que sou daquelas pessoas tristes que passa a vida a telefonar para o próprio telemóvel a partir do telefone fixo. Não tenho ADSL e, como tal, acho que o meu telefone fixo só tem razão de existir porque eu nunca sei do meu telemóvel. Depois lá vou eu a seguir o toque para ver se encontro o telemóvel (que acha que é o Wally) antes que a chamada entre no Voice Mail e eu pague alguma coisa desnecessariamente. Isto é o meu dia-a-dia no que toca a telecomunicações móveis. No entanto, a coisa que me surpreende mais nestas "coincidências" bizarras nem é a quantidade de coisas que perco e o mau timing quando as encontro, é sim o raio da razão pela qual o telemóvel toca! Já não basta tocar quando estou na casa-de-banho, quando estou a tomar banho ou sempre que não posso atender (e, regra geral, oiço os meus pais a mandar vir e a perguntar para que é que eu quero o telemóvel se nunca atendo), como ainda parece que telefona sempre a pessoa "errada" quando eu atendo. Acho que toda a população portuguesa que tem o meu número, menos o Ezequiel, se lembra de me telefonar/mandar toque/mandar sms exactamente no dia em que quero que o Ezequiel se lembre da minha existência e ele está incontactável. Fico contente a cada toque do bicho, apenas para desmoralizar quando leio o nome no visor. A verdade é que já sei que vou passar a semana seguinte a esbarrar com o Ezequiel.
É claro que também posso falar daquele comboio que chega sempre atrasado e nos deixa à seca, excepto naqueles dias em que nos atrasamos e ele resolve sair a horas. Ou naquele dia em que não levamos guarda-chuva porque "só vamos ali" e chove torrencialmente durante os 100 metros que nos separam da porta do carro. Claro está, assim que nos abrigamos (com o novo penteado "esparguete" e roupa encharcada a condizer), pára automaticamente de chover e cair granizo. Mas será que as pessoas, o tempo e os telemóveis fazem de propósito?.. Quem quer que esteja a "comandar" isto lá de cima, tem um sentido de humor muito apurado! Ai tem, tem!..
*(vénia ao W.)
Suponho que esta frase da Alanis Morissette resume bastante bem aquela tendêcia do destino para gozar com a nossa paciência todos os dias. Se perdemos um relógio, o que é que acontece? Ficamos uma boa meia hora de rabo para o ar a virar a casa do avesso e não encontramos o sítio onde o raio do relógio se escondeu. A busca vai-se revelando cada vez mais infrutífera e o desespero aumenta quando começamos a procurar nos mesmos locais mais do que uma vez. Passados dois dias, perdemos mais qualquer coisa. Começamos à procura, mas eis que não é à toa! Por alguma manobra demoníaca inconsciente, começamos por procurar exactamente no único sítio onde não tínhamos procurado da última vez. É claro que continuamos com o último objecto perdido durante os próximos tempos, mas encontramos (à primeira!) o relógio que encabeçava a lista dos mais procurados lá de casa.
Eu confesso que sou daquelas pessoas tristes que passa a vida a telefonar para o próprio telemóvel a partir do telefone fixo. Não tenho ADSL e, como tal, acho que o meu telefone fixo só tem razão de existir porque eu nunca sei do meu telemóvel. Depois lá vou eu a seguir o toque para ver se encontro o telemóvel (que acha que é o Wally) antes que a chamada entre no Voice Mail e eu pague alguma coisa desnecessariamente. Isto é o meu dia-a-dia no que toca a telecomunicações móveis. No entanto, a coisa que me surpreende mais nestas "coincidências" bizarras nem é a quantidade de coisas que perco e o mau timing quando as encontro, é sim o raio da razão pela qual o telemóvel toca! Já não basta tocar quando estou na casa-de-banho, quando estou a tomar banho ou sempre que não posso atender (e, regra geral, oiço os meus pais a mandar vir e a perguntar para que é que eu quero o telemóvel se nunca atendo), como ainda parece que telefona sempre a pessoa "errada" quando eu atendo. Acho que toda a população portuguesa que tem o meu número, menos o Ezequiel, se lembra de me telefonar/mandar toque/mandar sms exactamente no dia em que quero que o Ezequiel se lembre da minha existência e ele está incontactável. Fico contente a cada toque do bicho, apenas para desmoralizar quando leio o nome no visor. A verdade é que já sei que vou passar a semana seguinte a esbarrar com o Ezequiel.
É claro que também posso falar daquele comboio que chega sempre atrasado e nos deixa à seca, excepto naqueles dias em que nos atrasamos e ele resolve sair a horas. Ou naquele dia em que não levamos guarda-chuva porque "só vamos ali" e chove torrencialmente durante os 100 metros que nos separam da porta do carro. Claro está, assim que nos abrigamos (com o novo penteado "esparguete" e roupa encharcada a condizer), pára automaticamente de chover e cair granizo. Mas será que as pessoas, o tempo e os telemóveis fazem de propósito?.. Quem quer que esteja a "comandar" isto lá de cima, tem um sentido de humor muito apurado! Ai tem, tem!..
*(vénia ao W.)
quinta-feira, outubro 20, 2005
Um olhar com voz
Não gosto dos teus sentimentos por escrito.
"Sinto a tua falta" não diz nada se a tua mão não procurar a minha.
"Acho que gosto de ti" não é nada se eu não puder ver o brilho nos teus olhos.
"Apetece-me abraçar-te" não significa nada se não estás aqui a pôr uma mão por cima dos meus ombros e a encostares o meu corpo ao teu.
