domingo, novembro 26, 2006

Era uma vez na Arábia, parte II

(...e Bin Laden entrou na caverna.)

Ao ver Al-Face morto em cima de um monte de moedas entrou em pânico:
- O Francisco Louçã descobriu-nos! O Bush não nos pode continuar a financiar-nos para aqui, avisa o Gates que está tudo cancelado! Temos que nos mudar rapidamente! Este é um aviso extremamente claro!!
- Mas ó patrão, será que não foi só um campónio qualquer que nos descobriu?
- Achas mesmo!? E não levava nada?! Ficava morto ali?! Só por essa ideia estúpida, vai ficar sem cabeça!
E zás... cortou a cabeça a Al-Garve, o primeiro amor de Al-Guidar. Os homens de Bin Laden carregaram os camelos e burros para fugir o mais rapidamente possível, mas estavam com problemas em carregar um pote porque o burro não aguentava com o peso e teimava em cair para o lado. Alguns homens resolveram averiguar o problema do burro e descobriram Al-Jazeera dentro do pote. Assim que foi descoberto, só um pensamento atravessou a mente de Al-Jazeera: "Quem me dera estar contente num lugar longe e com o amor de Al-Guidar!". Meio desejo concedido mais tarde, encontramos Al-Jazeera um pouco atordoado nas Bahamas, completamente hilariante, ria-se imenso mas não sabia bem de quê.

De volta ao local do crime, Bin Laden tentava perceber o que se tinha passado. Não queria fazer perguntas porque se recusava a admitir que um homem tinha desaparecido, mas também não queria dar parte fraca face ao medo espelhado na cara dos restantes homens. Um pouco temeroso de magia negra, deixou ficar lá o pote, o burro e decapitou os homens que eram testemunhas (Al-Entejo e Al-Mada, 2º e 3º amores da vida de Al-Guidar). Lá continuou o seu caminho com burros e camelos com um único objectivo: Andorra e o seu paraíso fiscal.

Uns quarteirões ao lado, Al-Guidar tinha finalmente decidido o que queria pedir como desejo. Levantou-se, pegou nas mãos de Brad-Pitt e disse bem alto: "quero que deixes de ser génio e que fiques comigo para sempre!". A face de Brad-Pitt iluminou-se de felicidade e fechou os olhos à espera da magia de que ia ser alvo.
Passados uns dez minutos de espera e um bocado aborrecidos de olharem um para o outro, acharam que aquele desejo não devia ser concretizável e tentaram outros tantos, entre os quais uma árvore que dava ouro, um hamburguer da MacDonald's que não cheirava mal, um Vítor Neves com perguntas racionais, um país sem corrupção... quando pediu para tornar encarnado um tomate verde chegou à conclusão que Brad-Pitt não tinha poder nenhum!

Entretanto nas Bahamas, Al-Jazeera tinha chocado com o 10º amor da sua vida em biquini, as mulheres na praia sucediam-se a um ritmo alarmante! Ao longe viu um homem a caminhar na sua direcção e, sem saber por quê, sentiu um arrepio na espinha. Apesar de se estar a aproximar, ele não sabia se era homem ou mulher (vinha com uma tanga e sem mamas). O homem chegou-se ao pé dele, cravou-lhe dois beijos na cara e apresentou-se: "José Castelo Branco, muito prazer! Ai, que barba tão giraá! Que classe!!". Al-Jazeera teve a certeza que não era homem nem mulher, só queria fugir. Reparou então numa peça ao lado do homelher: uma massa disforme que parecia sorrir. Pensou que estava sofrer efeitos de insolação, sentiu-se tonto e caiu redondo no chão. Quando acordou, o homelher estava a fazer-lhe respiração boca-a-boca, louco de raiva porque beijar semi-homens era contra as leis de Alá, atirou-se ao mar decidido a morrer por afogamento. Ia já muito longe da costa e quase a desfalecer quando uma tartaruga gigante o apoiou e levou até uma praia, onde finalmente se deixou vencer pelo cansaço.

