sexta-feira, agosto 24, 2007

Quarta pista: recordar é viver

(continuação)

Uma vez fora da loja, encostei-me a um canto do passeio e abri o telemóvel para ver a MMS. Era novamente de ninguém (por assim dizer) e demorei um bocado a perceber o que era a imagem. Ao fim de olhar para a imagem umas tantas vezes, reenviei-a para um amigo meu especializado no assunto com o seguinte texto: “Isto é o dartacão, não é?!”. Só não levantei o sobrolho enquanto reconhecia a imagem porque não consigo fazer isso só com uma sobrancelha. Mas continuo a achar que dá estilo conseguir e é útil, em situações como esta, por exemplo. A resposta foi mais rápida do que eu esperava: “Yeah, mas porque é que queres saber?”. Se eu soubesse a resposta... Pelo menos tinha a certeza do que os meus olhos viam e o meu cérebro não queria acreditar: o dartacão era a minha quarta pista. Sim senhor, mais estranho começava a ser difícil.

Voltei para casa e usei essa bela ferramenta que dá pelo nome de “You Tube”. Confesso que me agradou rever o genérico dos desenhos animados. Reparei também numa mensagem simpática que aparecia e que eu nunca tinha dado conta, qualquer coisa como “esta série baseada na história de Alexandre Dumas pretende enaltecer duas virtudes que nunca devem ser esquecidas: honra e amizade”. Catita, sim senhor! Ora Alexandre Dumas (pai)... eu tinha a certeza que dele só tinha o “O conde de Monte Cristo”, portanto a pista não devia ser por ali. Estava a começar a ficar com umas ideias muito retorcidas e já achava que a pista tanto podia estar no meu cão (que não tem muito de mosqueteiro, nem de moscãoteiro, já agora), como no facto da cadela se chamar exactamente Julieta e estar ligada ao livro “Romeu e Julieta”. Pelo sim, pelo não, saí e fui até ao jardim. Chamei o meu cão, brinquei com ele e examinei-lhe a coleira com cuidado, apesar dele não estar a achar muita piada ao facto. Deixei-me estar a brincar um bocadito mais com ele, só para ter a certeza que não o ia levar ao veterinário e que ele escusava de fugir.

Segunda ideia mirabolante: Shakespeare. Esta ideia ainda era pior do que a outra porque, novamente, eu tinha o livro errado. Li vezes sem conta o “Sonho de uma noite de Verão”, mas não metia o dartacão (só um homem transformado em burro) nem a Julieta. No final, decidi abrir também o exemplar de “O conde de Monte Cristo”, mas não tinha lá nada que me ajudasse sem ser a história (belíssima por sinal, a personagem da “escrava” Haydée seduziu-me por completo). Perdi-me um bocado a relembrar estas histórias e a pensar em como o ódio pode ser quase tão bom como o amor no que toca à sobrevivência. Entretida pela redescoberta destas “grandes” histórias perdidas na minha memória, percorri as várias prateleiras de livros que tenho quarto. Muitos livros de Júlio Verne, um dos meus autores favoritos. E eis que no final da prateleira mais alta estava um exemplar dos três mosqueteiros de Alexandre Dumas, bem arrumado e mais perto da minha testa do que dos olhos, parecia ter estado sempre ali.

Abri o livro, virei-o do avesso e abanei-o vigorosamente. Caiu um pequeno rectângulo de papel branco. Estava manuscrito com letras maiúsculas: “NUNCA LI O LIVRO, MAS DIZEM QUE É BOM. ATÉ GOSTEI DO FILME. NEM ACREDITO QUE NÃO O TINHAS! SÓ ME DÁS TRABALHO! JÁ AGORA, PODES FICAR COM ESTE” Virei o papel ao contrário e tinha um escaravelho egípcio impresso, daquele tipo dos que vemos nos filmes a “comer” pessoas, como na “Múmia”.

4 comentários:

  1. Conheço alguém que te pode ensinar esse truque da sobrancelha... E o raio da história está cada vez mais estranha! O/a autor/a das pistas tem uma mente muito twisted...

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  2. A cena da sobrancelha pode ser ensinada? Pensava que era um talento natural dos músculos da testa! He he

    Quanto à mente twisted, acho que não vou comentar pelas mais variadas razões e tal... ;)

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  3. Adoro essa música!!!Bora lá continuar com estas pistas!!!

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  4. A juventude nos anos 80... ai saudades! ;)

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