No entanto, gosto de poemas escritos e não gosto deles declamados. Quando os leio, sinto as coisas em mim e posso parar para reler as frases que me tocam mais. Mas não me interessa se és capaz de escrever sentimentos e depois não tens a coragem de mos confessar. Dá ideia que todas as palavras te assolam a ponta dos dedos assim que eu me vou embora. E um toque, um olhar, duas mãos a cruzarem-se.. vale tanto! Se não és capaz de me tocar, mostrar, dizer ou mesmo de sussurrar o que quer que seja, então eu não acredito no que tu me escreves.
O teu olhar vale as minhas sensações, uma mensagem no meu telemóvel não vale nada.
"Sinto a tua falta" não diz nada se a tua mão não procurar a minha.
"Acho que gosto de ti" não é nada se eu não puder ver o brilho nos teus olhos.
"Apetece-me abraçar-te" não significa nada se não estás aqui a pôr uma mão por cima dos meus ombros e a encostares o meu corpo ao teu.
No entanto, gosto de poemas escritos e não gosto deles declamados. Quando os leio, sinto as coisas em mim e posso parar para reler as frases que me tocam mais. Mas não me interessa se és capaz de escrever sentimentos e depois não tens a coragem de mos confessar. Dá ideia que todas as palavras te assolam a ponta dos dedos assim que eu me vou embora. E um toque, um olhar, duas mãos a cruzarem-se.. vale tanto! Se não és capaz de me tocar, mostrar, dizer ou mesmo de sussurrar o que quer que seja, então eu não acredito no que tu me escreves.
O teu olhar vale as minhas sensações, uma mensagem no meu telemóvel não vale nada.
quarta-feira, outubro 12, 2005
Morreu antes de chegar aqui
Olhas para mim como se não fosse nada, como se eu continuasse a fazer parte da tua rotina. Eu não posso acreditar que estás aqui. Sorris e os meus olhos enchem-se de lágrimas.. o que é que estás aqui a fazer? Não acredito que voltaste aqui.. não acredito que estás a pedir-me para voltar. Será que não sentes que está diferente? Não está nada como estava.. eu não sinto o que sentia e tu também não. Não digas que tens saudades minhas, não digas que não consegues esquecer, não peças desculpa. Já passámos por isto tanta vez, não quero repetir esta noite. Esta noite não. Vai-te embora, por favor. Eu ainda não abri a boca, no entanto, esperar que leias a resposta no meu olhar está fora de questão. Nunca conseguiste relacionar-te comigo assim, nunca entendeste o que eu pensava em silêncio. Não entendo, depois de passarmos tanta coisa juntos, como é que agora parecemos dois estranhos. Não me sinto bem na tua presença, não me sinto à vontade. Talvez daqui a algum tempo, agora a tua presença dói-me. Não sei pôr isto de outra maneira, dói-me. Dói-me. Cada vez que oiço a tua voz, o meu corpo estremece e quer fugir para um sítio onde tu não estejas. Não vale a pena pedir desculpa.. de novo. Eu aguentei o que podia aguentar, tu aguentaste o que te pareceu bem. Não me faças chorar.. não esta noite. Tornas tudo tão difícil, nem me deixas tentar ficar com as memórias boas. Cada vez que sai uma palavra dos teus lábios, o meu cérebro turva um bom momento e o meu coração mata devagarinho o carinho que ainda tenho por ti.
Deixa-me ir, o amor morreu. Morreu algures no caminho que trilhámos até chegar aqui.
Deixa-me ir, o amor morreu. Morreu algures no caminho que trilhámos até chegar aqui.
quarta-feira, setembro 28, 2005
Funcionários públicos: MEDO!!
Hoje estive 2 horas a "passear" entre a Segurança Social, as Finanças e a Conservatória. Eram só 16h e já me parecia que tinha tido um enorme e esgotante dia.. Aquilo até começou bem na Segurança Social porque a senha tinha um número baixo, é claro que o que queria não podia ser logo resolvido porque faltava um papel das finanças. Aproveitei para ir à Conservatória que ficava no caminho. Subi ao 3º piso, tirei uma senha e mandaram-me descer para o 2º piso. Tirei uma senha e quiseram que eu acreditasse que o meu problema só podia ser resolvido na parte da conservatória na Loja do Cidadão porque a conservatória em si não tinha os dados necessários. Sim, eu acredito mesmo que o computador na Loja do Cidadão consiga aceder a dados sobre um cliente que a conservatória em si não consegue! Bem, pelo menos acredito que ela não queria fazer nada de nada. Será que as funcionárias tiram prazer de estar sentadas à secretária, em frente ao monitor sem se mexerem e a olhar para nós com uma senha na mão? Será que das 6 pessoas na sala (eu era a única cliente), ninguém me podia atender excepto a única pessoa que estava ocupada a falar ao telefone?.. Deixem-me adivinhar: de manhã cedo tiram todos senhas e o número mais alto perde e tem que atender o pessoal??
Nem discuti e fui para a Loja do Cidadão porque tinha que ir lá de qualquer maneira. Fui até à zona da conservatória e descobri que o que eu queria nem podia ser tratado ali, mas sim na Conservatória da capital (!!), felizmente a moça tinha pouco de funcionária pública e deu-me um papel com a explicação detalhada de tudo o que tinha a fazer. Fiquei feliz por enviar um vale dos CTT de 16 euros, um papel a pedir uma certidão e ainda um envelope com a minha morada para receber a certidão de volta. Suponho que também podia escrever eu a certidão, não? Ou servir-lhes um cafézinho? Nas finanças foi outra piada.. tiro a senha, espero e peço as duas coisas que preciso. É claro que uma das coisas não pode ser naquelas Finanças, mas sim nas Finanças da freguesia ao lado.. Pelo menos um dos papeis eles têm, desde que eu tire uma senha da tesouraria e pague 4 euros, tire outra senha das Finanças e fique com a porra do papel para tirar uma senha e voltar esperar na fila da Segurança Social!!