Entretanto Al-Guidar reparou que lhe tinham assaltado a loja porque nem o marido nem o empregado lá estavam. Completamente desolada por ter ficado sem dinheiro, resolveu ir à procura do marido enquanto Brad-Pitt tentava suicidar-se inalando creme depilatório. Al-Guidar percorreu as casas de todos os conhecidos e desconhecidos perguntando pelo marido e cunhado, mas nada, ninguém sabia nada do seu paradeiro. Desolada, passou três dias em greve de fome, fitando o horizonte enquanto Brad-Pitt curtia a sua depressão. Ao saber da triste história destes dois que tinham tudo para ser felizes, Paulo Coelho voou do Brasil para ensinar o verdadeiro sentido da vida a Al-Guidar e a Brad-Pitt. Ensinou-os a lutar, a ler as estrelas, a serem uns verdadeiros Merlins da vida, reconhecer sempre as coisas boas, não recordar as más, aprender a viver e a lutar porque há sempre outra oportunidade espiritual! Extremamente agradecidos a Paulo Coelho (que lhes cobrou apenas umas percentagens do livro "O Alquimista"), resolveram rumar à terra prometida, algures naquela direcção.

Do outro lado do mundo, Al-Jazeera acordava ao som de uma música contagiante, estava uma mulata ao lado dele que o convidou a dançar. Al-Jazeera mal conseguia controlar o rabo e não parava de dançar, aprendeu salsa em menos de cinco minutos. Os olhos verdes rasgados da mulata prendiam-no e nunca mais se separou dela. Ao fim de um mês, aprendeu a falar espanhol, entendeu que estava em Cuba, e nessa altura era já versado em Hemingway e rum, puros ainda lhe faziam tosse. Aprendeu depressa as leis do mercado negro e refez a sua vida com a mulata a vender chás calmantes com sabor a maçã que disfarçavam a fome. A mulata, de seu nome Enazibel, mostrou-lhe o que era o verdadeiro amor e filhos mestiços. E claro.. muita salsa! Viveu feliz.

Voltando atrás, Al-Guidar e Brad-Pitt não eram felizes, tinham muitas desavenças conjugais e decidiram que era melhor separarem-se.
Nessa altura estavam a fazer uma busca espiritual na Índia, ele conheceu a bela Angelina-Jolie e, sem lhe contar nada do seu passado como génio, abraçou as causas humanitárias e fingiu aceitar os filhos que ele sabia que não eram dele, bastava olhar para a pele das crianças, por Alá!
Al-Guidar entrou em depressão, converteu-se numa mulher da vida e, alguns dias depois, na taberna "estamos-todas-cá" conheceu Bin Laden. Ele apaixonou-se imediatamente por ela e levou-a para Andorra. Aí aprendeu a fazer ski, ser muito bem paga para dormir com magnatas e a ser feliz.

(A programação normal do blog vai ser retomada em seguida)

sexta-feira, novembro 24, 2006

Era uma vez na Arábia, parte I

Era uma vez um senhor chamado Al-Jazeera, era muito trabalhador e correcto mas tinha um irmão rico que era exactamente o oposto dele. Al-Jazeera trabalhava para o irmão que tinha uma esposa lindíssima por quem ele estava irremediavelmente apaixonado. Por sinal, a bela moça tinha sido obrigada a casar e estava apaixonada pelo irmão mais novo, ou seja, o pobre Al-Jazeera.
Um dia, estava ele a passear no deserto e viu uma grande agitação no horizonte, escondeu-se atrás de umas rochas porque temia uma tempestade de areia. Escondido atrás das rochas, viu alguns cavaleiros aproximarem-se... muitos! Ficou pasmado quando viu o líder deles: Bin Laden! Era o ladrão mais procurado no país todo e a sua quadrilha era numerosa. Bin Laden aproximou-se de uma rocha enorme e gritou: "Abre-te Sésamo!". Perante o olhar espantado de Al-Jazeera, a enorme pedra mexeu-se e toda a quadrilha entrou num buraco que ficou a descoberto, a rocha voltou a tapar o buraco quase instantaneamente.

Assim que a quadrilha se foi embora, Al-Jazeera correu até à pedra enorme e gritou: "Abre-te Sésamo!". A pedra mexeu-se e ele entrou... a caverna estava repleta de ouro e vários tesouros! Como era uma pessoa medianamente desinteressada, passeou um pouco mais na caverna a pensar que talvez pudesse levar uma coisa ou outra para montar o seu próprio negócio, até que viu uma lâmpada semelhante à do Aladino. Correu a apanhá-la, esfregou a lâmpada e nada. Nada de génio, nada de desejos, nada. De qualquer maneira, levou a lâmpada no bolso, tirou um ou dois cordões de ouro e voltou a sair da caverna.