Bem, a sério.. o Inferno existe e está nas repartições públicas, tenho dito.
Nem discuti e fui para a Loja do Cidadão porque tinha que ir lá de qualquer maneira. Fui até à zona da conservatória e descobri que o que eu queria nem podia ser tratado ali, mas sim na Conservatória da capital (!!), felizmente a moça tinha pouco de funcionária pública e deu-me um papel com a explicação detalhada de tudo o que tinha a fazer. Fiquei feliz por enviar um vale dos CTT de 16 euros, um papel a pedir uma certidão e ainda um envelope com a minha morada para receber a certidão de volta. Suponho que também podia escrever eu a certidão, não? Ou servir-lhes um cafézinho? Nas finanças foi outra piada.. tiro a senha, espero e peço as duas coisas que preciso. É claro que uma das coisas não pode ser naquelas Finanças, mas sim nas Finanças da freguesia ao lado.. Pelo menos um dos papeis eles têm, desde que eu tire uma senha da tesouraria e pague 4 euros, tire outra senha das Finanças e fique com a porra do papel para tirar uma senha e voltar esperar na fila da Segurança Social!!
Bem, a sério.. o Inferno existe e está nas repartições públicas, tenho dito.
terça-feira, julho 19, 2005
Tenho saudades tuas
Haverá coisa mais desconcertante para se dizer a alguém? Não sei como reagir a tanta sinceridade inesperada. Não sei como não perguntar: queres vir ter comigo agora? Não sei como explicar que as saudades vão continuar mês após mês e que raramente as posso atenuar, resta-me esperar e desejar que não morram lentamente em ti.
A saudade é tão típica do português, há quem a associe ao fado. Está bem patente no tuga, basta ver o orgulho com que os nossos emigrantes falam deste país (tirando os "jean pierres", mas pronto). Somos saudosistas de tantos modos que até custa descriminá-los! Eu tenho saudades de alguns olhares, tenho saudades de sorrisos, tenho saudades de certas emoções, tenho saudades de certos momentos, tenho saudades de coisas materias, pequenos luxos que me foram permitidos e que guardei dentro do meu coração para voltar a vê-los e vivê-los enquanto me apetecer. O pior é ter saudades da presença de outra pessoa. Pode até estar no quarto ao lado, mas temos saudades de alguém especial. Como é que apaziguamos o nosso cérebro quando necessita das palavras de alguém em concreto? Quando queremos sentir o ombro amigo daquela pessoa? Quando sabemos que a pessoa está longe de nós e que podemos até não a voltar a ver.. O que fazer? Como é que podemos sentir saudades de coisas tão fugazes como um cheiro particular, um brilho nos olhos, um sorriso de complacência, um abraço, o sabor da pele ou mesmo de te ver a correr para mim, pegar-te ao colo e brincar contigo cada vez que vem uma onda maior que te mete medo.
O meu cérebro fascina-me ao mesmo tempo que não me deixa sarar nada cá dentro. A verdade é que sou eu que me esforço por não cicatrizar porque tenho saudades tuas.
A saudade é tão típica do português, há quem a associe ao fado. Está bem patente no tuga, basta ver o orgulho com que os nossos emigrantes falam deste país (tirando os "jean pierres", mas pronto). Somos saudosistas de tantos modos que até custa descriminá-los! Eu tenho saudades de alguns olhares, tenho saudades de sorrisos, tenho saudades de certas emoções, tenho saudades de certos momentos, tenho saudades de coisas materias, pequenos luxos que me foram permitidos e que guardei dentro do meu coração para voltar a vê-los e vivê-los enquanto me apetecer. O pior é ter saudades da presença de outra pessoa. Pode até estar no quarto ao lado, mas temos saudades de alguém especial. Como é que apaziguamos o nosso cérebro quando necessita das palavras de alguém em concreto? Quando queremos sentir o ombro amigo daquela pessoa? Quando sabemos que a pessoa está longe de nós e que podemos até não a voltar a ver.. O que fazer? Como é que podemos sentir saudades de coisas tão fugazes como um cheiro particular, um brilho nos olhos, um sorriso de complacência, um abraço, o sabor da pele ou mesmo de te ver a correr para mim, pegar-te ao colo e brincar contigo cada vez que vem uma onda maior que te mete medo.
O meu cérebro fascina-me ao mesmo tempo que não me deixa sarar nada cá dentro. A verdade é que sou eu que me esforço por não cicatrizar porque tenho saudades tuas.
terça-feira, julho 12, 2005
Andas por aí..
Não te consigo encontrar, não sei porque foges de mim. Ocorreu-me agora mesmo que talvez não estejas a fugir de mim.. será que também não me consegues encontrar? Há dias em que penso que te vejo a cada esquina. Há meses em que nem me lembro de ti. Ao fim destes anos todos, acabei por te confundir com outras pessoas, talvez mais do que seria suposto. Mas estou a aprender, devagar. O meu mundo gira tão depressa, há cada vez mais coisas para fazer. Cada vez mais tenho menos tempo para te procurar e pensar em ti. Mas não me esqueci de como és.
Não me esqueci do brilho nos teus olhos que me rouba a atenção toda e o facto de não falares muito. Não esqueci aquele sentido de humor inteligente que só aparece nos momentos certos, seguido das palavras exactas. Manténs a cara séria, enquanto o resto esboça um sorriso sincero ou mesmo uma gargalhada. Sei que não és lindo de morrer porque é assim que eu quero, como um tesouro que só eu descobri. Sei que preciso do teu abraço todas as noites ao chegar a casa. Sei que somos água e azeite, tão diferentes como é possível imaginar. Costumas ter um ar sério e eu estou sempre a rir. Dizes sempre as coisas certas na altura certa, eu falo demais. Mas após nos conhecermos, não vai haver outra alternativa senão ficarmos juntos porque eu quero saber sempre mais de ti, conhecer-te cada vez melhor e, acima de tudo, crescer contigo. Eu sei que me esforço em ser uma pessoa melhor por ti. Por alguma razão, consigo ver-me através de ti, sei que conheces todos os meus defeitos, enalteces as minhas (parcas) qualidades e, mesmo assim, gostas de mim por quem eu sou. Fazes-me sentir bem por ser como sou. Eu gosto mais de mim quando estou contigo.
Só que ainda não te encontrei e, apesar de andar confusa de vez em quando, tenho a certeza que vou saber quem és assim que os nossos olhares se cruzarem. Não vai haver a mais pequena dúvida porque eu sempre soube quem eras.
Não me esqueci do brilho nos teus olhos que me rouba a atenção toda e o facto de não falares muito. Não esqueci aquele sentido de humor inteligente que só aparece nos momentos certos, seguido das palavras exactas. Manténs a cara séria, enquanto o resto esboça um sorriso sincero ou mesmo uma gargalhada. Sei que não és lindo de morrer porque é assim que eu quero, como um tesouro que só eu descobri. Sei que preciso do teu abraço todas as noites ao chegar a casa. Sei que somos água e azeite, tão diferentes como é possível imaginar. Costumas ter um ar sério e eu estou sempre a rir. Dizes sempre as coisas certas na altura certa, eu falo demais. Mas após nos conhecermos, não vai haver outra alternativa senão ficarmos juntos porque eu quero saber sempre mais de ti, conhecer-te cada vez melhor e, acima de tudo, crescer contigo. Eu sei que me esforço em ser uma pessoa melhor por ti. Por alguma razão, consigo ver-me através de ti, sei que conheces todos os meus defeitos, enalteces as minhas (parcas) qualidades e, mesmo assim, gostas de mim por quem eu sou. Fazes-me sentir bem por ser como sou. Eu gosto mais de mim quando estou contigo.
Só que ainda não te encontrei e, apesar de andar confusa de vez em quando, tenho a certeza que vou saber quem és assim que os nossos olhares se cruzarem. Não vai haver a mais pequena dúvida porque eu sempre soube quem eras.
quarta-feira, junho 08, 2005
Age of Empires e a minha vida
É estranho estar tanto tempo sem escrever, até porque eu adoro escrever. Ultimamente a minha vida deu numa volta de 1,99*pi radianos! Não sei bem como explicar porque no fundo continua tudo na mesma, mas o ambiente mudou completamente. (Não, não me casei). A verdade é que tenho tido poucas oportunidades para estar ao pé do computador e, quando estou, tenho que fazer tanta coisa que depois fico sem vontade de escrever. Durante o dia tenho tantas ideias e o teclado anda tão longe!
Lembro-me de comparar a vida à construção de puzzles (adoro puzzles). As peças só encaixam de certa maneira, temos que ter muita paciência para descobrir quais encaixam em quais e, comecemos da esquerda ou da direita, acabamos por atingir os nossos objectivos. No entanto (e tendo como mentora a Trinity), a verdade é que prefiro pensar que o final não está previamente escolhido e que as minhas escolham afectam o que eu quero ser (se bem que coisas como envelhecer, aprender a ler e fazer 4ª classe já estavam previstas, por assim dizer). Lembrei-me então de outra analogia: o jogo "Age of Empires"! Não é que ande a caçar veados enquanto espero que chegue a idade do sedentarismo (até porque tenho uma faceta nómada), mas aquela ideia de ter o mundo obscuro até eu avançar e começar a descobrir o mapa está muito bem pensada! O meu conhecimento global está às manchas e cheio de buracos negros porque eu não conheço imensas coisas. A verdade é que quanto mais conheço mais percebo que a parte negra é muito maior do que eu tinha imaginado! (O raio do grego tinha razão). Se eu passasse a minha vida enfiada dentro de uma aldeola e não conhecesse mais nada, provavelmente vivia feliz sem saber de nada que me fizesse sair da minha concha. Ia sentir-me feliz no senso comum do meu dia-a-dia e nunca ia entender a verdadeira extensão da minha ignorância. O problema é apercebermo-nos de como somos ignorantes, conhecer coisas novas que nunca tínhamos sequer imaginado que existiam (isto lembra-me que se vai realizar o primeiro campeonato de futebol para porcos - "pigball"). O meu mundo vai-se desvendando (se bem que a maior parte vai ficar às escuras) e eu vou aprendendo a deslocar-me nele e a tentar aprender mais coisas.