Quando Al-Jazeera chegou à loja no dia seguinte, foi a correr ter com a jovem Al-Guidar (a mulher do irmão) para lhe contar o que tinha visto na caverna e entregou-lhe a lâmpada como prova de que estava a falar a verdade. Assim que a moça se viu sozinha, começou a esfregar a lâmpada e saiu mesmo um génio. Não era bem o que ela tinha em mente mas ficou muito agradada, o génio era um rapaz louro muito bem parecido que dava pelo nome de Brad-Pitt. Brad-Pitt explicou-lhe que era novo naqueles números e que não tinha grande jeito para magias.. tecnicamente só tinha direito (e capacidades) a realizar meio desejo. No entanto, Brad-Pitt apaixonou-se por Al-Guidar assim que a viu e ficou a pensar num esquema para a levar dali, apesar de não ser muito bom em magia. Al-Guidar ficou um pouco triste, mas como optimista que era, achou que meio desejo era melhor que nenhum! Não querendo desperdiçar o meio desejo em vão, pediu ao Brad-Pitt para esperar um pouco até tomar uma decisão.

A verdade é que quem tinha direito ao meio desejo era Al-Jazeera pois tinha sido ele o primeiro a esfregar a lâmpada. No entanto, o génio estava no seu momento de depilação peitoral e quando finalmente saiu da lâmpada, deu de caras com Al-Guidar e presumiu que tinha sido ela a esfregar a lâmpada também da primeira vez. Durante isto, o irmão mais velho de Al-Jazeera, Al-Face, tinha estado a escutar atrás da porta porque tinha ideia que a mulher estava a falar com alguém... seria um amante? A pena para adultério era decapitação e Al-Face achava que Al-Guidar merecia a cabeça, não seria a mesma sem aqueles caracóis ruivos a cair-lhe pelos ombros! Sendo assim, ignorou o caso extra-conjugal mas tentou descobrir quem era o amante da mulher, trepou à janela e viu Al-Guidar sentada na cama com um musculado louro ao seu lado. Percebeu rapidamente que não tinha qualquer hipótese contra um homem depilado e resolveu libertar-se da frustração desabafando com o irmão. Al-Jazeera ficou com o coração destroçado e resolveu contar-lhe o segredo da caverna. Como ambos tinham perdido o amor, só lhes restava mesmo a ambição: pegaram nums camelos e foram até à gruta para atestar os animais. Esconderam-se atrás de umas rochas, viram a quadrilha de Bin Laden chegar e partir e depois entraram na gruta. Uma vez lá dentro, Al-Face ficou maravilhado! Até ao momento, tinha a firme convicção que o irmão tinha estado a gozar com ele, mas depois subiu a um monte de moedas de ouro, saltou, nadou, colocou coroas na cabeça... estava tão feliz que o coração dele não aguentou e fez-se em ketchup.

Al-Jazeera entrou em pânico: o irmão morto e o amor da vida dele nos braços de um louro depilado! Pior era impossível! Ouviu uns barulhos do lado de fora e, em desespero, escondeu-se dentro de um pote enorme que lá estava. Ouviram-se as palavras "Abre-te Sésamo" e Bin Laden entrou na caverna.

(continua...)

segunda-feira, novembro 13, 2006

O quinteto maravilha

Pois bem, a minha colega (colega desse escol que é o grupo das "Misses") Miss Perfect, lá resolveu tornar-me numa feliz contemplada (a sério) neste jogo e meteu-me também ao barulho. Esta é já a segunda vez que me vejo nestas andanças por isso tive que me esforçar ainda mais do que da outra vez... o que vale é que eu sou uma gaja cheia de manias!...


1. Apesar de ter a leve impressão que é irritante a longo prazo, eu estou sempre a rir! Sei que daqui a uns cinco anos (no máximo) serei a última cara à face da Terra que vai ser escolhida para fazer publicidade a um produto anti-rugas. Ainda mais idiota (e esta tiveram que me dizer porque eu tristemente não dava por ela) é que não só falo pelos cotovelos, como corro o risco de arrancar um olho a alguém que passe perto de mim enquanto falo porque a minha diarreia verbal é acompanhada de uma fascinante linguagem gestual. Quanto ao mexer muito as mãos, já dei por mim a falar ao telemóvel e a explicar com as mãos, acredito que a pessoa do outro lado tenha percebido muito melhor... Quanto ao sorriso, a minha sorte é que até tenho a cremalheira completa e razoavelmente branca...


2. Ok, carros. Pronto, o problema não são bem os carros são mais propriamente os Audis (tirando o A2, "balha-me Deuz"). Eu reajo à passagem de um Audi como o meu cão reage quando eu lhe mostro um bocado de presunto e faço círculos com ele. Mas há algum carro mais bonito que um A3, um A4, um A6, um A8, etc ou um TT com aquele azul lindo??
Rapazes, não venham cá com histórias porque eu até já tive oportunidade de engatar uma miúda por causa de um Audi... E esta, hein?!