Pensar nisto tudo faz-me sentir estupidamente pequena. Lembro-me de alguém dizer que podíamos aproximar (por excesso) o número de galáxias ao número de grãos de areia que existem em todas as praias da Terra. Se todos esses grãos fossem galáxias, o nosso sistema solar já era estupidamente pequeno, mas a verdade é que a Terra (e nem quero comparar o meu tamanho com o do planeta) seria muito mais pequena do que um micróbio. Será que um micróbio tem esperança de média de vida suficiente para conhecer uma milésima fracção do grão de areia? Penso que é uma visão um bocadinho deprimente, portanto vou-me ficar pela visão do Hobbes: "a ignorância é uma benção!". (O problema é que o bichinho de querer saber sempre mais anda aí.. tan nan nan nan).
Lembro-me de comparar a vida à construção de puzzles (adoro puzzles). As peças só encaixam de certa maneira, temos que ter muita paciência para descobrir quais encaixam em quais e, comecemos da esquerda ou da direita, acabamos por atingir os nossos objectivos. No entanto (e tendo como mentora a Trinity), a verdade é que prefiro pensar que o final não está previamente escolhido e que as minhas escolham afectam o que eu quero ser (se bem que coisas como envelhecer, aprender a ler e fazer 4ª classe já estavam previstas, por assim dizer). Lembrei-me então de outra analogia: o jogo "Age of Empires"! Não é que ande a caçar veados enquanto espero que chegue a idade do sedentarismo (até porque tenho uma faceta nómada), mas aquela ideia de ter o mundo obscuro até eu avançar e começar a descobrir o mapa está muito bem pensada! O meu conhecimento global está às manchas e cheio de buracos negros porque eu não conheço imensas coisas. A verdade é que quanto mais conheço mais percebo que a parte negra é muito maior do que eu tinha imaginado! (O raio do grego tinha razão). Se eu passasse a minha vida enfiada dentro de uma aldeola e não conhecesse mais nada, provavelmente vivia feliz sem saber de nada que me fizesse sair da minha concha. Ia sentir-me feliz no senso comum do meu dia-a-dia e nunca ia entender a verdadeira extensão da minha ignorância. O problema é apercebermo-nos de como somos ignorantes, conhecer coisas novas que nunca tínhamos sequer imaginado que existiam (isto lembra-me que se vai realizar o primeiro campeonato de futebol para porcos - "pigball"). O meu mundo vai-se desvendando (se bem que a maior parte vai ficar às escuras) e eu vou aprendendo a deslocar-me nele e a tentar aprender mais coisas.
Pensar nisto tudo faz-me sentir estupidamente pequena. Lembro-me de alguém dizer que podíamos aproximar (por excesso) o número de galáxias ao número de grãos de areia que existem em todas as praias da Terra. Se todos esses grãos fossem galáxias, o nosso sistema solar já era estupidamente pequeno, mas a verdade é que a Terra (e nem quero comparar o meu tamanho com o do planeta) seria muito mais pequena do que um micróbio. Será que um micróbio tem esperança de média de vida suficiente para conhecer uma milésima fracção do grão de areia? Penso que é uma visão um bocadinho deprimente, portanto vou-me ficar pela visão do Hobbes: "a ignorância é uma benção!". (O problema é que o bichinho de querer saber sempre mais anda aí.. tan nan nan nan).
quarta-feira, junho 01, 2005
Crianças
"Um escultor manda vir um grande bloco de pedra e deita mãos ao trabalho. Uns meses mais tarde termina a escultura de um cavalo. Uma criança que o esteve a ver trabalhar pergunta-lhe então:
- Como sabias tu que havia um cavalo dentro da pedra?"
Incrível a maneira de pensar das crianças, não é? Tão simples, tão irresistivelmente lógica! São capazes de meter a um lado qualquer cientista de renome com as suas conclusões devastadoramente simples. Normalmente, a solução dos problemas tem tendência a ser algo fácil, como o ovo de Colombo! Arrisco-me a dizer que vêem a vida com olhos saudáveis, nós limitamo-nos a pôr óculos e a distorcer a nossa realidade, ano após ano, enquanto a nossa graduação aumenta. Felizmente, a doença é regressiva com o avançar dos anos, a graduação começa a diminuir e as coisas vão retomando aos seus respectivos lugares: as coisas importantes ficam mais perto e as coisas insignificantes afastam-se para a linha do horizonte (relembro que a linha do horizonte é uma linha imaginária).
Afastei-me um pouco do tema: as crianças. Há aquelas super mimadas, há aquelas super teimosas, há aquelas super chatas, há aquelas que parecem tomadas pelo diabo! No fundo, só há umas que crescem mais depressa do que outras porque, na sua maioria, crescem à imagem e semelhança dos pais. Uma criança não quer ter razão, é essa ingenuidade e humildade que lhes permite dizer o que pensam. Vêem apenas a vida tal como ela é e ainda a têm pintada por todo o carinho que as pessoas lhes dipensam. Abraçam sempre com força, riem com vontade, fazem caretas quando os obrigam a dar um beijinho às tias (eu ainda faço..) e não tentam disfarçar quando estão aborrecidas. Curiosamente, sabem o que está dentro delas e dos outros, podem não adivinhar o que está dentro de um bloco de pedra, mas compreendem o potencial do escultor. Será que nós nos apercebemos do potencial que está dentro de nós? Será que ainda temos e guardamos a "nossa" criança?
É bom "perder" tempo a ouvir e compreender quando uma criança tenta falar connosco. A visão dela é simples e lógica, cheia de imaginação, cheia de falta de razão, mas acima de tudo é uma realidade que também podia ser nossa. Suponho que o ponto fulcral da questão está em querermos ter razão, mesmo que para isso tenhamos que inventar uma coisa ou outra; ter razão faz-nos sentir importantes aos olhos dos outros. Porque é que temos medo de cair no ridículo? Porque é que temos medo de rir com vontade? Porque é que não rebolamos na relva, não andamos a correr à chuva, não fazemos nada das coisas mirabolantes que nos apetecem? Talvez por uma série de razões que acabam por não ter razão!
(O texto que transcrevi no início do post chama-se "Um segredo de escultor" e pode ser encontrado no livro "Tertúlia de Mentirosos" de Jean-Claude Carrière, da editora "teorema")
- Como sabias tu que havia um cavalo dentro da pedra?"
Incrível a maneira de pensar das crianças, não é? Tão simples, tão irresistivelmente lógica! São capazes de meter a um lado qualquer cientista de renome com as suas conclusões devastadoramente simples. Normalmente, a solução dos problemas tem tendência a ser algo fácil, como o ovo de Colombo! Arrisco-me a dizer que vêem a vida com olhos saudáveis, nós limitamo-nos a pôr óculos e a distorcer a nossa realidade, ano após ano, enquanto a nossa graduação aumenta. Felizmente, a doença é regressiva com o avançar dos anos, a graduação começa a diminuir e as coisas vão retomando aos seus respectivos lugares: as coisas importantes ficam mais perto e as coisas insignificantes afastam-se para a linha do horizonte (relembro que a linha do horizonte é uma linha imaginária).
Afastei-me um pouco do tema: as crianças. Há aquelas super mimadas, há aquelas super teimosas, há aquelas super chatas, há aquelas que parecem tomadas pelo diabo! No fundo, só há umas que crescem mais depressa do que outras porque, na sua maioria, crescem à imagem e semelhança dos pais. Uma criança não quer ter razão, é essa ingenuidade e humildade que lhes permite dizer o que pensam. Vêem apenas a vida tal como ela é e ainda a têm pintada por todo o carinho que as pessoas lhes dipensam. Abraçam sempre com força, riem com vontade, fazem caretas quando os obrigam a dar um beijinho às tias (eu ainda faço..) e não tentam disfarçar quando estão aborrecidas. Curiosamente, sabem o que está dentro delas e dos outros, podem não adivinhar o que está dentro de um bloco de pedra, mas compreendem o potencial do escultor. Será que nós nos apercebemos do potencial que está dentro de nós? Será que ainda temos e guardamos a "nossa" criança?
É bom "perder" tempo a ouvir e compreender quando uma criança tenta falar connosco. A visão dela é simples e lógica, cheia de imaginação, cheia de falta de razão, mas acima de tudo é uma realidade que também podia ser nossa. Suponho que o ponto fulcral da questão está em querermos ter razão, mesmo que para isso tenhamos que inventar uma coisa ou outra; ter razão faz-nos sentir importantes aos olhos dos outros. Porque é que temos medo de cair no ridículo? Porque é que temos medo de rir com vontade? Porque é que não rebolamos na relva, não andamos a correr à chuva, não fazemos nada das coisas mirabolantes que nos apetecem? Talvez por uma série de razões que acabam por não ter razão!
(O texto que transcrevi no início do post chama-se "Um segredo de escultor" e pode ser encontrado no livro "Tertúlia de Mentirosos" de Jean-Claude Carrière, da editora "teorema")
quarta-feira, maio 04, 2005
I'll be back!
Queria agradecer ao pessoal que tem vindo ao blog mas eu estou com um problema técnico (leia-se: ñ tenho Internet) e ñ posso actualizar o blog como eu queria. Assim que puder, volta tudo ao normal.. prometo! :)
Espero que, entretanto, ñ tenham fugido todos!
Um grande abraço e até breve (espero!)
Espero que, entretanto, ñ tenham fugido todos!
Um grande abraço e até breve (espero!)
segunda-feira, março 28, 2005
Achou que o último domingo foi curto?
Estou rabugenta!
Yeah, estou como os bébés e exactamente pela mesma razão que eles: sono! Felizmente não abro as goelas de uma maneira estridente (que é a única coisa que eles podem fazer). Estou quase de birra porque as férias acabaram. Quase de birra porque não tenho realmente nada a reclamar: estava sol, estive na praia, diverti-me imenso, fartei-me de passear e de sair à noite. Aliás, acho que estou de birra por causa da última saída à noite.
Tenho uma nova resolução de ano novo (vem atrasada e tal): sempre que mudar para a hora de Verão e eu tenha que acordar às 9:30 no dia seguinte para fazer uma viagem de carro de 500km, NÃO me vou deitar depois das 5 da manhã. Aqui está o ponto fulcral: como é que me roubam 1 hora num dia e eu não posso processar ninguém?! Este ano, como é que alguém que tenha nascido no dia 27 de Março à 1:30 festeja o aniversário à hora certa? Como é que não tenho direito a uma indemnização por ter um domingo que tem 23h? Sim, no Outono devolvem-me a hora em falta, mas é agora que tenho sono! Agora é que não tenho fome à hora das refeições, não tenho sono quando me deito (já era normal mas agora é crítico) e morro de sono quando acordo, com cara de quem acabou de se deitar. Andei o dia todo com os olhos semicerrados e com uma moleza incrível. Estou mole, sonolenta, rabugenta e isto tudo para acertar uns míseros 60 minutos. No ano passado demorei uma semana a habituar-me. Porque é que a hora não muda apenas no Verão? Eu não durmo nada no Verão, quero lá saber.. Agora nestes dias de chuva e frio, o que eu quero é uma manta, um sofá, as minhas horas de sono e a minha almofada! (Eu não durmo com almofada, mas achei que ficava bem). Isto de mudar a hora até é uma coisa à qual já devia estar habituada visto ser semestral. Mas a ideia continua a causar-me muita estranheza.