3. Adoro andar descalça!
Pronto é isso... não sou capaz de andar de salto alto, acredito que seja muito elegante, mas eu a cair de uma escadaria não me soa nada a elegância. Só usei umas quatro vezes em toda a minha vida e fui sempre sortuda o suficiente para ficar em mesas com toalha até ao chão, assim fiquei o tempo todo descalça (aliás, saltos altos são das poucas coisas que me fazem estar muito tempo na mesma posição, sentada e quieta). Gosto muito de ténis, mas andar descalça é mesmo uma alegria... Deixem o chão com taco de madeira vir até aos meus pezinhos!! Provavelmente demoro a curar constipações por causa disso, mas andar calçada em casa é um atentado à liberdade. (Não tenho fotografias dos ditos porque foram submetidas a concurso... esperamos o veredicto final!)


4. Por alguma razão dúbia, quando preciso de estar concentrada para resolver qualquer coisa preciso de estar a fazer outra coisa ao mesmo tempo. Quando estou a estudar, normalmente estou a "cantar" qualquer coisa ou a fazer desenhos de coisas que não têm nada a ver. Quando estou ao computador, ponho-me a jogar "Solitário" enquanto revejo as coisas mentalmente para encontrar ou corrigir erros. Já fiz um exame do princípio ao fim ao som de um martelo pneumático e não dei por ele até acabar o exame! Eu sei que é estúpido, mas não me consigo concentrar se estiver tudo em silêncio e isso explica a minha aversão às bibliotecas (excepto à do ciclo onde se pescavam os peixes do aquário com clips).


5. E por último, sou uma verdadeira e incontestável fã de desenhos animados! Ainda por cima vejo tudo o que seja da Disney ou da Pixar, sou muito selectiva... cof cof. Não sei se tem alguma coisa a ver com o facto da minha época festiva favorita ser o Natal, acho que a minha parte de adulta é um bocado deficitária em certas (muitas) áreas... mas pronto, acho que podia ser pior!! E para imagem final, deixo-vos com uma curtíssima metragem que se chama "For the birds" e que quase roubou o filme que se seguiu. Suponho que depois disto, a próxima vez que olharem para mim deve ser deste estilo:


Agora vem a parte que me dá gozo, entalar mais 5 pessoas! E o pessoal que venceu o renhido casting é o que se segue:

O rookie Max
A sempre-no-topo-da-sua-performance The Bitch
O Balhau que se raspou da última vez
A doce Catarina
E a gémea Ana

Come on... make my day! ;)

terça-feira, novembro 07, 2006

Uma fotografia com sabor a morango

O teu pai dizia que eram "calças de circo" e remungava entre dentes sempre que as trazias vestidas. Eu nunca lhes liguei muito, mas aprendi a gostar delas por causa desta fotografia. Sempre tiveste um estilo bastante teu, é impossível olhar para ti e não reconhecer isso. Ainda tens aquele hábito de ter sempre uma caixa de pastilhas de morango no bolso, raramente te apanhei a passear sem estar a mascar isso. Não costumo aceitar as que me ofereces, só quando quero enganar a fome, mas gosto imenso do cheiro a morango que fica a pairar no ar à tua volta.

Não sei se te lembras desta fotografia, provavelmente sim... estamos os quatro de costas para a falésia e com o cabelo no ar! Já foi há algum tempo, mas ainda me recordo muito bem da força do vento. Foi ali que aprendi a gostar das tuas calças, o vento era tanto que as calças torneavam perfeitamente as tuas pernas. Esta fotografia não me deixa mentir ou esquecer esse fim de tarde. O que mais me orgulha é o brilho nos teus olhos e o sorriso enquanto olhavas para mim, estava ainda a começar. Os altos e baixos que se seguiram... não foram muitas as ocasiões, mas os baixos foram mesmo cavados. Os bons momentos são tantos que não me consigo lembrar de todos, mas o dia desta fotografia está bem presente desde que acordei até que adormeceste no carro durante a viagem de volta (dizias tu que nunca adormecias em viagem).

É bom continuar a ver o brilho nos teus olhos, é bom continuarmos a rir sem parar. É bom rir só de te pensar em ti. Já não tens aquelas "calças de circo", mas ainda acordo com o cheiro a morango na almofada que não uso. É um tesouro que guardo dentro de mim e que só tu me dás, é um acordar doce.