No dia 27, cheguei à zona dos bares à meia noite e tal. Depois de estar num bar durante 15 min, reparei que, tecnicamente, já lá estava há mais de uma hora. Mas que raio, ninguém acha isto esquisito? A música dos 50 cent durou uma hora e tal e ninguém deu por nada?
Agora não me venham dizer que gostam mais deste horário porque temos mais horas de dia e bla bla. Ora, as horas diurnas são as mesmas, quer eu acorde às 7 ou às 11 da manhã. Claro que temos mais horas com luz solar mas isso não é consequência da mudança da hora. Em Agosto temos menos horas "luminosas" do que em Julho e ninguém reclama disso. Tudo bem, mudamos a hora para não termos sol às 11 da noite ou para não acordarmos antes do sol nascer. Mas o meu corpo ressente-se sempre quando perco esta hora, é infalível. Como já seria de esperar, nem dou pela hora extra de Inverno. Fica uma questão: a hora muda aos domingos quê? Para nos habituarmos? Para não termos desculpa por chegarmos atrasados na 2ª feira já que a hora mudou no domingo?.. Mas quem é que está interessado em cumprir horários ao domingo?!
Yeah, estou como os bébés e exactamente pela mesma razão que eles: sono! Felizmente não abro as goelas de uma maneira estridente (que é a única coisa que eles podem fazer). Estou quase de birra porque as férias acabaram. Quase de birra porque não tenho realmente nada a reclamar: estava sol, estive na praia, diverti-me imenso, fartei-me de passear e de sair à noite. Aliás, acho que estou de birra por causa da última saída à noite.
Tenho uma nova resolução de ano novo (vem atrasada e tal): sempre que mudar para a hora de Verão e eu tenha que acordar às 9:30 no dia seguinte para fazer uma viagem de carro de 500km, NÃO me vou deitar depois das 5 da manhã. Aqui está o ponto fulcral: como é que me roubam 1 hora num dia e eu não posso processar ninguém?! Este ano, como é que alguém que tenha nascido no dia 27 de Março à 1:30 festeja o aniversário à hora certa? Como é que não tenho direito a uma indemnização por ter um domingo que tem 23h? Sim, no Outono devolvem-me a hora em falta, mas é agora que tenho sono! Agora é que não tenho fome à hora das refeições, não tenho sono quando me deito (já era normal mas agora é crítico) e morro de sono quando acordo, com cara de quem acabou de se deitar. Andei o dia todo com os olhos semicerrados e com uma moleza incrível. Estou mole, sonolenta, rabugenta e isto tudo para acertar uns míseros 60 minutos. No ano passado demorei uma semana a habituar-me. Porque é que a hora não muda apenas no Verão? Eu não durmo nada no Verão, quero lá saber.. Agora nestes dias de chuva e frio, o que eu quero é uma manta, um sofá, as minhas horas de sono e a minha almofada! (Eu não durmo com almofada, mas achei que ficava bem). Isto de mudar a hora até é uma coisa à qual já devia estar habituada visto ser semestral. Mas a ideia continua a causar-me muita estranheza.
No dia 27, cheguei à zona dos bares à meia noite e tal. Depois de estar num bar durante 15 min, reparei que, tecnicamente, já lá estava há mais de uma hora. Mas que raio, ninguém acha isto esquisito? A música dos 50 cent durou uma hora e tal e ninguém deu por nada?
Agora não me venham dizer que gostam mais deste horário porque temos mais horas de dia e bla bla. Ora, as horas diurnas são as mesmas, quer eu acorde às 7 ou às 11 da manhã. Claro que temos mais horas com luz solar mas isso não é consequência da mudança da hora. Em Agosto temos menos horas "luminosas" do que em Julho e ninguém reclama disso. Tudo bem, mudamos a hora para não termos sol às 11 da noite ou para não acordarmos antes do sol nascer. Mas o meu corpo ressente-se sempre quando perco esta hora, é infalível. Como já seria de esperar, nem dou pela hora extra de Inverno. Fica uma questão: a hora muda aos domingos quê? Para nos habituarmos? Para não termos desculpa por chegarmos atrasados na 2ª feira já que a hora mudou no domingo?.. Mas quem é que está interessado em cumprir horários ao domingo?!
segunda-feira, março 21, 2005
E a desfilar na carpete vermelha: a Primavera!
O dia dos namorados (o "São Valentino") foi há relativamente pouco tempo (até podia mandar uma piada sobre a proximidade deste dia e do Carnaval: será pura coincidência?!). A sério que não tenho nada contra os namorados, só contra as decorações das lojas e aquelas cores de arraial minhoto. Mas pronto, toda a gente tem que ganhar a vida!
Hoje é o primeiro dia de Primavera e já se nota qualquer coisa no ar e na rua (sem ser a chuva): os casais de namorados aparecem a cada esquina. Até um casal que me é muito próximo e que se separou algures em Novembro, teve a feliz ideia de tentar novamente. No "Dia Valentino", as filhas foram para uma festa e ela ficou em casa sozinha. Ele apareceu de surpresa e chegou com uma lagosta, champanhe e um ramo de rosas que encheu 4 jarras! Quais ursinhos, qual quê! Lagosta e champanhe é que é falar a sério! He he
Entretanto já recebi dois convites para casamentos e o ano ainda mal começou.
No outro dia, dei por mim a reparar (pelo retrovisor) que o condutor do carro atrás de mim era mesmo muito engraçado! Não ando apaixonada e, actualmente, prefiro andar sem namorado. Tenho mais tempo para mim e, sei lá porquê, ando feliz da vida! (Será também efeito do ar fresco que se respira ultimamente?)
Estou na fase em que ainda descubro as maravilhas da palavra "curtir": sem obrigações, sem chatices e com o mesmo prazer! (Se calhar, devia ter ido para publicidade, que achas Maria da Lua? ;)
No baile de finalistas de 12º, ou seja, há 5 anos atrás, um rapaz qualquer embirrou que me queria conhecer. Só soube disto há uns 3 anos, mas a coisa piorou porque acabei por o conhecer por intermédio de outras pessoas e ele passava a vida a chatear-me para sairmos juntos, conhecermo-nos melhor, bla bla.. Ora bem, 5 anos soa a desespero? Acho que é ainda pior que isso: ele mete-me medo! Nunca saí com ele e faço os possíveis para não dar muita conversa, nunca o bloqueei no MSN ou IRC por causa dos amigos que temos em comum, mas são incontáveis as vezes que me deu vontade disso! E sim, sempre lhe disse claramente e com as palavras todas que NÃO queria sair e NÃO queria estar com ele. O problema é que ele apreciou a minha frontalidade! (É ironicamente irreal, eu sei!) Mas com a chegada destes dias mágicos, parece que (até) ele encontrou, de facto, alguém que quer estar com ele! Não faço ideia de quem é a moça (ou se realmente existe) e não posso deixar de pensar que ela não deve ser muito brilhante, mas quem quer que sejas: "Obrigada por apareceres! E já agora, porque é que demoraste tanto?!"
Pois bem, anda aí qualquer coisa no ar.. não sei o que é (as férias da Páscoa devem explicar qualquer coisa), mas a verdade é que parece tudo disposto a entrar na Primavera com um grande sorriso nos lábios! Eu acho bem, até porque o pessoal recentemente apaixonado anda mais tolerante, bem disposto, mais simpático, aluado e a rir sozinho enquanto anda na rua. Gosto, fazem o resto do pessoal sentir-se bem e fico a pensar que, afinal, as coisas importantes até andam bem de saúde! (Só falta o SCP ganhar hoje!)
Bem vindos à melhor estação do ano!
Nota: se tens um Clio Preto e se estiveste na sexta feira, por volta das 14h, parado ao semáforo na N259, avisa!!
Hoje é o primeiro dia de Primavera e já se nota qualquer coisa no ar e na rua (sem ser a chuva): os casais de namorados aparecem a cada esquina. Até um casal que me é muito próximo e que se separou algures em Novembro, teve a feliz ideia de tentar novamente. No "Dia Valentino", as filhas foram para uma festa e ela ficou em casa sozinha. Ele apareceu de surpresa e chegou com uma lagosta, champanhe e um ramo de rosas que encheu 4 jarras! Quais ursinhos, qual quê! Lagosta e champanhe é que é falar a sério! He he
Entretanto já recebi dois convites para casamentos e o ano ainda mal começou.
No outro dia, dei por mim a reparar (pelo retrovisor) que o condutor do carro atrás de mim era mesmo muito engraçado! Não ando apaixonada e, actualmente, prefiro andar sem namorado. Tenho mais tempo para mim e, sei lá porquê, ando feliz da vida! (Será também efeito do ar fresco que se respira ultimamente?)
Estou na fase em que ainda descubro as maravilhas da palavra "curtir": sem obrigações, sem chatices e com o mesmo prazer! (Se calhar, devia ter ido para publicidade, que achas Maria da Lua? ;)
No baile de finalistas de 12º, ou seja, há 5 anos atrás, um rapaz qualquer embirrou que me queria conhecer. Só soube disto há uns 3 anos, mas a coisa piorou porque acabei por o conhecer por intermédio de outras pessoas e ele passava a vida a chatear-me para sairmos juntos, conhecermo-nos melhor, bla bla.. Ora bem, 5 anos soa a desespero? Acho que é ainda pior que isso: ele mete-me medo! Nunca saí com ele e faço os possíveis para não dar muita conversa, nunca o bloqueei no MSN ou IRC por causa dos amigos que temos em comum, mas são incontáveis as vezes que me deu vontade disso! E sim, sempre lhe disse claramente e com as palavras todas que NÃO queria sair e NÃO queria estar com ele. O problema é que ele apreciou a minha frontalidade! (É ironicamente irreal, eu sei!) Mas com a chegada destes dias mágicos, parece que (até) ele encontrou, de facto, alguém que quer estar com ele! Não faço ideia de quem é a moça (ou se realmente existe) e não posso deixar de pensar que ela não deve ser muito brilhante, mas quem quer que sejas: "Obrigada por apareceres! E já agora, porque é que demoraste tanto?!"
Pois bem, anda aí qualquer coisa no ar.. não sei o que é (as férias da Páscoa devem explicar qualquer coisa), mas a verdade é que parece tudo disposto a entrar na Primavera com um grande sorriso nos lábios! Eu acho bem, até porque o pessoal recentemente apaixonado anda mais tolerante, bem disposto, mais simpático, aluado e a rir sozinho enquanto anda na rua. Gosto, fazem o resto do pessoal sentir-se bem e fico a pensar que, afinal, as coisas importantes até andam bem de saúde! (Só falta o SCP ganhar hoje!)
Bem vindos à melhor estação do ano!
Nota: se tens um Clio Preto e se estiveste na sexta feira, por volta das 14h, parado ao semáforo na N259, avisa!!
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